Confederação Brasílica

confederação de vilas e cidades existente no século XIX em Angola

A Confederação Brasílica foi uma confederação de vilas e cidades, de curtíssima duração, que existiu entre 1822 e 1823, durante o período Colonial Angolano. Seus integrantes eram basicamente as localidades de Benguela (centro separatista e capital de facto), Quicombo, Sumbe, Porto Amboim e Luanda.[1][2] A confederação era uma proposta do oficialato luso-angolano, que fundou uma filial do "Partido Brasileiro", que aglutinava lusitanos, angolanos e brasileiros.[3]

Confederação Brasílica
Flag of Portuguese Angola (1965 proposal).svg
1822 — 1823 
Flag of Portuguese Angola (1965 proposal).svg
Região África Central
Capital Benguela
Países atuais Angola

Línguas oficiais Português
Religião Catolicismo

Período histórico
• 1822  Fundação
• 1823  Dissolução

Embora dominasse exclusivamente cidades litorâneas do centro e norte angolano, a Confederação pretendia juntar a si todo o território angolano à época, do Cabo de Santa Maria a Cabinda (litoral), passando por Massangano, Malanje e Caconda (até então os marcos máximos do interior). Havia ainda a proposta de incluir São Tomé e Príncipe, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Todos esses territórios, após unificados, deveriam ser juntados em uma grande confederação com o recém-independente Império do Brasil. Na verdade houve enorme expectativa entre os nacionalistas destes territórios de que a proposta fosse adiante.[4]

A Confederação Brasílica, porém, nunca foi reconhecida por nenhum Estado independente, nem mesmo o Império do Brasil, ao qual depositavam esperanças, assim não conseguindo apoio diplomático numa investida militar contra o Reino de Portugal. Mesmo assim, alguns setores da sociedade brasileira chegaram a reclamar a necessidade de uma união brasileira com Angola e as outras colónias lusitanas.[5][6]

Por fim, em 1823, tropas navais portuguesas estacionadas em São Tomé foram destacadas para combater a Confederação, que foi vencida sem dificuldades.[2]

Referências

  1. Freudenthal, Aida (2013). «Republicanismo em Angola: os "filhos do país" perante a Era Nova (1870-1912).» (PDF). São Paulo. Via Atlântica (23) 
  2. a b Pereira, Eduardo Adilson Camilo (2014). «Cabo Verde: entre uma civilização agrícola e uma civilização industrial e comercial (1822-1841)». Lisboa: Universidade Nova de Lisboa. Sankofa. Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana (14) 
  3. Cosme, Leonel (2015). «A literatura e as guerras em Angola. No Princípio Era o Verbo». Lisboa: Universidade Nova de Lisboa. Cultura - Revista de História e Teoria das Ideias. 34 
  4. Montezinho, J. (15 de setembro de 2018). «Cabo Verde precisa de libertar-se dos libertadores». Expresso das Ilhas 
  5. O Observador Constitucional (30 de janeiro de 1823). «Correspondência». Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. Diário Oficial do Império do Brazil 
  6. «Workshop: Fontes para estudo da África Ocidental (A constituição de uma "Confederação Brasílica")». Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais — Diretoria de Relações Internacionais. 24 de abril de 2018