Budapeste (livro)

livro de Chico Buarque

Budapeste é o terceiro romance de Chico Buarque, lançado em 2003 pela editora Companhia das Letras.

Budapeste
Autor(es) Chico Buarque
Idioma Português
País Brasil
Arte de capa Raul Loureiro
Editora Brasil Companhia das Letras
Lançamento 2003
Páginas 176[1]
ISBN 9788535904178
Cronologia
Benjamim
Leite Derramado

Foi adaptado ao cinema em 2009 com direção de Walter Carvalho.

EnredoEditar

Em Budapeste o narrador José Costa é um ghost-writer, pessoa especialista em escrever cartas, artigos, discursos ou livros para terceiros, sob a condição de permanecer anônimo. Costa escreve os textos na Cunha & Costa Agência Cultural, firma em que é sócio com o seu amigo de faculdade Álvaro Cunha, este especializado em promover o trabalho de José Costa.

Na volta de um congresso de autores anônimos, Costa é obrigado a fazer uma escala imprevista na cidade título do romance, o que desencadeia uma série de eventos que constituem o centro da trama: casado com a apresentadora de telejornais Vanda, Costa conhece Kriska na Hungria, que o apelida de Zsoze Kósta e com quem aprende húngaro - segundo o narrador, "a única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita". Entre as diversas idas e vindas entre Budapeste e o Rio de Janeiro, a trama se alterna entre o seu enfeitiçamento pela língua húngara e o seu fascínio em ver seus escritos publicados por outros, bem como o seu envolvimento amoroso com Vanda e Kriska.

Sobre BudapesteEditar

"Budapeste, no exato momento em que termina, transforma-se em poesia." — José Miguel Wisnik

"Chico Buarque ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame e chegou ao outro lado. Ao lado onde se encontram os trabalhos executados com mestria, a da linguagem, a da construção narrativa, a do simples fazer. Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro." — José Saramago, Folha de S.Paulo

"Talvez o mais belo dos três livros da maturidade de Chico, Budapeste é um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como poemas." — Caetano Veloso, O Globo

"O livro de Chico é uma vertigem. Você é sugado pela primeira linha e levado ao estilo falso-leve, a prosa depurada e a construção engenhosa até sair no fim lamentando que não haja mais, assombrado pelo sortilégio deste mestre de juntar palavras. Literalmente assombrado." — Luis Fernando Verissimo, O Globo

"Tecnicamente, Budapeste é um romance do duplo, tema clássico na literatura ocidental desde que a identidade do sujeito tornou-se problema e enigma. A questão desfila nas narrativas do século XIX, através dos motivos da sombra, do sósia, da máscara, do espelho, e evolui para a indagação dessa esfinge impenetrável e desencantada que é a própria pessoa como persona e ninguém." — José Miguel Wisnik

Recepção da críticaEditar

Budapeste foi bem recebido por escritores, críticos, jornalistas e pelo público; resposta diferente da dos romances anteriores de Chico Buarque, Estorvo (1991) e Benjamim (1995), que provocaram reações mistas junto à crítica especializada.[2]

PrêmiosEditar

O livro recebeu o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura de melhor romance em língua portuguesa publicado entre 2003 e 2004,[3] na 11a. Jornada Nacional de Literatura, bem como o Prêmio Jabuti de melhor Livro de Ficção de 2004.[4]

Referências

  1. «Budapeste - Chico Buarque». Companhia das Letras. Consultado em 1º de setembro de 2014 
  2. Giron, Luís Antônio (12 de setembro de 2003). «Com o diabo na língua». Revista Época. Consultado em 2 de janeiro de 2009 
  3. Lerman, Tiago (23 de agosto de 2005). «Chico Buarque, quem diria, recebeu prêmio, deu coletiva e até cantou em Passo Fundo». Jornada Literária. Consultado em 12 de dezembro de 2008 
  4. «Chico Buarque ganha Prêmio Jabuti com Budapeste». O Globo. Câmara Brasileira do Livro. 10 de setembro de 2004. Consultado em 23 de março de 2008 
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