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colocando as coisas como devem... Até o Sérgio Nogueira, ninguém falava em 'xumbrega'... Links mortos substituídos
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}}
'''Brega''' é um [[gênero musical]] [[brasil]]eiro comparado ao ''[[twist]]'' e as baladas de ''[[rock]]'' dos [[anos 1960]] nos Estados Unidos. Todavia, sua definição como [[estética musical]] tem sido um tanto difícil, pois não há um ritmo musical propriamente "brega". É muito usado para designar a música romântica popular de "baixa qualidade", com exageros dramáticos ou ingenuidade.<ref name="DicionarioMPB/BREGA" /><ref name="CliqueMusic/BREGA">{{Citar web|url=http://cliquemusic.uol.com.br/generos/ver/brega|titulo=Cliquemusic : Gênero : Brega|acessodata=2018-02-24|obra=cliquemusic.uol.com.br |arquivodata=31/12/2012 |autor=Silvio Essinger |arquivourl=http://archive.is/MLGY6 |urlmorta=sim}}</ref> O [[samba-canção]], [[bolero]] e [[Jovem Guarda|jovem-guarda]] foram vinculados a esta estética,<ref name="CliqueMusic/BREGA" /> atualmente o brega envolve ''kizomba'', ''zouk'', funana, além do ''twist'' modernizado que batizaram de forma aportuguesada de tecno-brega.
 
== Origem do termo ==
Para alguns [[etimólogo]]s, a palavra brega é forma reduzida de "xumbrega". "Xumbregar" ou "chumbregar" por sua vez tem, de acordo com [[Amaro Quintas]] e outros historiadores, origem na [[Conjuração de "Nosso Pai"]], ocorrida em [[Pernambuco]] no ano de [[1666]]. Durante a revolta, o administrador colonial português [[Jerônimo de Mendonça Furtado]] foi apelidado pela população pernambucana de "Xumbergas" em referência ao general alemão [[Armando Frederico|Friedrich von Schönberg]] — militar que combateu em Portugal na [[Guerra da Restauração]] —, pois Mendonça Furtado usava bigode ao modo de von Schönberg.<ref>{{citar web|url=https://books.google.com.br/books/about/Amaro_Quintas.html?id=595BCwAAQBAJ&printsec=frontcover&source=kp_read_button&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false|título=Amaro Quintas - O Historiador da Liberdade|autor=[[Amaro Quintas]]|publicado=Google Livros|acessodata=23-12-2018}}</ref><ref>{{citar web|url=http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/eponimos-gente-que-ficou-famosa-virando-coisa.html|título=Epônimos: gente que ficou famosa virando coisa|autor=[[Sérgio Nogueira]]|publicado=G1|acessodata=23-12-2018}}</ref> Já para [[Altair Aranha]], o termo deriva de "Nóbrega", nome da rua (Manuel da Nóbrega) que ficava em uma região de [[meretrício]] na cidade de [[Salvador (Bahia)|Salvador]].<ref name=aranha/>{{Nota de rodapé|O termo "[[wikt:brega|brega]]" significa: de mau gosto, de baixo nível. Para Altair J. Aranha, a palavra teve origem em Salvador, mais propriamente numa área urbana de baixo meretrício onde uma placa indicando a rua Padre Manuel da Nóbrega teve gasto o letreiro, sobrando apenas as duas últimas sílabas. Aplica-se a pessoas que se mostram sem elegância, que exibem mau gosto.<ref name=aranha>{{citar livro|editora=São Paulo: Ateliê Editorial|ano=2002|autor=ARANHA, Altair J|título=Dicionário Brasileiro de Insultos|páginas=60}}</ref>}}{{Nota de rodapé|Para o mundo da [[moda]], o termo "brega" caracteriza as pessoas "deselegantes", "ou seja, aquelas que não se enquadravam nas regras, utilizando sempre do excesso e da extravagância. O sentido atribuído ao brega passou a representar também algo de qualidade inferior ou alguém que possui um mau gosto no vestir e nas atitudes".<ref>{{citar livro|editora=Natal: XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação |ano=2008 |url=http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-1890-1.pdf |autor=LIMA, Izaíra Thalita da Silva; QUEIROZ, Tobias|título=Eu não sou cachorro não: a transformação do brega em arte com elementos de cinema no DVD de Waldick Soriano|páginas=3}}</ref>}}
[[Ficheiro:Recife no seculo XVII.jpg|right|thumb|[[Porto do Recife]], foco da revolta de [[Conjuração de "Nosso Pai"|"Nosso Pai"]] em 1666.]]
Para alguns [[etimólogo]]s, a palavra brega é forma reduzida de "xumbrega". "Xumbregar" ou "chumbregar" por sua vez tem, de acordo com [[Amaro Quintas]] e outros historiadores, origem na [[Conjuração de "Nosso Pai"]], ocorrida em [[Pernambuco]] no ano de [[1666]]. Durante a revolta, o administrador colonial português [[Jerônimo de Mendonça Furtado]] foi apelidado pela população pernambucana de "Xumbergas" em referência ao general alemão [[Armando Frederico|Friedrich von Schönberg]] — militar que combateu em Portugal na [[Guerra da Restauração]] —, pois Mendonça Furtado usava bigode ao modo de von Schönberg.<ref>{{citar web|url=https://books.google.com.br/books/about/Amaro_Quintas.html?id=595BCwAAQBAJ&printsec=frontcover&source=kp_read_button&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false|título=Amaro Quintas - O Historiador da Liberdade|autor=[[Amaro Quintas]]|publicado=Google Livros|acessodata=23-12-2018}}</ref><ref>{{citar web|url=http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/eponimos-gente-que-ficou-famosa-virando-coisa.html|título=Epônimos: gente que ficou famosa virando coisa|autor=[[Sérgio Nogueira]]|publicado=G1|acessodata=23-12-2018}}</ref> Já para [[Altair Aranha]], o termo deriva de "Nóbrega", nome da rua (Manuel da Nóbrega) que ficava em uma região de [[meretrício]] na cidade de [[Salvador (Bahia)|Salvador]].{{Nota de rodapé|O termo "[[wikt:brega|brega]]" significa: de mau gosto, de baixo nível. Para Altair J. Aranha, a palavra teve origem em Salvador, mais propriamente numa área urbana de baixo meretrício onde uma placa indicando a rua Padre Manuel da Nóbrega teve gasto o letreiro, sobrando apenas as duas últimas sílabas. Aplica-se a pessoas que se mostram sem elegância, que exibem mau gosto.<ref>{{citar livro|editora=São Paulo: Ateliê Editorial|ano=2002|autor=ARANHA, Altair J|título=Dicionário Brasileiro de Insultos|páginas=60}}</ref>}}{{Nota de rodapé|Para o mundo da [[moda]], o termo "brega" caracteriza as pessoas "deselegantes", "ou seja, aquelas que não se enquadravam nas regras, utilizando sempre do excesso e da extravagância. O sentido atribuído ao brega passou a representar também algo de qualidade inferior ou alguém que possui um mau gosto no vestir e nas atitudes".<ref>{{citar livro|editora=Natal: XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação|ano=2008|url=http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-1890-1.pdf |autor=LIMA, Izaíra Thalita da Silva; QUEIROZ, Tobias|título=Eu não sou cachorro não: a transformação do brega em arte com elementos de cinema no DVD de Waldick Soriano|páginas=3}}</ref>}}
 
Sendo alvo de discussões por estudiosos e profissionais do meio musical, o termo brega foi empregado por classe média e alta às pessoas de baixo poder aquisitivo das regiões periféricas e aos prostíbulos nordestinos que tinham a [[música romântica]] como trilha sonora.<ref name="CliqueMusic/BREGA" /> [[Sérgio Nogueira]] diz, ainda, que para alguns [[etimólogo]]s, a palavra brega seria uma forma reduzida de "xumbrega".<ref>{{citar web|url=http://g1.globo.com/educacao/blog/dicas-de-portugues/post/eponimos-gente-que-ficou-famosa-virando-coisa.html|título=Epônimos: gente que ficou famosa virando coisa|autor=[[Sérgio Nogueira]]|publicado=G1|acessodata=23-12-2018 |arquivourl=https://archive.fo/zdGyZ |arquivodata=23/12/2018 }}</ref> "Xumbregar" ou "chumbregar" por sua vez tem, de acordo com [[Amaro Quintas]], origem na [[Conjuração de "Nosso Pai"]], ocorrida em [[Pernambuco]] no ano de [[1666]]; durante a revolta, o administrador colonial português [[Jerônimo de Mendonça Furtado]] foi apelidado pela população pernambucana de "Xumbergas" em referência ao general alemão [[Armando Frederico|Friedrich von Schönberg]] — militar que combateu em Portugal na [[Guerra da Restauração]] —, pois Mendonça Furtado usava bigode ao modo de von Schönberg, assumindo em Pernambuco a acepção de "embriaguez".<ref>{{citar livro|url=https://books.google.com.br/books/about/Amaro_Quintas.html?id=595BCwAAQBAJ&printsec=frontcover&source=kp_read_button&redir_esc=y#v=onepage&q=xumbergas&f=false |título=Amaro Quintas - O Historiador da Liberdade|autor=[[Amaro Quintas]]|publicado=Companhia Editora de Pernambuco |ano=2015 |acessodata=23-12-2018 |isbn=9788578583019 |páginas=456 }}</ref><ref>[[Dicionário Aurélio]], verbete "xumbergar"</ref>
Sendo alvo de discussões por estudiosos e profissionais do meio musical, o termo brega foi empregado por classe média e alta às pessoas de baixo poder aquisitivo das regiões periféricas e aos prostíbulos nordestinos que tinham a [[música romântica]] como trilha sonora.<ref name="CliqueMusic/BREGA" />
 
== Informações gerais ==
 
Em meados dos anos [[1960]], o termo designava um tipo de música romântica, com arranjo musical sem grandes elaborações, vinda das camadas populares e considerada cafona e deselegante.<ref name="DicionarioMPB/BREGA">{{Citar web|url=http://www.dicionariompb.com.br/musica-brega/dados-artisticos|titulo=Música brega|data=|acessodata=2018-02-24|obra=Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref><ref>{{citar livro|autor=CABRERA, Antônio Carlos|título=Almanaque da música brega|editora=São Paulo: Matrix|ano=2007|página=08}}</ref>
<ref name="DicionarioMPB/BREGA" /> Com o passar dos anos o brega foi se sistematizando de forma menos rígida em relação ao outros ritmos. A partir de 2008 em Recife surgiu um brega-''funk'', ritmo que se originou da mistura entre ''kizomba'' (ritmo angolano), o ''zouk'' das [[Antilhas Francesas]] e as mesmas baladas românticas usadas durante o tempo de seu auge com bastante apelo sentimental, fortes melodias, letras com rimas fáceis e palavras simples, em outras palavras, uma [[música]] supostamente ruim ou cafona.<ref name="DicionarioMPB/BREGA" /><ref name="CliqueMusic/BREGA" /> Mas a partir da imprecisão conceitual que o termo carrega desde sua origem, podia abarcar artistas de outros gêneros musicais da [[Música do Brasil|música brasileira]], o que, na verdade, só reforçaria essa imprecisão.<ref name="DicionarioMPB/BREGA" />
 
Definir a existência ou não e quem pertence e quem não pertence ao "estilo brega" é um debate feito por [[pesquisador]]es, [[crítico]]s, [[artista]]s e [[Espectador|público]], e está longe de chegar a um [[consenso]].<ref name="DicionarioMPB/BREGA" /><ref name="CliqueMusic/BREGA" /><ref name="ARAUJO/2003">ARAÚJO, Paulo Cesar de. ''Eu não sou cachorro não: Música Popular Cafona e Ditadura Militar''. Rio de Janeiro: Editora Record. 2003</ref>
 
Esta dificuldade estaria expressa na pluralidade musical em voga no mundo contemporâneo, que "provoca um constante movimento de apropriação–reapropriação contínua e ao mesmo tempo inconstante promovendo uma hibridação de referências musicais que termina por impossibilitar qualquer definição precisa capaz de ser fielmente classificada rigidamente em um [[gênero musical|estilo musical]]."<ref name="SOUZA-LEITE/UFS/BREGAsouzaUFBA">{{citar livroweb|autor=SOUZA, Vinicius Rodrigues Alves; LEITE, Reuel Machado de|título=|editora=[[SãoA CristóvãoExistência (Sergipe)|SãoInexistente Cristóvão]]:da [[UniversidadeMúsica FederalBrega de Sergipe|UFS]]publicado=UFBA (seminário)|ano=2009|páginas=1-1115|url=http://www.poscult.ufsufba.br/antropologiaenecult2009/seciri19570.pdf |acessodata=23/down12/GT_062018 |arquivourl=http:/Vinicius_Rodrigues_Alves_de_Souza/web.archive.org/web/20181223152751/http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19570.pdf |arquivodata=23/12/2018 }}</ref> Outro ponto de dificuldade na discussão em torno do que seria "música brega" é o estabelecimento por parte das "[[ideologia]]s excludentes e classistas da [[intelectual]]idade [[hegemonia|hegemônica]]" de uma relação direta do "estilo com o poder classificatório do gosto, além de uma série de adjetivações pejorativas que estão associadas à denominação brega."<ref name="SOUZA-LEITE/UFS/BREGAsouzaUFBA" />
 
Mesmo entre o público brasileiro, consumidor ou não do artistas e tendências supostamente "bregas", há muita confusão sobre o que seria o "estilo". Em alguns casos, ocorre a associação de algumas vertentes musicais melhor estabelecidas — como o [[Música sertaneja|sertanejo]] (de linha mais comercial-romântica, a partir da década de 1980), a [[lambada]], o [[pagode (música)|pagode]] (especialmente seu estilo mais [[pagode romântico|"romântico]], a partir da década de 1990), a [[axé music|axé ''music'']], o [[funk carioca|''funk'' carioca]] — no rol de "estilos bregas".<ref>{{citar web|url=http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=379JDB005|título=Mídia glamuriza a cafonice|autor=Alexandre Figueiredo|publicado=Observatório da Imprensa|data=2 de maio de 2006}}</ref> A autora Carmen Lúcia José observou em suas pesquisas a opinião de indivíduos de segmentos sociais distintos sobre alguns artistas quanto aos seus estilos musicais. Por exemplo, as duplas [[Chitãozinho e Xororó]] e [[Leandro e Leonardo]]. A primeira dupla, para segmentos sociais acima da média com repertório, é considerada brega; já para os segmentos médios e acima da média sem repertório, a dupla é considerada som sertanejo; e para os segmentos mais baixos, também. Com relação a duplas Leandro e Leonardo, para os segmentos acima da média e médios, é brega; os segmentos médios e acima da média sem repertório musical, a dupla também é considerada brega, nos segmentos mais baixos, a dupla representa o sertanejo jovem.<ref name="CARMEN-JOSÉ/BREGA/DISSERTACAO/1991">{{citar livro|autor=JOSÉ, Carmen Lúcia|título=Isto é brega, Isto é brega|editora=São Paulo: (dissertação de mestrado)|ano=1991|páginas=134}}</ref>
Na Enciclopédia da Música Brasileira, de Marcos Antonio Marcondes, o "brega" é caracterizado como a "música mais banal, óbvia, direta, sentimental e rotineira possível, que não foge ao uso sem criatividade de clichês musicais".<ref name="MARCONDES/1998/117">{{citar livro||autor=MARCONDES, Marcos Antonio|título=Enciclopédia da música brasileira|editora=São Paulo: PubliFolha|ano=1998|páginas=117}}</ref> Para Lúcia José, o "brega" teria estruturas sonoras "organizadas e mantidas sem oposição, provocando nos ouvintes uma pasteurização em que todos os arranjos ganham um mesmo assobio".<ref name="CARMEN-JOSÉ/BREGA/DISSERTACAO/1991" />
 
Há especialistas, no entanto, que divergem da rotulagem "brega" e atacam marginalização dos artistas "cafonas" na historiografia oficial da musical brasileira, escrita por "uma categoria privilegiada que assume a função e o papel dos legitimadores do gosto" que descarta músicos e tendências musicais não condizentes "com suas perspectivas identitárias".<ref name="SOUZA-LEITE/UFS/BREGAsouzaUFBA" /> Para o historiador [[Paulo Cesar de Araújo]], o "brega" estaria "no limbo da história", amparado em marcos historiográficos, que teria estabelecido que "toda produção em que o público de classe média não identifique tradição ('raízes' do [[samba]]) nem modernidade ('a partir de 1958, com a [[Bossa Nova]], e que continua com o [[Tropicalismo]]') é rotulada de brega ou cafona".<ref name="ECO-POS/ARAUJO/BREGA/2003">{{citar livro|autor=COUTINHO, Eduardo; FILHO, João Freire|título=O autoritarismo da historiografia musical brasileira IN:Sintonizando a música brasileira (entrevista)|editora=Rio de Janeiro: Revista ECO-PÓS/UFRJ|ano=2003|páginas=119-127}}</ref> O autor Fernando Fontanella complementa ao afirmar que, dentro de um jogo "hierarquias culturais", "o imaginário do belo sempre é pensado pelas instituições da hegemonia dentro de uma legitimação dos grupos dominantes", o que explicaria a relação da "música brega" ao "mau gosto" como algo oriundo de um processo de estruturação de classes que tende a beneficiar determinados grupos em particular.<ref>{{citar livro|autor=FONTANELLA, Fernando Israel|título=A estética do brega|editora=Recife: UFPE (dissertação de mestrado)|ano=2005|página=42-43}}</ref>
 
== Ver também ==
* [[Música do Brasil]]
* [[Terminologia musical]]
* [[Lista de gêneros musicais]]
* [[Musicalismo]]