Domência

Domência ou Domentzia foi um nome compartilhado pela mãe do imperador bizantino Focas (r. 602–610), e sua filha, provavelmente em homenagem a sua avó paterna. A mãe é apenas nomeada por João de Antioquia, que muda o nome em grego para "Dismenziane" (em grego: Δυσμενζιανή). Todas as outras ocorrências do nome referem-se a filha. A forma mais familiar "Domentzia" (Δομεντζία) é dado por Teófanes, o Confessor. Anastácio Bibliotecário, que traduziu o trabalho de Teófanes para o latim, muda o nome para "Domnentzia". O historiador João Zonaras dá o nome "Domnência" (Δομνεντία), enquanto Nicéforo Calisto Xantópulo dá o nome "Dismenziane", indicando que ambas as mulheres usaram o mesmo nome.[1]

Mãe de FocasEditar

Focas e sua família eram provavelmente de origem traco-romana.[2] O marido da Domência mais velha é desconhecido. Ela tinha três filhos conhecidos: Focas, Comencíolo[3] e Domencíolo. O último parece ter sido mestre dos ofícios por 610.[4] A um neto, também chamado Domencíolo, foi concedido o título de curopalata na ascensão de Focas para o trono em 602.[5]

Filha de FocasEditar

A jovem Domência foi a filha de Focas e Leôncia. Em 607, casou-se com o general Prisco, que serviu como conde dos excubitores.[1] Como foi a única filha conhecida do imperador, o casamento efetivamente fez Prisco o herdeiro aparente para o trono. Ser marido caiu em desgraça, contudo, quando os cidadãos de Constantinopla começaram a erigir estátuas para a honra deles.[6]

O casamento dela aconteceu no palácio de Marina, nomeado em homenagem a sua proprietária original, a filha de Arcádio (r. 395–408) e Élia Eudóxia (r. 395–404). Uma corrida de bigas foi arranjada para ser realizada no Hipódromo de Constantinopla, em honra aos recém-casados. Os líderes dos Azuis (Vénetoi) e Verdes (Prásinoi) decidiram honrar a ocasião erigindo estátuas para a família real. Assim, eles colocaram imagens de Focas, Leôncia, Domência e Prisco no Hipódromo. As imagens do casal imperial reinante pertencia ao recinto por tradição, mas os últimos dois implicavam que Prisco era o herdeiro ou coimperador de Focas. Focas ficou furioso com a insinuação e ordenou que as representações de sua filha e seu genro fossem destruídas.[7]

Focas tratou o assunto como um tentativa de golpe de Estado, exigindo uma investigação mais aprofundada, prendendo os responsáveis com acusações de traição. Enquanto suas vidas podiam ter sido poupadas devido à demanda popular, Focas provavelmente viu o próprio Prisco como culpado, e parece ter começado a ver seu genro como um rival potencial.[7] Por alienar Prisco, no entanto, Focas minou sua própria influência no trono. Por 608, João de Antioquia registra Prisco iniciando contatos com Heráclio, o Velho, o exarca da África, instigando-o a uma revolta que eventualmente removeu Focas do poder.[8]

Referências

  1. a b Martindale 1992, p. 409.
  2. Bury 2009, p. 197.
  3. Martindale 1992, p. 326.
  4. Bury 2009, p. 201.
  5. Bury 2009, p. 199.
  6. Martindale 1992, p. 1056.
  7. a b Bury 2009, p. 202.
  8. Bury 2009, p. 202-203.

BibliografiaEditar

  • Bury, John Bagnell (2009). History of the Later Roman Empire from Arcadius to Irene II. [S.l.]: Cosimo, Inc. ISBN 1-60520-405-6 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8