Cemitério de Ferreira do Alentejo

cemitério em Ferreira do Alentejo, Portugal
Cemitério de Ferreira do Alentejo
Tipo Cemitério
Estado de conservação Em funcionamento
Geografia
País Portugal Portugal
Local Ferreira do Alentejo
Coordenadas 38° 3' 17.23" N 8° 6' 44.56" O
Localização em mapa dinâmico

O Cemitério de Ferreira do Alentejo é uma infra-estrutura e um sítio arqueológico na vila de Ferreira do Alentejo, em Portugal. Situa-se no local onde antes se erguia um castelo, que foi demolido e substituído pelo cemitério no Século XIX.[1]

HistóriaEditar

 
Diagrama do Castelo de Ferreira do Alentejo, com o nome de Fereirre, na obra Les Travaux de Mars, ou l'art de la guerre de Alain Manesson Mallet.

Uma das localizações apontadas para a antiga cidade romana de Singa teria sido atrás do local onde se situava o castelo.[2] Com efeito, o castelo surge ligado à antiga cidade de Singa através de uma lenda popular, na qual em 405,[3] nos finais do domínio romano, a cidade de Singa terá sido atacada pelos povos bárbaros, tendo uma mulher defendido a entrada do castelo com ferramentas de ferreiro, e que terá dado o nome à vila.[4] Porém, alguns vestígios remetem a construção do castelo para o Domínio muçulmano, tendo depois sido ampliado, com a construção das muralhas com barbacã e torres.[4]

O castelo foi construído pela Ordem de Santiago da Espada, proprietária da região onde se situava a vila de Ferreira do Alentejo, no topo de uma colina.[5] No entanto, a tradição popular aponta a fundação deste castelo por D. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários, em 1150.[3] Do ponto de vista espiritual, o castelo pertencia ao bispado de Évora,[6] enquanto que do ponto de vista militar era uma filial dos espatários de Alcácer do Sal, sendo em 1527 o alcaide Francisco Mendes do Rio, e em 1708 Baltazar Pereira do Lago.[1]

Em 1800, o castelo já apresentava um avançado estado de ruína, estando ainda visíveis algumas das suas nove torres, o fosso e a barbacã.[1] Por volta de 1839, a Junta de Paróquia ordenou que fosse demolido o castelo, e que o cemitério fosse construído no mesmo sítio.[1] O escudo da Ordem dos Espatários, que estava originalmente à entrada do Castelo, foi colocado na entrada principal do cemitério.[1]

Foram feitas pesquisas arqueológicas no local em 2006 e 2009, no âmbito de programas de blocos de rega no concelho.[7]

DescriçãoEditar

O castelo de Ferreira do Alentejo foi descrito como estando situado no alto de um monte cercado de muros, com uma barbacã e nove torres, sendo considerado inexpugnável.[2] O alcaide-mor do castelo era Baltazar Pereira de Lagos.[2]

Durante as análises arqueológicas na zona do cemitério foram encontrados alguns vestígios do período romano, nomeadamente fragmentos de cerâmica comum e vidrada, um pequeno tijolo, e partes de tégulas, numa área de cerca de 30 m².[7] Também foram identificadas peças de cerâmica do período moderno e contemporâneo.[7]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e BASTOS et al, 2004: 50-53
  2. a b c COSTA, 1708:496-497
  3. a b «Concelho de Ferreira do Alentejo». Álbum Alentejano: Distrito de Beja. Volume II de 2. Lisboa: Imprensa Beleza. 1931. p. 149-150. 216 páginas. Consultado em 21 de Junho de 2019 – via Biblioteca Digital do Alentejo 
  4. a b «Ferreira do Alemtejo». Archivo Historico de Portugal. 2.ª Série (21). Lisboa: Typ. Lealdade. 1890. p. 81-83. Consultado em 21 de Junho de 2019 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  5. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Volume 11 de 37. Lisboa: Editorial Enciclopédica, Lda. p. 195. 1027 páginas 
  6. SARAMAGO, 2007:568
  7. a b c «Cemitério de Ferreira do Alentejo 1». Portal do Arqueólogo. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 21 de Junho de 2019 

BibliografiaEditar

  • BASTOS, Hélder; FREITAS, Marta; et al. (2004). História das Freguesias e Concelhos de Portugal. Col: História das Freguesias e Concelhos de Portugal. Volume 7 de 18. Matosinhos: Quidnovi - Edição e Conteúdos, S.A. 143 páginas. ISBN 989-554-155-4 
  • COSTA, António Carvalho da (2006) [1708]. Corografia Portugueza e Descripçam Topografica. Col: Corografia Portuguesa. Volume 2 de 3. Braga: Alcalá e Universidade Católica Portuguesa. 642 páginas. ISBN 972-8673-34-5 
  • SARAMAGO, Alfredo (2007). Livro-Guia do Alentejo. Lisboa: Assírio e Alvim. 727 páginas. ISBN 978-972-37-1290-2 


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