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Carlos de Valois-Angoulême

filho ilegítimo de Carlos IX de França com Maria Touchet e um dos protegidos do rei Henrique III
Carlos de Valois-Angoulême
Charles de Valois. Desenho de Daniel Dumonstier.
Nascimento 28 de abril de 1573
Barraux
Morte 24 de setembro de 1650 (77 anos)
Paris
Nacionalidade Royal Standard of the King of France.svg Reino da França
Prêmios Cavaleiro da Ordem do Espírito Santo, Cavaleiro da Ordem de São Miguel

Carlos de Valois-Angoulême (em francês: Charles d'Angoulême; Barraux, 28 de abril de 1573 – Paris, 24 de setembro de 1650) era o filho ilegítimo de Carlos IX de França com Maria Touchet e um dos protegidos do rei Henrique III. Foi Conde de Auvergne, depois Duque de Angoulême, Conde de Ponthieu, Cavaleiro de Malta e Grão Prior da França.

BiografiaEditar

Nasceu no Château du Fayet, localizado na comuna francesa de Barraux, departamento de Isère. Seu pai, morreu no ano seguinte ao do seu nascimento, deixando-o sob o cuidado e proteção de seu irmão mais novo e sucessor, Henrique III, que cumpriu fielmente a incumbência.[1] Sua mãe se casou com François de Balzac, marquês d'Entragues, e uma de suas filhas, Henriette, marquesa de Verneuil, se tornou mais tarde a amante de Henrique IV.

Carlos de Valois recebeu excelente educação, e foi destinado aos Cavaleiros de Malta. Na idade de dezesseis anos, alcançou um dos mais altos postos da ordem, sendo nomeado Grão Prior da França. Pouco depois herdou grandes propriedades deixadas por sua avó paterna Catarina de Médici, de uma das quais tomou o título de Conde de Auvergne. Em 1591, obteve uma dispensa dos votos da Ordem de Malta, e se casou com Charlotte, filha de Henrique, marechal d'Amville, depois Duque de Montmorency.[2] Eles tiveram um filho, Louis-Emmanuel de Valois, Conde d'Alais.[3]

Em 1589 Henrique III foi assassinado, mas no leito de morte, pediu ao seu sucessor, Henrique IV, que continuasse a cuidar de Carlos. Carlos recebeu então, o posto de coronel da cavalaria, e serviu nas campanhas durante a primeira parte do reinado de Henrique IV. Mas a ligação afetiva entre o rei e Madame Verneuil parece ter sido muito desfavorável para Carlos, e em 1601 ele se envolveu na conspiração formada pelos Duques de Saboia, Biron e Bouillon, um dos objetivos era forçar Henrique a separar-se sua mulher e casar com a marquesa. A conspiração foi descoberta; Biron e Bouillon foram presos e Biron executado. Carlos foi solto após alguns meses na prisão, principalmente devido à influência de sua meia-irmã, sua tia, a duquesa de Angoulême e de seu sogro.

 
Estátua de Carlos de Valois-Angoulême

Carlos então se envolveu em novas intrigas junto à corte de Filipe III de Espanha, agindo em conjunto com Madame de Verneuil e seu pai d'Entragues. Em 1604 d'Entragues e Carlos foram presos e condenados à morte; no mesmo período, a marquesa foi condenada à prisão perpétua em um convento. Ela facilmente obteve o perdão, e a sentença de morte contra os outros dois foi comutada para prisão perpétua. Carlos permaneceu na Bastilha por onze anos, de 1605 a 1616. Um decreto do parlamento (1606), obtido por Margarida de Valois, o privou de quase todos os seus bens, incluindo Auvergne, embora ele ainda mantivesse o título. Em 1616 Carlos foi libertado, foi-lhe restabelecido o posto de coronel-general da cavalaria, e foi enviado para lutar contra um dos nobres descontentes, o duque de Longueville, que tomou Péronne. No ano seguinte, comandou as forças formadas na Ilha de França, e obteve alguns sucessos.

Em 1619 recebeu por herança, ratificada em 1620 pela subvenção real, o ducado de Angoulême. Logo depois foi designado para uma embaixada importante no Sacro Império Romano-Germânico, cujo resultado foi o Tratado de Ulm, assinado em julho de 1620. Em 1627, comandou as grandes forças montadas no cerco de La Rochelle; e alguns anos depois em 1635, durante a Guerra dos Trinta Anos, foi general do exército francês na Lorena. Em 1636 foi nomeado tenente-general do exército. Parece ter se retirado da vida pública logo após a morte de Richelieu em 1643.

Sua primeira esposa morreu em 1636, e em 1644 se casou com Françoise de Narbonne, filha de Carlos, Barão de Mareuil. Ela não teve filhos e sobreviveu a seu marido até 1713. Angoulême morreu em 24 de setembro de 1650. Com sua primeira esposa teve três filhos: Henrique, que se tornou insano; Louis-Emmanuel, que sucedeu seu pai como duque de Angoulême e foi coronel-general da cavalaria ligeira e governador da Provença; e François, que morreu em 1622. Carlos também teve dois filhos ilegítimos, Antonio Carlos Luís e Carlos (avô de Clothilde de Valois). Sua neta Marie Françoise de Valois casou com Luís, Duque de Joyeuse.

ObrasEditar

O duque foi autor das seguintes obras:

  1. Mémoires, do assassinato de Henrique III até a batalha de Arques (1589-1593) publicado em Paris por Boneau, e reimpresso por Buchon em seu Choix de Chroniques (1836) e por Petitot em suas Mémoires (1ª série, vol. xliv.)
  2. Les Harangues, prononcés en assemblée de MM. les princes protestants d'Allemagne, par Monseigneur le duc d' Angoulême (1620)
  3. uma tradução de uma obra espanhola de Diego de Torres.

A ele também foi atribuída a obra, La générale et fidèle Rélation de tout ce qui s'est passé en l'isle de Ré, envoyée par le roi à la royne sa mère (Paris, 1627).

Notas

  1. Taylor, William Cooke, Romantic Biography of the Age of Elizabeth: Calvin and the church of Geneva , (Richard Bentley:Londres, 1842), 296.
  2. Davenport, R.A., The History of the Bastile, and of Its Principal Captives, (Kessinger Publishing), 133.
  3. Bergin, Joseph, The making of the French episcopate, 1589-1661, (Yale University, 1996), 711.

Referências

Ligações externasEditar