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Covas do Barroso

freguesia de Boticas, Portugal
Portugal Portugal Covas do Barroso 
  Freguesia  
Localização
Covas do Barroso está localizado em: Portugal Continental
Covas do Barroso
Localização de Covas do Barroso em Portugal
Coordenadas 41° 38' 08" N 7° 47' O
País Portugal Portugal
Região Norte
Distrito Vila Real
Concelho BTC.png Boticas
Administração
Tipo Junta de freguesia
Presidente Lúcia Martins Dias Mó (PPD/PSD)
Características geográficas
Área total 29,58 km²
População total (2011) 262 hab.
Densidade 8,9 hab./km²
Código postal 5460
Outras informações
Orago Santa Maria
http://cbarroso.jfreguesia.com

Covas do Barroso é uma freguesia portuguesa do concelho de Boticas, distrito de Vila Real, Região Norte, sub-região Alto Trás-os-Montes, com 29,58 km² de área e 262 habitantes (2011). Tem uma densidade populacional de 8,9 hab/km². É constituída por três povoações: Covas, Romaínho e Muro.

GeografiaEditar

A freguesia de Covas do Barroso localiza-se na região de Barroso, em Trás-os-Montes, num vale entre a Serra da Sombra (a Norte) e a Serra do Pinheiro (a Sul), nas coordenadas 41° 38′ 8″ N, 7° 47′ 0″ W, no noroeste da Península Ibérica.

Situa-se na parte Sul do concelho de Boticas, distando da sede do município cerca de 20 km. Confronta com várias freguesias: a Norte São Salvador de Viveiro, a Este Canedo do concelho de Ribeira de Pena, a Sul Gondiães do concelho de Cabeceiras de Basto e a Oeste Dornelas.

Toda esta região se caracteriza por ser de clima temperado de tipo Atlântico, com elevada precipitação no Inverno e relativa humidade no Verão.

Em termos de caracterização física, Covas do Barroso faz parte da Zona Alta ou Barroso, mais especificamente da sua sub-zona da Região Intermédia que caracteriza além de Covas do Barroso, a zona de Covelo do Gerês e vale do Tervo.

A altitude situa-se entre 400/500 m e 600/700 m. Possui dois cursos de água, o rio Covas e o seu afluente o rio Couto. O rio Covas pertence à bacia hidrográfica do Tâmega, sendo um dos principais afluentes deste rio.

Em termos de climatologia, na Região Intermédia, o período de geadas vai de fins de Outubro a meados de Abril, mas em situação de acumulação de ar frio. As geadas tardias podem ocorrer em princípios de Maio.

Geologicamente, verificam-se afloramentos de xistos metamasfizados do silúrico.[1]

O acesso viário poderá ser feito pela ER 311, virando na indicação Campos / Covas do Barroso e percorrendo a EM 519-C até à aldeia de Covas do Barroso, ou, em alternativa, percorrendo a ER 311 e virando na indicação Covas do Barroso segue-se pela EM 519-1C. Outros acessos, ainda que precários, poderão ser feitos da direcção de Canedo e mesmo de Dornelas.

Covas do Barroso situa-se na NUT III Alto Trás-os-Montes e na Região de Turismo do Alto Tâmega e Barroso.

Covas de Barroso possui uma Central Hidroeléctrica. Esta localiza-se na confluência dos Rios Covas e Couto e possui dois grupos turbina-gerador. Tem uma produção energética média anual de 18,4 GWh, podendo variar entre os 14 e os 19 dependendo da pluviosidade de cada ano.[2]

DemografiaEditar

Desde 1970, de acordo com os Censos, tem-se verificado uma diminuição sucessiva na população da freguesia de Covas do Barroso. Desde esse ano e até 2001, Covas do Barroso perdeu cerca de 50% dos seus habitantes. Entre 1991 e 2001, verificou-se uma perda de cerca de 21% da sua população. (Em 1970, Covas do Barroso tinha 697 hab.; em 1981, 617 hab.; em 1991, 440 hab. e em 2001, 348 hab.)

PopulaçãoEditar

Número de habitantes [3]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1.337 1.468 1.471 1.495 1.428 1.374 1.416 1.519 1.645 1.672 705 613 477 348 262

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Com lugares desta freguesia foi criada em 1967 a freguesia de São Salvador de Viveiro

Distribuição da População por Grupos Etários em 2001 e 2011
Idade 0-14 15-24 25-64 > 65 0-14 15-24 25-64 > 65
2001 31 36 143 138 8,9% 10,3% 41,1% 39,7%
2011 20 15 118 109 7,6% 5,7% 45,0% 41,6%

HistóriaEditar

Vestígios arqueológicos atestam a fixação de população na zona de Covas de Barroso pelo menos desde a Idade do Ferro. Há nos seus limites e proximidades um conjunto significativo de castros que comprovam a sua importância e antiguidade (Castro de Lesenho, Castro do Poio[4] e o Alto do Castro[5]).

Além dos lugares de Romaínho e Muro, na Idade Média existiam ainda duas outras povoações: S. Martinho[6] e Cabanelas. Considera-se, popularmente, que se extinguiram por motivos da peste. Tenha-se em consideração, no entanto, que nesta altura faziam parte dos limites territoriais de Santa Maria de Covas do Barroso outros lugares com núcleos populacionais relevantes (Agrelos, Bostofrio, Campos e Viveiro) e outros mais dispersos.

Um dos primeiros registos da freguesia de Santa Maria de Covas do Barroso está patente nas Inquirições Gerais de D. Afonso III, realizadas no século XIII, mais precisamente em 1258. Aí pode-se verificar os limites territoriais, os núcleos populacionais, as propriedades agrícolas e as suas principais produções. Um dos objectivos principais dessas inquirições era avaliar o estado do património régio e das rendas e direitos devidos ao rei, bem como sobre o crescimento da propriedade privilegiada.[carece de fontes?]

A Freguesia de Santa Maria de Covas do Barroso foi também abadia de apresentação da Casa de Bragança que era sua donatária. Na Igreja de Santa Maria de Covas do Barroso foi sepultado, em 1459, Afonso Anes Barroso, escudeiro de D. Afonso I, Duque de Bragança.

Em 12/11/1548, foi feito o Tombo das Coisas e Propriedades da Igreja de Santa Maria de Covas[carece de fontes?] que permite verificar os limites da freguesia, as pratas que a igreja possuía e alguns registos do quotidiano.

Em 1758, por ocasião de um grande inquérito ordenado pelo Marquês do Pombal e respondido por todos os párocos do país, pode-se conhecer nas "Memórias Paroquiais de 1758"[carece de fontes?] a descrição da terra, serras e rios da freguesia de Santa Maria de Covas do Barroso.

Até 1836, Covas do Barroso pertenceu ao concelho de Montalegre. Nesse ano verificou-se uma reforma administrativa que criou o concelho de Boticas. Sob o aspecto judicial, no entanto, pertencia em 1839 à comarca de Chaves; em 1852, à de Montalegre; e, em 1878, figurava no julgado de Eiró.

Em 1839, foi criada a sua primeira escola Primária.

Em 28 de Janeiro de 1967, foi desanexada uma parcela do território de Covas do Barroso e criada a freguesia de São Salvador de Viveiro (Decreto Lei n.°47516). Até aí era a maior freguesia do concelho de Boticas. Até então, faziam parte da freguesia de Covas do Barroso os lugares de Agrelos, Bostofrio, Campos e Viveiro.

PatrimónioEditar

EdificadoEditar

ArqueológicoEditar

TurismoEditar

Covas do Barroso reúne condições excelentes para diversas actividades turísticas, distinguindo-se no âmbito do Turismo de Natureza. A importância dos seus valores naturais, paisagísticos, históricos e culturais combinam-se para a realização de diferentes actividades relacionadas com o Ecoturismo.

Em termos de turismo religioso, a Igreja de Santa Maria de Covas do Barroso é uma das igrejas de estilo românico mais importantes da região de Barroso e do Norte de Portugal sendo referida em diversos guias turísticos[7] e sites de referência.[8]

Em termos patrimoniais também o seu forno comunitário se destaca. A sua localização no centro da aldeia e as suas características arquitectónicas (edifício de planta rectangular e telhado em lajes de granito) são um ponto de referência, no concelho de Boticas. De referir que, de acordo com leis consuetudinárias desta aldeia, qualquer pessoa pode abrigar-se no Forno, por um período que não pode exceder as 24 horas. Pode-se ver cozer e fazer a prova do pão em diversas actividades culturais e turísticas.

Possui inúmeros caminhos de beleza incomparável e um percurso pedestre[9] de cerca de 22 km associado a actividades turísticas relacionadas com a natureza e a molinologia. Esta localidade tem registados 21 moinhos de água. Numa linha de 10 km, entre Cerdedo e Covas do Barroso, registam-se 24 moinhos. Quinze dos moinhos estão distribuídos a menos de 1,5 km da povoação. Quase todos esses moinhos ainda se encontram bem preservados e cerca de 9 ainda em uso.[10]

Outros bonitos percursos poderão ser feitos a pé, de bicicleta ou a cavalo. A descoberta e observação da fauna e flora, a contemplação da paisagem e da vida rural, em todas as estações do ano, poderão ser realizados pelos rios, pelas levadas, nos lameiros, nos campos agrícolas, na floresta e na montanha.

A Observação de Aves (principalmente as de Rapina) é uma possibilidade e uma outra área de importância é o turismo geológico. Nesta localidade podem-se verificar importantes de jazigos pegmatíticos associados a granitos.[11]

As suas condições topográficas aliadas à beleza natural de Covas do Barroso, faz com que esta freguesia também se destaque por ser um ponto de passagem em diversas provas amadoras e oficiais Fora de Estrada(Off Road)/Todo-Terreno (Bicicletas de Montanha,[12] Jipes, Motos,[13] etc.)

Estudos AcadémicosEditar

Covas do Barroso é referida em diversos estudos académicos em diferentes temáticas:

  • Sociologia: Um sociólogo holandês Adri L.J. van den Dries incluiu o estudo de caso de Romaínho para falar do uso e gestão da água em Trás-os-Montes.[14]
  • Etnografia: Há várias referências a trabalho etnográfico em Covas do Barroso. Uma delas é relativa ao casamento enquanto ritual de passagem e das suas características particulares nesta freguesia e foi descrita por Pinho Leal,[15] em 1874. Há também uma referência a uma balada a Santa Irene recolhida por Leite de Vasconcelos e editada no livro Romanceiro Português.[16]
  • Linguística: No campo da linguística as gentes de Covas do Barroso foram inquiridas para a elaboração do Atlas Linguístico-Etnográfico de Portugal e da Galiza (ALEPG). Este projecto foi iniciado, em 1970, por uma equipa dirigida por Luís Filipe Lindley Cintra.[17]
  • Biologia: Uma equipa de autores portugueses de diversas disciplinas científicas fizeram uma avaliação dos efeitos ecológicos de pequenos aproveitamentos hidroeléctricos (incluindo o de Covas do Barroso) sobre a ictiofauna.[18]
  • Hidrologia: Foi feito um estudo de caso do aproveitamento hidroeléctrico em Covas do Barroso.[19]
  • Engenharia Eléctrica: Foi feito um estudo comparativo acerca da avaliação dos transientes eléctricos.[20]
  • Geologia: São encontradas diversas referências nacionais e internacionais acerca de diversos pegmatites de lítio[21], Feldspato,[22] etc.

Festividades religiosasEditar

ColectividadesEditar

  • Centro Cultural e Recreativo de Covas do Barroso

Referências

  1. Alto Tâmega - Território e População http://www.empresasglobais.net/adrat/elementos\Territorio.pdf
  2. Monografia Boticas pág.32 http://www.cm-boticas.pt/monografia/31-37.pdf
  3. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  4. Castro do Poio http://www2.ipa.min-cultura.pt/pls/dipa/build_ficha?pagetitle=Pesquisa%20de%20Trabalhos%20Arqueol%F3gicos&xcode=2269277&type=T[ligação inativa]
  5. Alto do Castro http://www2.ipa.min-cultura.pt/pls/dipa/build_ficha?xcode=2269279&type=T&pagetitle=Trabalhos[ligação inativa]
  6. S. Martinho http://www2.ipa.min-cultura.pt/pls/dipa/build_ficha?xcode=2269282&type=T&pagetitle=Trabalhos[ligação inativa]
  7. Life Cooler - Covas do Barroso http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvRegArtigo.asp?reg=382418
  8. Turismo Religioso - Covas do Barroso http://www.turismoreligioso.org/monumentos_det.asp?recursoID=bIg40sWdrVFEJkEVEi3YPd0Skgmj41kswJWlo7wpLEiYyTirsO Arquivado em 21 de novembro de 2007, no Wayback Machine.
  9. Percurso Pedestre Covas do Barroso http://www.cm-boticas.pt/conteudos/27/P1.jpg
  10. Levantamento dos Moinhos de Boticas http://www.cm-boticas.pt/moinhos/4.pdf
  11. Excursão do VII Congresso Nacional de Geologia http://www.cge.uevora.pt/viicng/excursoes.php
  12. Rota do Beça e Tâmega http://www.forumbtt.net/index.php?action=printpage;topic=52913.0
  13. Portugal Lés-a-Lés http://www.fmportugal.pt/artigo.asp?cod_artigo=177040 Arquivado em 2 de novembro de 2011, no Wayback Machine.
  14. Art of Irrigation http://library.wur.nl/wda/dissertations/dis3285.pdf[ligação inativa]
  15. Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas pág.156 http://www.cm-boticas.pt/monografia/monografia.html
  16. Ficha do Livro http://depts.washington.edu/hisprom/biblio/biblioaction.php?bkey=Leite%20de%20Vasconcellos%201958-1960
  17. Centro de Linguística da Univ. de Lisboa http://www.clul.ul.pt/sectores/variacao/projecto_alepg.php
  18. Avaliação Hidroeléctrica http://www.afn.min-agricultura.pt/portal/pesca/resource/Ficheiros/passagem-p-peixes/Avalia-Glob-Efeit-Ecolog-Peq-Aprov-s-Ictiofauna.pdf[ligação inativa]
  19. Estudo de Caso Hidroeléctrica http://www.mt.luth.se/hydropower/BEST99/BESTslask/hydrop12/introduction.htm[ligação inativa]
  20. Transientes eléctricos http://www.ipst.org/TechPapers/2001/IPST01Paper038.pdf Arquivado em 15 de fevereiro de 2010, no Wayback Machine.
  21. Handbook of Lithium and natural calcium chloride http://books.google.pt/books?id=Ua2SVcUBHZgC&pg=PA94&lpg=PA9 4&dq=covas+do+barroso+geologia&source=bl&ots=s7y_qt8QTU&sig = -ExUKw6KbTOBqzOPKnPbuGcrBms&hl=pt-PT&ei=dKtDSu2wC8u5jAfdqYWm Dw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6
  22. Exploração Mineira de Feldspato http://www2.apambiente.pt/IPAMB_DPP/docs/RNT1258.pdf[ligação inativa]

Ligações externasEditar