Correio-mor do Reino

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O Correio-Mor do Reino era um ofício postal criado pelo Rei D. Manuel I de Portugal a 6 de Novembro de 1520, através duma Carta Régia, a qual entregou a gestão desse serviço a Luís Homem[1].

HistóriaEditar

A criação desse tipo de serviço postal se deu pela necessidade da nobreza e da burguesia portuguesas de manterem intensos contactos com outros estados e mercadores devido à emergência de Portugal como primeira potência marítima do orbe terrestre.

O ofício de correio-mor era público, o que dava a qualquer súdito a prerrogativa de utilizá-lo mediante um pagamento estipulado.[2]

O cargo esteve sujeito à nomeação do rei até 1606, quando D. Filipe II de Portugal, o vendeu a Luís Gomes da Mata Coronel, primeiro correio-mor das Cartas do Mar, pela quantia de 70.000 cruzados, dando início à primeira dinastia postal do mundo.

A família da Mata manteve esse monopólio por quase dois séculos, procurando modernizar os serviços.

Somente os mais abastados tinham acesso a este serviço, que era caro e ineficiente.

O correio-mor prestava o serviço por encomenda, não constituindo uma atividade regular, devido principalmente à má conservação das estradas e das condições climáticas, uma vez que as cartas e as encomendas eram entregues a pé ou a cavalo.

Os destinatários de além-mar, principalmente do Brasil, a mais rica colônia, tinham de se conformar com a morosidade das rotas marítimas e sua fragilidade.

A nova conjuntura social portuguesa surgida no final do século XVIII, levou a incorporação do serviço postal pela Coroa, estatizando-o em 1797 por Decreto de D. João, Príncipe Regente da Rainha D. Maria I de Portugal, com o intuito de tornar tal ofício mais eficiente e público. Desta forma, terminou a atividade postal lucrativa do correio-mor.

Relação de Correios-Mores do Reino de PortugalEditar

O serviço postal luso-brasileiro teve duas dinastias, a primeira era de nomeação régia (6 de Novembro de 1520 a 1606) e a segunda foi hereditária, da família da Mata (1606 a 1797)[1].

 
António Gomes da Mata Coronel, 6.º Correio-Mor do Reino e 1.º Correio-Mor das Cartas do Mar, segundo uma pintura do século XVII.
 
Luís Gomes da Mata, 7.º Correio-Mor do Reino e 3.º Correio-Mor das Cartas do Mar.
 
Duarte de Sousa da Mata Coutinho, 8.º Correio-Mor do Reino e 4.º Correio-Mor das Cartas do Mar.

Correios-Mores do Reino de Nomeação RégiaEditar

Correios-Mores do Reino Hereditários e Correios-Mores das Cartas do Mar HereditáriosEditar

 
Armas dos Correios-Mores do Reino e Correios-Mores das Cartas do Mar desde o 8.º e 4.º.

Superintendentes-Gerais dos Correios e Postas do ReinoEditar

A partir de 1 de Agosto de 1799 o Correio passou a ser oficialmente administrado pelo Estado, sendo o Dr. José Diogo Mascarenhas Neto (Silves, Alcantarilha, 18 de Fevereiro de 1752 - 1826), Superintendente-Geral das Estradas entre 1791 e 1805, o 1.º Superintendente-Geral dos Correios e Postas do Reino durante o período de 1 de Agosto de 1799 a 1805, dando término ao ofício dos correios-mores. Mais tarde, deram lugar aos CTT.

Referências

  1. a b «Museu Filatélico - Selos, Filatelia». www.palombo.com.br. Consultado em 9 de agosto de 2019 
  2. «Marcos Históricos». Banco CTT. Consultado em 9 de agosto de 2019 

Ligações externasEditar