Boca do Inferno (site)

Boca do Inferno é um site brasileiro dedicado ao gênero horror, abrangendo também a ficção científica e o cinema fantástico em geral. Disponibiliza notícias, artigos, entrevistas e resenhas críticas de filmes, telesséries, jogos eletrônicos, livros, quadrinhos e obras musicais. Fundado em 2001, foi um dos primeiros endereços eletrônicos brasileiros voltado ao cinema de terror e é reconhecido como o maior portal do gênero no país.[1][2][3]

Boca do Inferno
Editor(es) Marcelo Milici
Requer pagamento? Não
Gênero Portal de notícias e entretenimento
País de origem  Brasil
Idioma(s) português
Lançamento 10 de maio de 2001; há 23 anos
Endereço eletrônico bocadoinferno.com.br
Estado atual Ativo

História

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O endereço eletrônico foi desenvolvido por Marcelo Fabiano Milici, um professor de língua portuguesa especializado em horror gótico.[4] Segundo ele, o projeto surgiu a partir de uma brincadeira: inspirado no filme The Blair Witch Project (1999), seu irmão criou um site baseado em uma lenda urbana fictícia sobre pessoas que faziam pacto com um demônio. A verossimilhança da narrativa fez Milici acreditar por algum momento que se tratava de uma história real e isso o motivou a criar seu próprio portal dedicado ao terror, ao qual chamou Boca do Inferno, lançado em 10 de maio de 2001.[5][6] Milici comentou que o nome do site é uma referência à alcunha de Gregório de Matos (em alusão à forma crítica com que o site analisa as produções de horror)[7][8] e também ao apelido da fictícia cidade de Sunnydale, cenário da série Buffy the Vampire Slayer.[9]

Até 2008, nove colaboradores atualizavam semanalmente o portal. Entre os produtores de conteúdo mais frequentes estavam Renato Rossati e Felipe Guerra, que já haviam escrito até então cerca de 300 críticas cada um. Nessa época, o site recebia em torno de dois milhões de acessos mensais.[5] Em seus primeiros oito anos, o portal foi editado em HTML até migrar para a linguagem WordPress.[6][10] A partir de 2012, teve problemas de instabilidade na rede em razão do conteúdo crescente e do alto consumo de dados, sendo reinicializado em algumas ocasiões.[10] Em 2014, já contava com mais de 400 filmes em seu catálogo e inúmeras críticas publicadas.[11] Em 2020, houve uma reformulação no leiaute da página, visando maior dinamismo, facilidade de acesso aos conteúdos, ampliação do campo visual e interatividade com o público; a equipe cresceu para 15 autores e o portal passou a investir ainda mais em podcasts, críticas musicais, jornalismo e análises literárias.[12]

Visão geral

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Segundo Milici, o objetivo do Boca do Inferno é "falar de uma cultura marginal no Brasil: o horror, em todas as suas vertentes, discutir o gênero sem preconceitos"[11] e que desde seus primórdios o site "nunca agiu com interesse exclusivamente comercial".[13] A equipe costuma chamar os leitores de "infernautas" e define as pautas considerando a variedade de público que o acessa. Assim, há críticas de filmes recentes, antigos, clássicos e obscuros, bem como sobre episódios de séries; a produção de conteúdo também pode ser conduzida por proximidades de estreias e datas comemorativas ou que envolvam aniversário ou morte de alguém ligado ao gênero.[14]

Em entrevista concedida em 2016, o editor afirmou que naquele momento os conteúdos mais acessados não eram necessariamente a respeito de filmes blockbusters, mas sim sobre produções da Netflix, televisão aberta ou paga e cinema, informações sobre continuações e refilmagens de obras clássicas, produções baseadas em eventos reais e temas relacionados à deep web.[15] Filmes antigos, em preto e branco, bem como produzidos pela Hammer ou Amicus eram buscados por leitores mais velhos e saudosistas que, conforme estimativas de Milici, representavam em torno de 10 a 15% do público que acessava o portal até a data.[13]

Empreendimentos relacionados

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Quadrinhos e livro

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Milici e Rossati, em parceria com a SM Editora, lançaram em janeiro de 2008 a primeira edição da revista trimestral Boca do Inferno.com, como uma tentativa de "trazer o gênero terror de volta aos quadrinhos nacionais".[16] Inicialmente com tiragem limitada e distribuição restrita, a revista teve procura maior no site, pelo qual foram vendidos mais de 300 exemplares.[5] Trabalharam no primeiro número quadrinistas como José Salles, Omar Viñole e Laudo Ferreira, criador da personagem Tianinha.[16] A segunda edição, lançada em agosto do mesmo ano, trouxe a reprodução de uma história de Gedeone Malagola, criador do super-herói Raio Negro, produzida na década de 1960.[5]

Em 2016, foi lançado o primeiro livro escrito pela equipe do portal, Medo de Palhaço – A Enciclopédia Definitiva Sobre Palhaços Assustadores na Cultura Pop, um almanaque publicado pela editora Generale. O material, cuja autoria é assinada por Milici, Filipe Falcão, Matheus Ferraz, Gabriel Paixão e Rodrigo Ramos, explora a coulrofobia na cultura pop, apresentando informações e curiosidades sobre os palhaços mais conhecidos e assustadores de produções cinematográficas, televisivas, literárias e de quadrinhos. A publicação aborda o tema do ponto de vista histórico e psicológico, com destaque para personagens como Pennywise e Joker.[1][17]

Curtas-metragens

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A partir de uma das histórias da seção de contos, na época uma das mais visitadas do site, foi produzido em 2009 um curta-metragem intitulado A Maldição de Luísa (originalmente Luísa), de forma completamente independente.[3][18] Em 2016, o portal disponibilizou o curta-metragem brasileiro O Diabo Mora Aqui, dirigido por Rodrigo Gasparini e Dante Vescio e baseado na lenda urbana da loira do banheiro; a produção concorreu ao título de melhor filme na competição internacional My Rode Reel, que elege por meio de votos populares na internet as melhores produções independentes de curtas-metragens.[19]

Festival Boca do Inferno

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Em maio de 2014, em comemoração ao aniversário de 13 anos do portal, foi realizada na cidade de São Paulo a primeira edição do Festival Boca do Inferno, também organizado por Milici.[11][20] O evento tornou-se anual e promove produções independentes de horror e cinema fantástico brasileiras e internacionais, por meio de exibição de filmes, palestras, debates, lançamentos literários, apresentações musicais[2] e um concurso que seleciona as melhores produções com base na escolha de um júri formado por especialistas no gênero. Entre as instituições que sediaram o evento estão a Biblioteca Viriato Corrêa[11][20] e a Oficina Cultural Oswald de Andrade.[2]

Referências

  1. a b Livraria da Folha (23 de dezembro de 2016). «Almanaque traz curiosidades sobre palhaços mais assustadores da cultura pop». Folha de S.Paulo. Consultado em 27 de setembro de 2020. Arquivado do original em 24 de dezembro de 2016 
  2. a b c «Festival Boca do Inferno III». Governo do Estado de São Paulo. 28 de outubro de 2016. Consultado em 28 de setembro de 2020. Arquivado do original em 28 de setembro de 2020 
  3. a b Lopes, Gilmar (9 de agosto de 2009). «Boca do Inferno no Programa E-farsas». E-farsas. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 5 de novembro de 2017 
  4. «Marcelo Milici | A primeira apunhalada (ou como comecei a gostar de horror)». Omelete. 3 de abril de 2015. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2020 
  5. a b c d Cruz, Felipe Branco (15 de setembro de 2008). «Mal não prevalece na Boca do Inferno». Bem Paraná. Agência Estado. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 29 de setembro de 2020 
  6. a b Monteiro 2014, p. 59.
  7. Taranha, Dane; Pires, Daniel (28 de julho de 2019). «Convidado: Marcelo Milici» (Podcast). 89 FM A Rádio Rock. Em cena em 03:06. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2020 
  8. Milici, Marcelo (9 de julho de 2018). «Editorial 2018 #2: 3000 Milhas Para o Inferno». Boca do Inferno. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 17 de junho de 2020 
  9. Rossati, Renato (16 de maio de 2003). «Boca do Inferno: 2 Anos de Horror na Internet!». Boca do Inferno. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 12 de setembro de 2014 
  10. a b Milici, Marcelo (2 de abril de 2017). «Editorial 2017 #4: O que Diabos aconteceu com o Boca do Inferno». Boca do Inferno. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2020 
  11. a b c d Monteiro 2014, p. 54.
  12. Milici, Marcelo (10 de maio de 2020). «Editorial: 19 Anos do Boca do Inferno: Terror nos tempos do Corona». Boca do Inferno. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 17 de junho de 2020 
  13. a b Müller 2016, p. 27.
  14. Müller 2016, p. 26.
  15. Müller 2016, p. 26-27.
  16. a b Naranjo, Marcelo (29 de janeiro de 2008). «Revista Boca do Inferno traz quadrinhos de terror». Universo HQ. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 29 de janeiro de 2020 
  17. Belarmino, Gustavo (21 de março de 2017). «Livro sobre medo de palhaço na cultura pop tem lançamento no Recife». NE10. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2020 
  18. «Luísa». Boca do Inferno. 2009. Consultado em 30 de setembro de 2020. Arquivado do original em 3 de fevereiro de 2009 
  19. Diários Associados (30 de maio de 2016). «Curta-metragem nacional concorre prêmio de melhor filme de terror». Correio Braziliense. Consultado em 23 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2020 
  20. a b Paglarin, Piero (13 de novembro de 2015). «II Festival Boca do Inferno: o universo fantástico em cartaz». Sobreviva em São Paulo. Consultado em 30 de setembro de 2020. Arquivado do original em 30 de setembro de 2020 

Bibliografia

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