Choeroniscus minor

Choeroniscus minor[2] é uma espécie de morcego nectarívoro da família dos filostomídeos (Phyllostomidae). O gênero Choeroniscus foi descrito em 1928, separando essa e mais 4 espécies do antigo gênero Choeronycteris.[3] Pode ser encontrada na Bolívia, Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.[1]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaChoeroniscus minor
Taxocaixa sem imagem
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Glossophaginae
Gênero: Choeroniscus
Espécie: C. minor
Nome binomial
Choeroniscus minor
(Peters, 1868)
Distribuição geográfica
Distribuição de Choeroniscus minor na América do Sul
Distribuição de Choeroniscus minor na América do Sul

Distribuição geográficaEditar

C. minor está presente restritamente no norte da América do Sul. Ocorre no Cerrado brasileiro assim como na porção sudeste da floresta amazônica.[4] Fora do território brasileiro, sua distribuição se estende às Guianas, Suriname, Equador, ao sul da Venezuela e Colômbia, o oeste do Peru e ao norte da Bolívia. Apesar de ser caracterizada como uma espécie da floresta amazônica, um ambiente de baixa altitude, sua distribuição geográfica alcança uma ampla variedade de elevações; ela habita o Cerrado brasileiro, onde existe uma variação de 600 a 1400 metros de altitude, e pode ser encontrada em elevações de até 3,860 metros no Peru.[5]

Descrição morfológicaEditar

São morcegos de tamanho pequeno para médio que apresentam um pequeno dimorfismo sexual;[6] as fêmeas apresentam uma média de massa corporal de 9,8 gramas e comprimento total de 69,1 milímetros, enquanto machos apresentam uma media de 8 gramas de massa corporal e 63,8 milímetros de comprimento total. O comprimento do antebraço varia entre 33 e 38 milímetros tanto em machos quanto em fêmeas.[5]

A pelagem é densa e sua coloração varia de preto a marrom escuro, com uma diferença bem leve entre dorso e ventre. Possuem um nariz pequeno, bem desenvolvido e em formato de triangulo, orelhas arredondadas no topo e de trago curto. A mandíbula é fina e alongada, apresentando um pequeno sulco na frente do focinho do animal, que permite a passagem da lingua com a mandíbula ainda fechada. A dentição do animal, curiosamente, apresenta grande variação entre indivíduos, sem apresentar algum padrão ou influencia no tamanho corporal.[7][5]

A partir do sulco em forma de V presente na ponta de sua mandíbula, o C. minor é capaz de projetar sua língua para fora da boca mesmo com a mandíbula fechada, graças aos incisivos reduzidos ou ausentes. A língua pode se estender em até cerca de 50% do comprimento total do animal e sua ponta possui papilas em forma de cerdas, direcionadas para trás, desenvolvidas para o maior consumo de néctar.[8][5]

Ecologia e ComportamentoEditar

C. minor habita florestas tropicais úmidas e prefere territórios próximos de lagos ou rios. Costuma se abrigar em troncos ocos ou caídos em áreas ribeirinhas, se pendurando em alturas de 50 a 70 centímetros acima do chão. Habita o mesmo abrigo ao longo de vários meses. Se alimenta primariamente de pólen e néctar, mas também podem consumir insetos. Não existe informações suficientes sobre sua reprodução para inferir padrões reprodutivos.[5]

ConservaçãoEditar

De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN), essa espécie se encontra classificada como Pouco Preocupante (LC ou Least Concern) desde agosto de 2016. Tal classificação significa que a espécie é abundante na natureza e não há maiores riscos de ameaça no futuro próximo.[1] No Brasil, foi listado em 2005 como vulnerável na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo;[9] em 2010, como em perigo na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais;[10] e em 2018, como pouco preocupante na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[11][12]

Referências

  1. a b c Sampaio, E.; Lim, B.; Peters, S. (2008). Choeroniscus minor (em inglês). IUCN 2014. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2014 . Página visitada em 18 de fevereiro de 2015..
  2. Simmons, N. B.; Wilson, D. E.; Reeder, D. M. (2005). «Choeroniscus minor». Mammal Species of the World 3.ª ed. Baltimore: Imprensa da Universidade Johns Hopkins. pp. 312–529. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  3. Thomas, Oldfield (janeiro de 1928). «VIII.—A new genus and species of Glossophagine bat, with a subdivision of the genus Chœronycteris». Annals and Magazine of Natural History (1): 120–123. ISSN 0374-5481. doi:10.1080/00222932808672753. Consultado em 14 de fevereiro de 2021 
  4. Aguiar, Ludmilla Moura de Souza; Marinho-Filho, Jader (junho de 2004). «Activity patterns of nine phyllostomid bat species in a fragment of the Atlantic Forest in southeastern Brazil». Revista Brasileira de Zoologia (2): 385–390. ISSN 0101-8175. doi:10.1590/s0101-81752004000200037. Consultado em 14 de fevereiro de 2021 
  5. a b c d e Solmsen, Ernst-Hermann; Schliemann, Harald (9 de outubro de 2008). «Choeroniscus Minor (Chiroptera: Phyllostomidae)». Mammalian Species: 1–6. ISSN 0076-3519. doi:10.1644/822.1. Consultado em 14 de fevereiro de 2021 
  6. Brosset, A.; Charles-Dominique, P. (1990). «The bats from French Guiana: a taxonomic, faunistic and ecological approach». Mammalia (4). ISSN 0025-1461. doi:10.1515/mamm.1990.54.4.509. Consultado em 14 de fevereiro de 2021 
  7. Voss, Robert S.; Lunde, Darrin P.; Simmons, Nancy B. (junho de 2001). <0003:tmopfg>2.0.co;2 «The Mammals of Paracou, French Guiana: A Neotropical Lowland Rainforest Fauna Part 2. Nonvolant Species». Boletim do Museu Americano de História Natural [Bulletin of the American Museum of Natural History]: 3–236. ISSN 0003-0090. doi:10.1206/0003-0090(2001)263<0003:tmopfg>2.0.co;2. Consultado em 16 de abril de 2022 
  8. Verfasser, Goodwin, George G., (1961). A review of the bats of Trinidad and Tobago descriptions, rabies infection, and ecology. Nova Iorque: Museu Americano de História Natural. OCLC 1067673203 
  9. «Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo». Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), Governo do Estado do Espírito Santo. Consultado em 7 de julho de 2022. Cópia arquivada em 24 de junho de 2022 
  10. «Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais» (PDF). Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM. 30 de abril de 2010. Consultado em 2 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 21 de janeiro de 2022 
  11. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  12. «Choeroniscus minor (Peters, 1868)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 16 de abril de 2022. Cópia arquivada em 9 de julho de 2022 
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