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Encyclopédie, ou dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers
Primeira página da Encyclopédie
Autor(es) Jean le Rond d'Alembert e Denis Diderot
Idioma francês
País  França
Gênero enciclopédia
Lançamento 1751-1772
Páginas 17 volumes de texto, 11 volumes de desenhos e 71 818 artigos

Encyclopédie, ou dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (traduzido da língua francesa, Enciclopédia, ou dicionário racional das ciências, artes e profissões) foi uma das primeiras enciclopédias que alguma vez existiram, tendo sido publicada na França no século XVIII. Os últimos volumes foram publicados em 1772.

Esta grande obra, compreendendo 35 volumes, 71 818 artigos, e 2 885 ilustrações, foi editada por Jean le Rond d'Alembert e Denis Diderot. D'Alembert deixou o projeto antes do seu término, sendo os últimos volumes obra de Diderot. Muitas das mais notáveis figuras do iluminismo francês contribuíram para a obra, incluindo Voltaire, Rousseau, e Montesquieu.

De acordo com Denis Diderot no artigo "Enciclopédie", o objectivo da obra era "mudar a maneira como as pessoas pensam".[1] Ele e os outros contribuidores defendiam a secularização da aprendizagem, à distância dos jesuítas.[2] Diderot queria incorporar todo o conhecimento do mundo para a obra, e esperava que o texto poderia disseminar todas as informações para as gerações atuais e futuras.[3]

Índice

OrigensEditar

A Encyclopédie foi originalmente concebida como uma tradução para a língua francesa da Cyclopaedia, or Universal Dictionary of Arts and Sciences (1728), de Ephraim Chambers.[4] Ephraim Chambers havia publicado o seu livro em dois volumes em Londres, em 1728, após vários dicionários de artes e ciências que surgiram na Europa desde o final do século XVII.[5][6]

Os escritores da enciclopédia viram-na como a destruição das superstições e o acesso ao conhecimento humano. Foi um sumário quintessencial do pensamento e das ideias do iluminismo. Na França do Ancien Régime, no entanto, causaria uma tempestade de controvérsia. Isto foi devido em parte pela sua tolerância religiosa. A enciclopédia elogiava pensadores protestantes e desafiava os dogmas da Igreja Católica Romana. A obra foi banida na totalidade, mas, como tinha apoiantes em altos cargos, o trabalho continuou, e cada volume posterior foi entregue clandestinamente aos subscritores.

Foi, também, um vasto compêndio das tecnologias do período, descrevendo os instrumentos manuais tradicionais bem como os novos dispositivos da Revolução Industrial no Reino Unido.

 
"Sistema figurativo do conhecimento humano", a estructura pela qual a Encyclopédie estava organizada. Tinha três grandes ramos: memória, razão e imaginação.

A Encyclopédie desempenhou um papel importante na actividade intelectual anterior à Revolução Francesa.

Em 1750, o título completo era "Encyclopédie, ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, par une société de gens de lettres, mis en ordre par M. Diderot de l'Académie des Sciences et Belles-Lettres de Prusse, et quant à la partie mathématique, par M. d'Alembert de l'Académie royale des Sciences de Paris, de celle de Prusse et de la Société royale de Londres" ("Enciclopédia, ou dicionário racional das ciências, artes e profissões, por uma sociedade de pessoas de letras, ordenado pelo senhor Diderot da Academia de Ciências e Belas-letras da Prússia, e quanto à parte matemática pelo senhor d'Alembert da Academia Real de Ciências de Paris, da Prússia e da Sociedade Real de Londres"). A página-título foi emendada à medida que d'Alembert adquiriu novos títulos.

A Encyclopédie continha uma taxonomia do conhecimento humano que era inspirada no "Advancement of Learning" de Francis Bacon.

Nela, os três ramos principais do conhecimento são "Memória"/História, "Razão/Filosofia", e "Imaginação"/Poesia. É notável o facto de a teologia se encontrar dentro (abaixo) da "filosofia". Robert Darnton afirma que esta categorização da religião como sujeita à razão humana foi um factor significante na controvérsia que envolveu a obra. Note-se também que "Conhecimento de Deus" está a poucos módulos de distância de "divinação" e "magia negra".

Frontispício da EncyclopédieEditar

 
Frontispício da Encyclopédie (1772), pintado por Charles-Nicolas Cochin e ornamentado por Bonaventure-Louis Prévost.

O frontispício da obra está carregada de simbolismo:

  • A figura do centro representa a verdade – rodeada por luz intensa (o símbolo central do iluminismo).
  • Duas outras figuras à direita, a razão e a filosofia, estão a retirar o manto sobre a verdade.

ColaboradoresEditar

A Encyclopédie contou com a participação de mais de 130 contribuidores. Relacionam-se, aqui, os mais notáveis, incluindo suas respectivas áreas de contribuição:

Ver tambémEditar

Referências

  1. Denis Diderot em Hunt, p. 611
  2. University of the State of New York. Annual Report of the Regents, Volume 106. [S.l.: s.n.] 266 páginas 
  3. Denis Diderot em Kramnick, p. 17
  4. Magee, p. 124
  5. Lough (1971. p. 3-5)
  6. Robert Shackleton "The Encyclopedie" in: Proceedings, American Philosophical Society (vol. 114, No. 5, 1970. p. 39)