Abrir menu principal

Guiana

país localizado na América do Sul
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Guiana (desambiguação).
Co-operative Republic of Guyana
República Cooperativa da Guiana
Bandeira da Guiana
Coat of arms of Guyana.svg
Bandeira Brasão de armas
Lema: One People, One Nation, One Destiny
(Inglês: "Um Povo, Uma Nação, Um Destino")
Hino nacional: Dear Land of Guyana, of Rivers and Plains
Gentílico: Guianês ou guianense

Localização Guiana

Capital Georgetown
6°46′N 58°10′W
Cidade mais populosa Georgetown
Língua oficial Inglês
Governo República socialista[1]
 - Presidente David Granger
 - Primeiro-ministro Moses Nagamootoo
Independência do Reino Unido 
 - Data 26 de maio de 1966 
Área  
 - Total 214 970 km² (81.º)
 - Água (%) 8,4%
 Fronteira Venezuela (NO), Suriname (L), Brasil (S e SO)
População  
 - Estimativa para 2016 773 303 hab. (165.º)
 - Censo 2012 747 884 hab. 
 - Densidade 3,5 hab./km² (217.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2010
 - Total US$ 3,568 bilhões (141.º)
 - Per capita US$ 5 728 (101.º)
IDH (2018) 0,670 (123.º) – médio[2]
Moeda Dólar guianense (GYD)
Fuso horário (UTC-4)
 - Verão (DST) CEST
Org. internacionais ONU, OMC, OEA, CARICOM, Comunidade das Nações
Cód. ISO GUY
Cód. Internet .gy
Cód. telef. +592
Website governamental Guyana News and Information

Mapa Guiana

A Guiana (pronunciada Gú-i-âna[3]) (em inglês: Guyana, pronunciado: [ɡaɪˈɑːnə, ɡaɪˈænə]) ou Guyana,[4][5][6][7] oficialmente República Cooperativa da Guiana [4][6][8][9][10] (em inglês: Cooperative Republic of Guyana), anteriormente conhecida pelo seu nome colonial Guiana Britânica, é um país localizado no norte da América do Sul. Limita-se com o Suriname ao leste, Brasil ao sul e sudoeste, Venezuela ao oeste, e com o oceano Atlântico ao norte. Culturalmente, é parte do Caribe anglófono (Caraíbas anglófonas, em português europeu). A Guiana foi colônia neerlandesa e, subsequentemente, britânica. É o único Estado-membro da Commonwealth (Comunidade de Nações) situado na América do Sul, além de ser a única nação sul-americana a possuir o inglês como idioma oficial. Além disso, integra a Comunidade do Caribe (CARICOM), cuja sede se situa na capital da Guiana, Georgetown, e também é membro pleno da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). A Guiana conquistou sua independência do Reino Unido em 26 de maio de 1966, mantendo Isabel II como chefe de Estado, e tornou-se uma república em 23 de fevereiro de 1970.

Historicamente, a região conhecida como "Guiana" compreendeu a grande massa de terra no norte do rio Amazonas e leste do rio Orinoco, conhecida como a "terra de muitas águas". Ao longo de sua história, consistiu em três colônias neerlandesas: Essequibo, Demerara e Berbice. Com 215 000 km², a Guiana é o terceiro menor Estado independente no continente sul-americano, depois de Uruguai e Suriname.

A zona mais habitada é a faixa litorânea, constituída por um terreno plano, pantanoso e, em grande parte, posicionado abaixo do nível do mar. Para evitar inundações, foi construído um complexo sistema de diques e canais. O interior do país é ocupado pela densa floresta amazônica.

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Guiana
 
Guiana Britânica em 1896. A Guiana foi uma das únicas colônias do Império Britânico na América do Sul, juntamente com Trindade e Tobago, as Ilhas Malvinas e as Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.

Explorada por navegantes espanhóis a partir de 1498, o território foi colonizado no século XVII por neerlandeses da Companhia das Índias Ocidentais. Em 1814, a Holanda cedeu a região aos ingleses, que a batizaram oficialmente de Guiana Inglesa em 1831, tornando-a colônia britânica.

Diante das dificuldades encontradas para recrutar trabalhadores braçais entre os indígenas, as autoridades coloniais decidiram importar escravos negros. Com a abolição da escravidão em 1837, os trabalhadores indianos substituíram os negros nas plantações do interior.

Com a vitória eleitoral do Partido Progressista do Povo em 1953, 1957 e 1961, teve início o processo de independência do Reino Unido, concluído em 1966. O país, no entanto, permaneceu como membro da Comunidade Britânica. Em 1970, tornou-se república.

A vida política é dominada pelo Partido Progressista do Povo (PPP), que defende os interesses da maioria Indiana, e pelo Congresso Nacional do Povo (CNP).

A curta história do país caracterizou-se por fortes tensões étnicas, corrupção e ineficácia governamental. A fragilidade institucional levou a um rígido plano de austeridade nos anos 1990.

Em 2001, Bharrat Jagdeo, do PPP, foi eleito presidente. O opositor, Desmond Hoyte, do CNP, faleceu no ano seguinte, aos 73 anos.

GeografiaEditar

 Ver artigo principal: Geografia da Guiana

O território da Guiana é formado por uma faixa costeira pantanosa, por um planalto central no interior e por uma região montanhosa situada na fronteira com a Venezuela e com o Brasil. A oeste situa-se o principal sistema montanhoso - a serra de Pacaraima -, que culmina no monte Roraima. No sul, com altitudes menores, ergue-se a serra do Acaraí, chamada pelos indígenas de Guayanas, que significa "terra de águas". Vários rios cortam o território guianense, tendo como principais os rios Essequibo, Demerara, Berbice e o Corentyne, na fronteira com o Suriname. Muitos se prestam à navegação de embarcações de grande calado.

O clima é semelhante ao equatorial: a temperatura média é alta, as variações térmicas são pequenas e as chuvas, abundantes, principalmente na região costeira. Além da floresta tropical, existem manguezais no litoral e pastagens de savana nas zonas de maior altitude. A situação da população, majoritariamente formada de indianos, negros e mestiços, tem índices de bem-estar social muito baixo.

DemografiaEditar

 
Relógio do mercado de Stabroek, em Georgetown

A maioria da população da Guiana - em torno de 90% - vive em uma estreita faixa costeira que vai de 16 a 64 quilômetros de largura e que constitui aproximadamente 10% da área terrestre total do país.[11] A atual população da Guiana é racialmente e etnicamente heterogênea, com grupos étnicos originários da Índia, África, Europa e China, bem como povos indígenas ou aborígenes. Apesar de suas origens étnicas, estes grupos compartilham duas línguas comuns: o inglês e o crioulo.

O maior grupo étnico é o indo-guianense, os descendentes de povos vindos da Índia, que compõem 43,5% da população, de acordo com o censo de 2002. Eles são seguidos pelos afro-guianenses, os descendentes de países da África, que constituem 30,2%. Guianenses de origem mista compõem 16,7%, enquanto os povos indígenas (conhecidos localmente como ameríndios) compõem 9,1%. Os grupos indígenas incluem os aruaques, os arekuna, os capons, os uapixanas e os macuxis. Os dois maiores grupos, o indo-guianenses e os afro-guianenses, têm experimentando alguma tensão racial nos últimos anos.[12][13][14]

A maioria dos indo-guianenses são descendentes de servos contratados que vieram do Norte da Índia, falantes do bhojpuri, durante o período colonial.[15] Há uma minoria considerável oriunda do sul da Índia, em grande parte tâmeis e telugos.[16]

O padrão de distribuição no censo de 2002 foi semelhante aos dos censos de 1980 e 1991, mas a participação dos dois grupos principais diminuiu. Indo-guianenses representavam 51,9% da população total em 1980, mas em 1991 este número baixou para 48,6%, e, em seguida, para 43,5% no censo de 2002. Aqueles de ascendência africana aumentaram ligeiramente de 30,8% para 32,3% durante o primeiro período (1980 e 1991), antes de cair para 30,2% no censo de 2002. Com pequeno crescimento na população em geral, o declínio nas ações dos dois grupos maiores resultou no aumento relativo das ações dos grupos multirraciais e ameríndios. A população indígena subiu para 22 097 pessoas, em números absolutos, entre 1991 e 2002. Isto representa um aumento de 47,3% ou de crescimento anual de 3,5%. Da mesma forma, a população multirracial aumentou em 37 788 pessoas, o que representa um aumento de 43,0% ou taxa de crescimento anual de 3,2% em relação ao período base do censo de 1991. O número de portugueses (4,3% da população em 1891) tem vindo a diminuir constantemente ao longo das décadas.[17]

ReligiãoEditar

 Ver artigo principal: Religião na Guiana

Mais da metade da população da Guiana, cerca de 57%, é cristã (protestantes de diversas linhas e católicos). Os pentecostais representam 23% da população, enquanto os católicos são 7%, adventistas do sétimo dia são 5% e anglicanos são 5%. Outros grupos cristãos ocupam 22% da população (aí inclusos Metodistas, que são 1% da população). [18]

O hinduísmo é praticado por 28% da população. Isto se deve ao fato de que grande parte dos guianenses são descendentes de indianos. Os islâmicos sunitas respondem por 7% da população do país.[19]

LínguasEditar

 Ver artigo principal: Línguas da Guiana

O inglês é a única língua oficial da Guiana, usada, por exemplo, em suas escolas. Além disso, línguas caribenhas são utilizadas, dentre elas ​​o Akawaio, Wai-Wai, Arawak, Patamona e Macuxi, que são faladas por uma pequena minoria indígena, enquanto o nativo da Guiana ou crioulo guianense (um crioulo baseado no inglês com sintaxe dos países africanos e da Índia, cuja gramática não é padronizada) é amplamente falado. A língua portuguesa é amplamente difundida no país, juntamente com o espanhol.

Cidades mais populosasEditar

PolíticaEditar

 Ver artigo principal: Política da Guiana
 
Parlamento da Guiana em Georgetown

A Guiana é uma república democrática representativa indireta, dividida em 3 poderes, sendo que o presidente é eleito pelo parlamento. O poder legislativo é unicameral, composto por 65 representantes. O presidente pode dissolver a câmara e convocar novas eleições.

SubdivisõesEditar

 
Regiões administrativas da Guiana : observação Regiões 9 e 10 estão trocadas neste mapa.
# Região Capital Área (km²) População
(est. 2002)
Densidade
(hab./km²)
1 Barima–Waini Mabaruma 20 339 23 204 1
2 Cuyuni–Mazaruni Bartica 47 213 15 935 0,3
3 Demerara–Mahaica Paradise 2 233 309 059 138
4 Berbice Oriental–Corentyne New Amsterdam 36 255 122 849 3
5 Ilhas do Essequibo–Demerara Ocidental Vreed-en-Hoop 3 755 101 920 27
6 Mahaica–Berbice Fort Wellington 4 170 52 321 13
7 Pomeroon–Supenaam Anna Regina 6 195 48 411 8
8 Potaro–Siparuni Mahdia 20 052 9 211 0,5
9 Alto Takutu - Alto Essequibo Linden 17 081 39 766 2
10 Alto Demerara - Berbice Lethem 57 790 19 365 0,3

Disputas fronteiriçasEditar

 Ver artigo principal: Guiana Essequiba
 
Região de Guiana Essequiba (antiga colônia neerlandesa de Essequibo), reclamada pela Venezuela

A região do país localizada a oeste do rio Essequibo é reivindicada pela Venezuela, recebendo os nome, por parte da Venezuela, de Guiana Essequiba, Guiana Essequiba, Zona em Disputa ou simplesmente de "o Essequibo". A Venezuela declara, no artigo 10 da Constituição (1999), "O território e outros espaços geográficos da República são aqueles que pertenciam à Capitania Geral da Venezuela antes da transformação política iniciada em 19 de abril de 1810, com as modificações resultantes dos tratados e laudos arbitrais não indiciados de nulidade". A Capitania Geral da Venezuela incluiu, também, os territórios da antiga província de Guayana, que ocupou a região de Essequiba, agora em disputa.

 Ver artigo principal: Região de Tigri

A porção sudeste da região de Berbice Oriental–Corentyne é reivindicada pelo Suriname como parte do subúrbio de Coeroeni, pertencente ao distrito surinamês de Sipaliwini. A área é delimitada pelos rios Boven-Corantijn (que na Guiana é chamado de New River), o Coeroeni e o Koetari. Esta área triangular é referida na Guiana como New River Triangle ("Triângulo do Rio Novo"), enquanto que no Suriname é conhecida como região de Tigri.

EconomiaEditar

 Ver artigo principal: Economia da Guiana
 
Trator em uma plantação de arroz na zona costeira da Guiana.

Com um produto interno bruto per capita de apenas US $ 4.700 em 2006, a Guiana é um dos países mais pobres do hemisfério ocidental. O contraste entre as áreas precárias e as áreas residenciais de elite com mansões imperiosas, muitas vezes construídas dentro de algumas milhas uma das outras, é evidente. A economia proporcionou progressos significativos após o programa de 1989 de recuperação econômica do presidente Hoyte (ERP). Como resultado do ERP, o PIB da Guiana aumentou seis por cento em 1991, após 15 anos de declínio. Nos anos seguintes, esse número permaneceu acima dos seis por cento, quando, em 1995, declinou para 5,1 por cento. O governo informou, ainda, que a economia cresceu a uma taxa de 7,9 por cento em 1996, de 6,2 por cento em 1997, e caiu 1,3 por cento em 1998. A taxa de crescimento em 1998 foi de três por cento. A taxa de crescimento não oficial em 2005 foi de 0,5 por cento. Em 2006, foi de 3,2%.

Desenvolvido em conjunto com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), o ERP reduziu significativamente o papel do governo na economia, encorajou o investimento estrangeiro, permitiu ao governo sanar todas as suas dívidas em atraso através do pagamento de empréstimos a governos estrangeiros e a bancos multilaterais, e provocou a venda de 15 de 41 estatais de propriedade do governo. As companhias de telefone e de bens nas indústrias de madeira, arroz e pesca também foram privatizadas. Corporações internacionais foram contratados para gerir a enorme empresa de açúcar do Estado, a Guysuco, e a maior mina de bauxita de Estado. Uma empresa americana foi autorizado a abrir uma mina de bauxita, e duas empresas canadenses foram autorizados a desenvolver a maior mina de ouro a céu aberto na América do Sul. No entanto, os esforços para privatizar as duas empresas de mineração de bauxita estatais, Berbice Mining Company e Linden Mining Company têm sido inexitosos.

A maioria dos controles de preços foram removidos, as leis que afetam a exploração mineira e petrolífera foram melhoradas, e uma política de investimento receptivos ao investimento estrangeiro foi anunciado. As reformas fiscais destinadas a promover as exportações e produção agrícola no sector privado foram promulgadas.

Agricultura e mineração são as atividades econômicas mais importantes da Guiana, com o açúcar, bauxita, arroz, e ouro representando 70-75 por cento das receitas de exportação. No entanto, o setor do arroz experimentou um declínio em 2000, com receitas de exportação abaixo de 27 por cento durante o terceiro trimestre de 2000. As exportações de camarão do oceano, que foram fortemente impactados por uma proibição de importação de um mês para os Estados Unidos em 1999, representaram apenas 3,5 por cento do total das receitas de exportação naquele ano. exportações de camarão recuperou em 2000, representando 11 por cento das receitas de exportação até o terceiro trimestre de 2000. Outros exportações incluem madeira, diamantes, roupas, rum, e produtos farmacêuticos. O valor destas outras exportações está aumentando.

Desde 1986, a Guiana recebeu toda a sua oferta de trigo dos Estados Unidos em termos de concessão no âmbito de um PL 480 Alimentos para a Paz. Ela agora é fornecido em uma base concessão. A moeda da Guiana gerada pela venda do trigo é usado para fins acordados pelos governos dos EUA e da Guiana. Tal como acontece com muitos países em desenvolvimento, a Guiana é altamente endividada. A redução do peso da dívida tem sido uma das principais prioridades da atual administração. Em 1999, através dos "termos de Lyon" Clube de Paris e da iniciativa Países Pobres Altamente Endividados (HIPC) a Guiana conseguiu negociar $ 256 milhões em perdão da dívida.

Na qualificação para assistência HIPC, pela primeira vez, a Guiana tornou-se elegível para uma redução da sua dívida multilateral. Cerca de metade da dívida da Guiana está concentrada em dívidas com os bancos multilaterais de desenvolvimento e 20% com o seu vizinho Trindade e Tobago, que até 1986 era seu principal fornecedor de produtos petrolíferos. Quase toda a dívida com o governo dos EUA tem sido perdoada. No final de 1999, as reservas internacionais líquidas foram de $ 123.200.000, para menos de $ 254.000.000 em 1994. No entanto, as reservas internacionais líquidas haviam subido para $ 174.100.000 em janeiro de 2001.

O fardo da dívida extremamente elevado da Guiana aos credores estrangeiros fez com que a disponibilidade limitada de divisas e capacidade reduzida para importar matérias-primas necessárias, peças de reposição e equipamentos, reduzindo assim ainda mais a produção. O aumento dos custos globais de combustíveis também contribuiu para o declínio do país na produção e crescente déficit comercial. O declínio da produção tem aumentado o desemprego. Embora não existam estatísticas confiáveis, o desemprego e o subemprego combinados são estimados em cerca de 30%.

A emigração, principalmente para os EUA e Canadá, continua a ser substancial. emigração líquida em 1998 foi estimado em cerca de 1,4 por cento da população, e em 1999, esse número atingiu 1,2 por cento. Depois de anos de uma economia dominada pelo Estado, os mecanismos para o investimento privado, nacional ou estrangeira, estão ainda em evolução. A mudança de uma economia controlada pelo Estado para um sistema de livre mercado, começou sob Desmond Hoyte e continuou sob os governos PPP/C. A atual administração do PPP/C reconhece a necessidade de investimento estrangeiro para criar empregos, melhorar as capacidades técnicas, e gerar produtos para exportação.

O mercado de câmbio foi totalmente liberalizado em 1991, e a moeda está agora livremente transacionadas sem restrições. A taxa está sujeita a alterações em uma base diária, mas o dólar Guiana desvalorizou 17,6% 1998-2000 e pode depreciar ainda mais enquanto se aguarda a estabilidade do período pós-eleitoral.

A Guiana é um membro da OMC.

A economia da Guiana ainda é muito dependente do setor primário, que responde, sozinho, por mais de 30% do PIB do país. As principais atividades são a mineração, a exploração madeireira, a agricultura, a criação de gado e, em menor escala, a pesca. O item agrícola de maior importância é a cana-de-açúcar, seguida de arroz, mandioca e frutas. Na mineração, o destaque é a bauxita. A indústria ainda é bastante precária. De maneira geral, a Guiana encontra-se tecnologicamente atrasada em todos os setores de sua economia e depende de capital estrangeiro para se desenvolver.

Com a construção da ponte sobre o rio Tacutu, inaugurada em 14 de setembro de 2009, ligando o sul da Guiana (Lethem) ao norte do Brasil (Roraima) , a economia guianense pode se fortalecer, devido à grande quantidade de produtos do norte brasileiro que poderiam, utilizando-se do porto de Georgetown, ser exportados para além-mar.

InfraestruturaEditar

TransportesEditar

 
Ponte flutuante sobre o rio Demerara entre Georgetown e Schoon Ord. A Guiana é juntamente com o vizinho Suriname, um dos poucos países das Américas que adotam o sentido de circulação de veículos pela esquerda.

Há um total de 187 km de ferrovias totalmente dedicadas ao transporte de minérios. Há 7.969 km de autoestradas sendo 591 km pavimentados. Existem 1077 km de vias navegáveis incluindo os rios Berbice, Demerara e Essequibo. Há portos em Georgetown, Port Kaituma e Nova Amsterdam. Há um aeroporto internacional (Cheddi Jagan International Airport antes chamado de Timehri International Airport na cidade de Timehri) e um aeroporto regional (Ogle Airport distante quase 10 km de Georgetown no oceano Atlântico). Existem também aproximadamente 90 pistas de pouso, dos quais 9 pavimentadas. Guiana, Suriname e as Ilhas Malvinas são as três únicas regiões que se dirige pela esquerda na América do Sul.

EducaçãoEditar

 Ver artigo principal: Educação na Guiana

A educação na Guiana é mantida pelo governo federal, através do Ministério da Educação. O sistema de educação da Guiana é similar aos outros países anglófonos da comunidade do Caribe, que são afiliados ao Caribbean Examinations Council (CXC).

O sistema educacional foi baseado no antigo sistema educacional britânico. Os estudantes devem fazer o SSEE (exame para entrar na escola secundária) na sexta série. Eles fazem o (CXC) no final da escola secundária. Recentemente eles introduziram o exame CAPE, que todos os outros países caribenhos já possuem. O antigo sistema britânico Advanced Level praticamente desapareceu e agora é oferecido em apenas algumas poucas escolas (em janeiro de 2007). A razão para o foco insuficiente ou as várias disciplinas pode ser atribuído diretamente as escolhas comuns feitas pelos estudantes de se especializar em áreas similares (matemática/química/física ou geografia/história/economia). Com a remoção do sistema Advanced Level que encorajava essa especialização, espera-se que isso atraia mais os estudantes a variar seus estudos.

SaúdeEditar

 
Panorama da cidade de Port Kaituma, localizada na região de Barima–Waini, no norte do país

Os serviços de saúde são providos em cinco diferente níveis no setor público :

  • Nível I: Postos de saúde locais (166 no total) que fazem preventivo e curativos simples para doenças comuns e tentam promover boas práticas de saúde. Profissionais de saúde da comunidade trabalham neste nível.
  • Nível II: Centros de saúde (109 no total) que possuem preventivo e tratamento de reabilitação, e promovem atividades. Neste nível trabalham profissionais de saúde mais especializados, enfermeiras públicas, tratamento dentário e acompanhamento de parto.
  • Nível III: Dezenove Hospitais Distritais (com 473 camas) que possuem tratamento básico para pacientes e alguns serviços de diagnóstico selecionados. Eles também estão equipados para fazer serviços simples de radiologia e laboratório, ginecologia, e tratamento dentário de prevenção e cura. Eles foram estruturados para servir áreas geográficas com uma população de 10.000 ou mais.
  • Nível IV: Quatro Hospitais Regionais (com 620 camas) que possuem serviços de emergência, cirurgias de rotina, tratamento obstétrico e ginecológico, serviços dentários, serviços de diagnóstico e serviços especializados em medicina geral e pediatria. Eles foram estruturados para incluir o suporte necessário para esse nível de serviço médico em termos de salas de laboratórios, raio-x e farmácias. Esses hospitais estão localizados nas Regiões 2, 3, 6 e 10.
  • Nível V: Hospital Nacional (937 camas) em Georgetown que possui uma ampla gama de serviços de diagnóstico e especializados, para pacientes internados ou não. Há também um centro de reabilitação para crianças.

Esse sistema é estruturado de maneira que funcionamento correto depende intimamente num processo de indicação. Exceto para emergências graves, pacientes são primeiramente atendidos nos níveis inferiores, e aqueles com problemas que não podem ser tratados nesses níveis, são transferidos para níveis superiores no sistema. No entanto, na prática, muitos pacientes já são atendidos nos níveis superiores.

O setor da saúde não pode oferecer certos tratamentos de saúde mais avançados e serviços médicos especializados, cuja tecnologia para prestá-los é muito cara na Guiana, ou tratamentos que não dispõem de especialistas no país. Mesmo com melhoras significativas no setor de saúde, a necessidade de tratamentos fora do país pode existir. O Ministério da Saúde oferece ajuda financeira para pacientes necessitando destes tratamentos, sendo prioritária a ajuda dada a crianças cujas condições podem ser tratadas com uma melhoria significante na sua qualidade de vida.

Além dos serviços mencionados acima, existem 10 hospitais da iniciativa privada e públicas, centros de diagnósticos, clínicas e dispensários nestes setores. Estes dez hospitais juntos, dispõem de 548 leitos.

Dezoito clínicas d dispensários são de propriedade da GUYSUCO.

O Ministério da Saúde e Trabalho é responsável por custear o National Referral Hospital em Georgetown, foi recentemente estatizado e é administrado por uma equipe independente. A Região 6 é responsável pela administração do National Psychiatric Hospital. O Geriatric Hospital, anteriormente administrado pelo Ministério do Trabalho, tornou-se responsabilidade do Ministério de Recursos Humanos e Segurança Social em Dezembro de 1997.

Condições de SaúdeEditar

Uma das piores consequências do declínio econômico da Guiana nas décadas de 70 e 80 foi a deterioração das condições de saúde para grande parte da população. Serviços básicos de saúde no interior variam de primitivos para inexistentes e alguns tratamentos não existem no país. O Departamento Consular de Estado dos Estados Unidos adverte "O tratamento Médico está disponível para enfermidades de natureza leve. O tratamento emergencial e a internação hospitalar para enfermidades mais graves ou cirurgias é limitado, por falta de especialistas qualificados, o tratamento hospitalar e o saneamento básico são deficitários. Serviços de ambulância são precários e podem não estar disponíveis a todo tempo para emergências." Muitos Guianenses buscam tratamento médico nos Estados Unidos, Trindade e Tobago ou Cuba.

Comparada com países vizinhos, a Guiana está em colocação ruim se tratando de indicadores de saúde básica. Em 1998, a expectativa de vida ao nascer era de 66,0 anos na Guiana, 71,6 no Suriname, 72,9 na Venezuela; 73,8 em Trindade e Tobago, 74,7 na Jamaica, e 76,5 em Barbados. Na Guiana, a taxa de mortalidade infantil em 1998 era de 24,2, em Barbados era de 14,9; em Trindade e Tobago era de 16,2; na Venezuela era de 22; na Jamaica era de 24,5; e no Suriname era de 25,1.

A taxa de mortalidade maternal na Guiana, também é relativamente alta, sendo estimada em 124,6/1000 no ano de 1998. Taxas comparáveis em outos países caribenhos são de 50/1000 em Barbados, 75/1000 em Trinidad e Tobago e 100/1000 na Jamaica.

Tem de ser enfatizado, que apesar, da situação da saúde da Guiana ser precária em comparação com muitos de seus vizinhos caribenhos, há um progresso notável desde 1988, e o Ministério de Saúde está constantemente aperfeiçoando condições, tratamentos, e serviços. Cirurgias de coração aberto estão disponíveis no país, e em 2009 um centro de oftalmologia foi aberto ao público.[carece de fontes?]

As maiores causas de morte para todas as faixas etárias são doenças cerebrovasculares (11.6%); doença arterial coronariana (9.9%); imunodeficiências (7.1%); doenças do sistema respiratório (6.8%); doenças da circulação pulmonar e outras formas de doenças cardíacas (6.6%); endocrinopatias e doenças metabólicas (5.5%); doenças de outras partes do sistema digestivo (5.2%); violência (5.1%); condições adversas no período do pré-natal:(4.3%); e doenças relacionadas a hipertensão (3.9%).

A situação no que se refere ao padrão de morbidade é diferente. As dez maiores causas de morte em todas as faixas etárias são, em ordem decrescente: malária; infecções respiratórias agudas; sintomas, sinais e condições mal diagnosticadas desconhecidas; hipertensão; acidentes e lesões; diarréia aguda; diabetes mellitus; infestação de vermes; artrite reumatóide; e doenças mentais e do sistema nervoso.

Este perfil de morbidade indica que a situação pode ser melhorada substancialmente através da melhora na saúde preventiva, melhoria na educação relacionada a problemas de saúde, acesso mais difundido a serviços de água potável e saneamento básico, e melhora no acesso a serviços de saúde básica de boa qualidade.

A Guiana tem sofrido um aumento nos índices de crimes violentos e homicídios em 2008 enquanto os números de assassinatos registrados diminuíram em 2007 em relação aos anos anteriores, com uma taxa de assassinatos de 15,1 pessoas para cada 100.000, em contraste com 2008 (até o fim de julho) esse número cresceu para 26 em cada 100.000[20] similar às taxas de 2003.

A Guiana também é o país com a maior taxa de suicídios da América do Sul. O Ministro da Saúde da Guiana, Leslie Ramsammy, estima que ao menos 200 pessoas cometem suicídio na Guiana a cada ano, ou 27,2 pessoas para cada 100.000 pessoas por ano.[21]

CulturaEditar

 Ver artigo principal: Cultura da Guiana
 
O festival Mashramani, realizado anualmente durante o dia da proclamação da República da Guiana (23 de fevereiro).

Muitos indo-guianenses seguem o hinduísmo ou o islamismo. Por isto, é comum encontrar templos hindus e mesquitas muçulmanas. Os guianenses que seguem estas religiões cultivam os hábitos dos demais hindus e muçulmanos do mundo. Alguns afro-guianenses, devido a influência jamaicana no mundo no que se trata do estilo rastafári, usam cabelos dreadlocks e gostam de ouvir música reggae. First Born é uma banda expoente no país. Eddy Grant, cantor de reggae conhecido mundialmente pelas canções, I don't wanna dance e Gimme hope, Joanna, gimme hope, além de muitas outras, nasceu na Guiana. Trindade e Tobago exerce influência no país através do Calipso. O carnaval guianense é repleto de concursos de cantores de calipso e soca. Os afro-guianenses, em sua maioria, são praticantes do cristianismo, sendo membros da Igreja Católica ou de denominações protestantes.

A Guiana é o único país da América do Sul que pune qualquer tipo de relação homossexual com prisão.

EsportesEditar

 
O Providence Stadium é o maior estádio da Guiana, tendo sido construído para a Copa do Mundo de Críquete de 2007.

Diferentemente do resto da América do Sul que possui preferência absoluta pelo futebol, a maioria dos guianenses prefere o críquete, esporte muito popular no Caribe, o país sediou jogos da Copa do Mundo de Críquete de 2007. A Guiana e os demais países caribenhos de língua inglesa formam uma das mais importantes seleções de críquete, o West Indies. Também é um país onde cresce a prática do xadrez entre as crianças.

Ver tambémEditar

Referências

  1. http://pdba.georgetown.edu/Constitutions/Guyana/guyana96.html
  2. «Human Development - Indices and Indicators - 2018 Statistical Update» (PDF) (em inglês). Human Development Report (Human Development Report Office) - United Nations Development Programme. Consultado em 29 de setembro de 2018 
  3. «Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 13 de dezembro de 2015 
  4. a b «República Cooperativa da Guyana». www.itamaraty.gov.br. Consultado em 23 de junho de 2016 
  5. «Professores ministram palestras na Guyana». ufrr.br. Consultado em 23 de junho de 2016. Arquivado do original em 2 de agosto de 2014 
  6. a b «Acordo sobre Serviços Aéreos entre Brasil e Guyana». Arquivado do original em 22 de agosto de 2016 
  7. «Universidade Federal de Roraima» 
  8. «Constituição da Guyana» 
  9. «Serviço das Publicações — Código de Redação Interinstitucional — Anexo A5 — Lista dos Estados, territórios e moedas». publications.europa.eu. Consultado em 4 de julho de 2015 
  10. Dicionário Aurélio
  11. «Guyana General Information» (em inglês). Geographia.com. Consultado em 8 de outubro de 2016 
  12. "Guyana turns attention to racism". BBC News. 20 September 2005.
  13. "Conflict between Guyanese-Indians and Blacks in Trinidad and Guyana Socially, Economically and Politically". Gabrielle Hookumchand, Professor Moses Seenarine. 18 May 2000.
  14. International Business Times: "Guyana: A Study in Polarized Racial Politics" 12 December 2011
  15. Helen Myers (1999). Music of Hindu Trinidad. [S.l.: s.n.] ISBN 9780226554532 
  16. Indian Diaspora (PDF). [S.l.: s.n.] Consultado em 8 de Outubro de 2016. Arquivado do original (PDF) em 30 de Abril de 2011 
  17. "Portuguese emigration from Madeira to British Guiana"
  18. «Data» (PDF). state.gov 
  19. International Religious Freedom Report 2007: Guyana. United States Bureau of Democracy, Human Rights, and Labor. O texto do artigo é incorporado ao domínio publico. (em inglês)
  20. Guyana’s murder rate is up this year
  21. BBCCaribbean.com | BBC Caribbean News in Brief at www.bbc.co.uk

Ligações externasEditar