Casa Real Portuguesa

A Casa Real Portuguesa abrigava a família real, seus parentes diretos, os familiares destes, além dos "cortesãos"[1] "vassalos"[2], servidores que coabitavam na casa do rei e daqueles que desempenhavam determinados serviços e tinham o estatuto de “moradores”. Sua organização encontrava-se dividida em áreas como o serviço nas câmaras e casas, e de cozinha, o cuidado das cavalariças na estribeira, as atividades relacionadas à caça e coutadas, a guarda e o serviço religioso realizado na Capela Real. Sua composição abrangia uma gama de ofícios, obtidos, principalmente, por relações pessoais e familiares[3].

Em Portugal, a administração da Casa Real passou por diversas modificações. Com o fim da União Ibérica e o regresso do rei a Lisboa, foi estabelecido, em 1643, o “Regimento dos ofícios da Casa Real d’el-rei d. João IV”, inspirado na estrutura anterior e na da Casa de Castela no período dos Habsburgo, que fixava as atribuições dos oficiais relacionadas aos rituais da corte. Em geral, os trabalhos ficavam divididos entre os ofícios maiores, que tinham vastas competências, e os menores, cujo estatuto se aproximava da condição das profissões “mecânicas”, como pintores, oficiais da cozinha, monteiros de cavalo, moço da chave, varredor da capela e outros. Alguns dos ofícios maiores tinham caráter hereditário e eram disputados pela nobreza. Os ofícios menores, por sua vez, podiam receber ordenados ou serem comprados[4][5].

Entre os ofícios maiores, o cargo mais importante era o de mordomo-mor, responsável por todos os aspectos da administração e pelo pagamento dos oficiais, dos criados e [de] suas moradias. Outro oficial destacado era o camareiro-mor, que cuidava da casa onde estivesse o leito do monarca. Além desses, eram também oficiais maiores o alferes-mor, o aposentador-mor, o capelão-mor, o estribeiro-mor, o copeiro-mor, o mestre-sala, o porteiro-mor, o trinchante-mor e o vedor da Casa Real, entre outros[4].

Alguns atos, que marcaram os vencimentos e ordenados, informam da existência de outros criados, como damas da câmara, açafatas do paço e moças do quarto. Na “Relação dos criados do paço a quem se devem ordenados”, de 11 de maio de 1808, apareciam também a camareira-mor, a camareira-mor da princesa mãe, retretas, parteiras, guarda-roupas, confessores, tenente da Guarda Real, médicos da câmara, médico da família, cirurgião da família, cirurgião da enfermaria, almoxarife da casa das obras, couteiro das praias, moços da prata e outros[6].

Outras dependências da Casa Real se organizaram posteriormente. Nomeadamente a Guarda Real, estabelecida em 13 de maio de 1808, composta por um sargento, três cabos e 21 soldados[6].

Ver tambémEditar

Referências

  1. As metamorfoses do império e os problemas da monarquia portuguesa na primeira metade do século XVIII, por Ricardo de Oliveira, VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol. 26, nº 43: p.109-129, jan/jun 2010, pág. 116
  2. As metamorfoses do império e os problemas da monarquia portuguesa na primeira metade do século XVIII, por Ricardo de Oliveira, VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol. 26, nº 43: p.109-129, jan/jun 2010, pág. 115
  3. Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020, in CARDIM, Pedro. A Casa Real e os órgãos centrais de governo no Portugal da segunda metade dos seiscentos, 2002, p. 15-18; ANDRADE, Santiago Silva de. De família para família: serviço régio e relações familiares no espaço doméstico da Casa Real portuguesa (1808-1821), 2005, p. 2)
  4. a b Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020, in CARDIM, Pedro. A Casa Real e os órgãos centrais de governo no Portugal da segunda metade dos seiscentos, 2002, p. 15-18
  5. Basicamente existiam dois grupos de servidores atuando na dimensão palatina da corte. Em termos estatutários, os chamados ofícios maiores eram aqueles que compreendiam os serviços da nobreza, enquanto os menores ou inferiores relacionavam-se com as condições das profissões mecânicas, o que lhes colocava em um estatuto notadamente abaixo. - As metamorfoses do império e os problemas da monarquia portuguesa na primeira metade do século XVIII, por Ricardo de Oliveira, VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol. 26, nº 43: p.109-129, jan/jun 2010, pág. 116
  6. a b Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020

Ligações externasEditar

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