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São Cecílio de Elvira
Altar de São Cecílio na Catedral de Granada
Morte  em Elvira, Hispânia
Veneração por Igreja Católica
Principal templo Abadia do Sacromonte
Festa litúrgica 1 de fevereiro
1 ou 15 de maio (juntamente com os sete varões apostólicos)
Atribuições Mitra, báculo, cruz peitoral, pluvial, livro
Padroeiro Granada
Gloriole.svg Portal dos Santos

São Cecílio de Elvira ou de Ilíberis foi um santo da Igreja Católica que é considerado um mártir, que viveu no século I ou II d.C. na cidade romana de Elvira (Ilíberis), tradicionalmente considerada a antecessora da atual Granada, no sul de Espanha.

Segundo a tradição cristã medieval, relatada na lenda dos sete varões apostólicos (Sete Apóstolos de Espanha)[nt 1] e no Códice Emilianense,[nt 2] documentos do século X baseados em textos mais antigo, foi um dos sete varões apostólicos, discípulos do apóstolo Santiago Maior que foram enviados para evangelizar Hispânia por São Pedro e São Paulo. É considerado o primeiro bispo de Ilíberis e desde o final do século XVI é venerado como padroeiro de Granada e da sua arquidiocese.[2]

Depois da Reconquista cristã em 1492, baseando-se na tradição medieval e procurando ligar a nova igreja de Granada com as suas origens mais remotas na comunidade cristã de Ilíberis, uma das primeiras paróquias criadas na cidade foi a de São Cecílio, embora se venerasse como padroeiro São Gregório Bético (ou de Elvira).[nt 3] Entre 1588 e 1599 foram descobertas na base da Torre Turpiana e no Sacromonte — então chamado monte de Valparaiso — uma série de relíquias, entre elas as supostas cinzas de São Cecílio, uma inscrição que indicava que o seu martírio tinha ocorrido no monte Ilipulitano no segundo ano do reinado de Nero (r. 54–68) e os chamados livros plúmbeos. Estes achados extraordinários intensificaram a devoção e o culto ao bispo santo em Granada e deram nome ao bairro do Sacromonte.[4]

A autenticidade dos achados foi questionada, considerados atualmente uma falsificação da comunidade mourisca para tentar evitar a expulsão que acabaria por acontecer em 1609, foi objeto de polémica até que um concílio local os declarou que as relíquias eram autênticas. Os livros plúmbeos, considerados falsos pelo historiador Luis Tribaldos de Toledo (1558–1636), depois de numerosas vicissitudes, foram finalmente declarados falsos em 1682 por um breve apostólico do Papa Inocêncio.[5][6] Devido aos achados, a festa litúrgica de São Cecílio foi mudado de 15 de maio, dia em que se celebrava em conjunto com os outros seis varões apostólicos, para 1 de fevereiro, a dia do martírio segundo as inscrições encontradas. Para venerar as relíquias dfoi fundado, por iniciativa do arcebispo de Granada Pedro de Castro, a Abadia do Sacromonte. Embora a proclamação oficial como padroeiro só tenha ocorrido em 1646 pelo arcebispo de Granada Martín Carrillo Alderete e pelo papa em 1703, desde então que São Cecílio passou a ser considerado o padroeiro de Granada e da sua arquidiocese.[nt 4]

VeneraçãoEditar

A romaria de São Cecílio, que tem lugar todos os anos no primeiro domingo de fevereiro no Sacromonte, congregando milhares de pessoas, é uma das festividades católicas mais importantes de Granada.[7] A romaria e a Abadia do Sacromonte são os principais instrumentos para a preservação, propagação e disseminação da lenda de São Cecílio, com a qual a cidade procurou redefinir a sua entidade histórica no século XVII, substituindo o seu passado muçulmano através dos registos supostamente redescobertos das suas origens cristãs.[4]

Segundo a lenda, as catacumbas do Sacromonte, conhecidas como Santas Cuevas ("santas grutas"), que se encontram no recinto da Abadia do Sacromonte, são o lugar onde São Cecílio foi martirizado.[8] Na abadia são conservadas as supostas relíquias de São Cecílio, onze ossos de outos santos, cinzas e o forno onde se acredita que eles foram incinerados. Também são ali conservadas as placas de chumbo com inscrições conhecidas como os livros plúmbeos.[8]

NotasEditar

  1. A lenda dos sete varões apostólicos ou sete apóstolos de Espanha está registada no Pasionario de Cardeña, um manuscrito do século X conservado no Museu Britânico.[1]
  2. O Códice Emilianense, datado do ano 962, pertencia ao Mosteiro de San Millán de la Cogolla e conserva-se na Real Biblioteca do Escorial.
  3. Breviários e calendários litúrgicos para o ofício divino da Igreja de Granada incluem festividades tanto para São Gregório Bético como para São Cecílio desde o início do século XVI, embora nenhum tivesse ofício próprio.[3]
  4. A festa de São Cecílio como padroeiro foi declarada oficialmente em 1646 pelo arcebispo Martín Carrillo Alderete. Em 1703 a Igreja de Granada recebeu aprovação papal para um ofício próprio de São Cecílio, que em 1729 foi estendido a toda a Espanha.[3]

Referências

  1. López Martín, Juan (1983), «Los siete varones apostólicos y sus sedes», Boletín del Instituto de Estudios Almerienses (em espanhol) (3): 111 
  2. «Cecilio, Santo. Co-Patrono de Granada» (em espanhol). Catholic.net. Consultado em 10 de março de 2013 
  3. a b Harris, A. Katie (2007), From Muslim to Christian Granada: Inventing a City’s Past in Early Modern Spain (PDF), ISBN 978-0-8018-8523-5 (em inglês), Baltimore: The Johns Hopkins University Press, p. 127 e nota 75 na p. 195, consultado em 10 de março de 2013 
  4. a b Martínez Medina, F. J. (2000), Leonardi, Claudio; Riccardi, Andrea; Zarri, Gabriella, eds., «Cecilio», ISBN 9788428522588, Editorial San Pablo, Diccionario de los santos (em espanhol), 1: A-I: 482-485, consultado em 10 de março de 2013 
  5. Godoy Alcántara, José (1981) [1868], Historia crítica de los falsos crónicones: las grandes falsificaciones de la historia de España, ISBN 9788485208166 (em espanhol), Tres Catorce Diecisiete, p. 44-128 
  6. Caro Baroja, Julio (1992), Las falsificaciones de la historia (en relación con la de España), ISBN 9788432206634 (em espanhol), Seix Barral, p. 118-125 
  7. EFE (28 de janeiro de 2008). «Granada festejará San Cecilio con 4.000 bolsas de alimentos tradicionales» (em espanhol). www.Ideal.es. Consultado em 29 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2009 
  8. a b «Barrio Sacromonte». guiasdegranada.com (em espanhol). Guías de Turismo de Granada. Consultado em 28 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 11 de julho de 2011 
 
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