Beterraba

género de plantas
Como ler uma infocaixa de taxonomiaBeterraba
Beta vulgaris
Beta vulgaris
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Caryophyllales
Família: Amarantaceae
Género: Beta
L.
Espécies
Ver texto

A beterraba (género Beta L.[1]) é uma planta herbácea da família das Quenopodiáceas, por Cronquist, ou das Amarantáceas, pela APG. Nome derivado do substantivo francês betterave (sendo bette a acelga, e rave nabo). O colo tuberizado serve, para além dos fins culinários, produção de açúcar (sacarose). Também existe uma variante cultivada para alimentação animal.

É comum achar que a beterraba é uma raiz, como a cenoura e a mandioca, porém o órgão de reserva é o caule, mais especificamente o colo da planta.

Beterraba encontrada no Rio de Janeiro.
Borsch preparado com beterraba com empada de Estetino, prato local na cidade polonesa de Estetino (Szczecin)

A beterraba é rica em açúcares. Quando em condição natural, a beterraba se conserva por até uma semana, se mantida em local fresco e sombreado. Também é usada como combustível alternativo na Europa, sendo usada para a preparação de etanol. A beterraba é recomendada para situações de anemia, devido à riqueza em ferro e ácido fólico. As folhas de beterraba possuem propriedades benéficas, semelhantes às folhas do espinafre, ambas sendo utilizadas na indústria farmacêutica devido às suas qualidades terapêuticas.[2] A beterraba tem valiosas propriedades medicinais devido ao seu elevado conteúdo de sais minerais, vitaminas e carboidratos (BALBACH e BOADIM, 1992).

Os médicos recomendam consumi-la crua, ralada, em salada. Se preferir comê-la cozida, a sugestão é cozinhá-la inteira, com casca e com 5 cm do talo, acrescentando duas colheres de vinagre na água para que mantenha intacta a cor vermelha. Tem ação neutralizadora de ácidos, auxilia a formação de glóbulos vermelhos; por ser rica em ferro e cobre, auxilia na produção de plaquetas, promove fortalecimento muscular devido à sua alta concentração de potássio e manganês, fortalece tendões e tem ação anti-inflamatória (BALBACH e BOADIM, 1992). Ela fortalece o coração, aumenta a circulação sanguínea, purifica o sangue. Quando utilizada junto com a cenoura tem ação na regulação hormonal.[3]

ComidaEditar

 
Um feixe de beterraba

Normalmente, as raízes roxas da beterraba são comidas cozidas, assadas ou cruas, sozinhas ou combinadas com qualquer salada de legumes. Uma grande parte da produção comercial é processada em beterraba fervida e esterilizada ou em pickles. Na leste europeu, a sopa de beterraba, como a borscht, é um prato popular. Na cozinha indiana, a beterraba picada, cozida e temperada é um prato comum. A beterraba amarela é cultivada em pequena escala para consumo doméstico. [4] A porção verde e frondosa da beterraba também é comestível. As folhas novas podem ser adicionadas cruas às saladas, enquanto as folhas maduras são mais comumente servidas cozidas ou no vapor, caso em que têm sabor e textura semelhantes a espinafre.

 
Seção através da raiz principal
 
Beterraba amarela

A domesticação da beterraba pode ser rastreada até o surgimento de um alelo que permite a colheita bienal de folhas e raiz axial. [5]

A beterraba pode ser fervida ou cozida no vapor, descascada e depois comida quente com ou sem manteiga como iguaria; cozido, em conserva e depois comido frio como condimento; ou descascado, ralado cru e depois comido como salada. A beterraba em conserva é um alimento tradicional em muitos países.

Um prato holandês da Pensilvânia tradicional é o ovo de beterraba em conserva. Ovos cozidos são refrigerados no líquido que sobrou da beterraba em conserva e deixados marinar até que os ovos adquiram uma cor rosa-avermelhada.

Na Polônia e na Ucrânia, a beterraba é combinada com raiz-forte para formar o popular ćwikła ou бурачки (burachky), que é tradicionalmente usado com frios e sanduíches, mas muitas vezes é também adicionado a uma refeição composta de carne e batatas. Da mesma forma na Sérvia, onde o popular cvekla é usado como salada de inverno, temperada com sal e vinagre com pratos de carne. Como um complemento do rábano, também é usado para produzir a variedade "vermelha" de chrain , um condimento popular na cozinha judaica, húngara , polonesa, lituana, russa e ucraniana.

Popular nos hambúrgueres australianos, uma fatia de beterraba em conserva é combinada com outros condimentos em um hambúrguer de carne bovina para fazer um hambúrguer australiano.

No norte da Alemanha, a beterraba é amassada com Labskaus ou adicionada como acompanhamento. [6][7]

Quando o suco de beterraba é usado, ele é mais estável em alimentos com baixo teor de água, como sorvetes e recheios de frutas. [8] Os Betanin s, obtidos a partir das raízes, são usados industrialmente como corantes alimentares, por ex. para intensificar a cor de pasta de tomate, molhos, sobremesas, compotas de geléias, sorvetes, doces e cereais matinais. [4]

A beterraba também pode ser usada para fazer vinho. [9]

Uma quantidade moderada de beterraba picada às vezes é adicionada aos picles japoneses fukujinzuke para dar cor.

A escassez de alimentos na Europa após a Primeira Guerra Mundial causou grandes dificuldades, incluindo casos de doença mangelwurzel , como os trabalhadores humanitários a chamaram. Era sintomático de comer apenas beterrabas. [10]

EspéciesEditar

Valor nutricionalEditar

  • A Cada 100 gramas de beterraba contém:

Classificação do gêneroEditar

Sistema Classificação Referência
Linné Classe Pentandria, ordem Digynia Species plantarum (1753)

Ver tambémEditar

  • Betanina, o corante presente em algumas espécies de beterraba.

Referências

  1. «Beterraba». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Consultado em 20 de setembro de 2016 
  2. MATOS et al., 2009
  3. PITCHFORD. 2002
  4. a b Grubben, G.J.H. & Denton, O.A. (2004) Plant Resources of Tropical Africa 2. Vegetables. PROTA Foundation, Wageningen; Backhuys, Leiden; CTA, Wageningen.
  5. Pin, Pierre A.; Zhang, Wenying; Vogt, Sebastian H.; Dally, Nadine; Büttner, Bianca; Schulze-Buxloh, Gretel; Jelly, Noémie S.; Chia, Tansy Y. P.; Mutasa-Göttgens, Effie S. (19 de junho de 2012). «The Role of a Pseudo-Response Regulator Gene in Life Cycle Adaptation and Domestication of Beet». Current Biology (em English). 22 (12): 1095–1101. ISSN 0960-9822. PMID 22608508. doi:10.1016/j.cub.2012.04.007   Parâmetro desconhecido |doi-access= ignorado (ajuda)
  6. SPIEGEL Online on Labskaus in Hamburg (German), Der Spiegel
  7. Labskaus mit Rote-Bete-Salat  (German), recipe at NDR
  8. Francis, F.J. (1999). Colorants. [S.l.]: Egan Press. ISBN 978-1-891127-00-7  Verifique o valor de |url-access=registration (ajuda)
  9. Making Wild Wines & Meads; Pattie Vargas & Rich Gulling; page 73
  10. MacMillan, Margaret Olwen (2002 ) [2001]. «We are the League of the People». Paris 1919: Six Months That Changed the World 1st U.S. ed. New York: Random House. p. 60. ISBN 978-0375508264. LCCN 2002023707. Relief workers invented names for things they had never seen before, such as the mangelwurzel disease, which afflicted those who lived solely on beets.  Parâmetro desconhecido |title-link= ignorado (ajuda); Verifique data em: |ano= (ajuda)

BibliografiaEditar

  • BALBACH, A., BONAVENTURA, C., LIMA, A. D., AZAR, L. Alho. Tecnologia em Gastronomia: Noções, 2006.
  • CRUZAT, V.F; PETRY, E.R; TIRAPEGI, J Glutamina: aspectos bioquímicos, metabólicos, moleculares e suplementação. Rev Bras Med esporte, vol 15, n. 5, set/ out, 2009.
  • MATOS, I. A. F., MACEDO, D. C., CIABOTI, S., PEREIRA, L. A., ALVARENGA, C. A. Avaliação da Composição centesimal de folhas de Beterraba Comparadas com Espinafre. II Seminário Iniciação Científica - IFTM, Uberaba, MG, 2009.
  • LEANDRO, C.G.; NASCIMENTO, E. do; AZEVEDO, M.M.; VIEGAS, A.; ALBUQUERQUE,C.; CAVALCANTI,C.B; MANHAES-DE-CASTRO, R.; CASTRO, C.M.M.B DE. Efeito da L-Glutamina sobre o perfil leucocitário e a função fagocítica de macrófagos de ratos estressados. Rev. Nut., Campinas, v.19, n.4 jul/ago. 2006.
  • PACIFICO, S.L.; LEITE, HP.; CARVALHO, WB. de. Glutamine supplementation: is it beneficial to critically ill children? Rev. Nutr., Campinas, v.18, n.1, 2005.
  • PITCHFORD, P. Healing with whole foods: Asian traditions and modern nutrition. 3ed., p. 537, 2002.

Ligações externasEditar

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