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Estação Ferroviária de Almendra

estação ferroviária em Portugal
Almendra
Estação de Almendra, em 2009.
Inauguração 9 de Dezembro de 1887
Encerramento 1988
Linha(s) Linha do Douro (Pk 191,837)
Coordenadas 41° 02′ 05,86″ N, 7° 00′ 11,38″ O
Concelho Vila Nova de Foz Côa
Serviços Ferroviários
Horários em tempo real

A Estação Ferroviária de Almendra é uma interface encerrada da Linha do Douro, que servia a localidade de Almendra, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, em Portugal.

Índice

Estação de Almendra, em 2014.

HistóriaEditar

Planeamento e construçãoEditar

Em 1885, quando estava em construção a Linha do Douro, o Conde de Almendra tentou que fosse construída uma estação ferroviária junto à sua Quinta da Olga, junto a Almendra.[1][2] Como não conseguiu convencer o Ministério das Obras Públicas, ordenou a distribuição de um folheto pela região e pelos meios políticos, reclamando a construção da estação, alegando que a sua ausência causaria graves problemas de comunicações nas localidades de Almendra, Algodres e Vilar de Amargo.[1][2] Já nessa altura se considerava que seria mais benéfica a construção de uma estrada entre Almendra e o Apeadeiro de Castelo Melhor, uma vez que o traçado, seguindo a margem esquerda da Ribeira de Aguiar, seria mais fácil e de menor comprimento, e de melhor perfil.[2] Ainda assim, o governo cedeu, tendo a estação de Almendra sido construída junto à Quinta da Olga.[1][2]

O troço entre Côa e Barca d’Alva, no qual esta estação se encontra, foi inaugurado em 9 de Dezembro de 1887.[3]

 
Placa de ligação à estação de Almendra, na Estrada Nacional 222.

Ligação rodoviáriaEditar

Após a inauguração, foi projectada a ligação rodoviária entre a estação e a localidade de Almendra, onde entroncaria com a estrada para Figueira de Castelo Rodrigo.[1] Em Janeiro de 1901, a estrada da estação já estava a ser construída[4], estando muito avançada em Janeiro de 1918.[5] No entanto, em 1932, esta obra ainda não se encontrava concluída[6], só tendo sido terminada em 1935.[1] Devido às dificuldades em vencer as arribas do Rio Douro e da Ribeira de Aguiar, a estrada ficou com um traçado muito sinuoso, com um comprimento aproximado de 12 quilómetros.[1] Ainda assim, nos primeiros anos após a construção da estrada, a estação continuou a ter muito pouco movimento, chegando a haver semanas em que não se vendeu um único bilhete.[1] A isto se devia o facto de não existirem quaisquer serviços de carros de aluguer ou autocarros até à estação, forçando os habitantes da zona a utilizarem o Apeadeiro de Castelo Melhor, cujo caminho estava em pior estado, mas era mais curto.[7]

Carreira de autocarrosEditar

Após o final da Segunda Guerra Mundial, o jornalista José da Guerra Maio procurou desenvolver as comunicações em Freixeda do Torrão, através do estabelecimento de uma carreira entre Figueira de Castelo Rodrigo e a estação de Almendra[8] Nesse sentido, foi construído um ramal entre Freixeda e a Estrada Nacional 332, e o empresário que já tinha a carreira de Castelo Rodrigo até à Guarda, José Coureiro, pediu a concessão para um serviço de camionagem misto desde Castelo Rodrigo até à estação de Almendra, passando por Freixeda, Vilar de Amargo, Algodres e Almendra.[8] Esta carreira também servia as localidades de Vale de Afonsinho, Quinta e Penha de Águia.[1] Apesar dos protestos dos outros empresários de camionagem na zona[8], o serviço avançou nos finais da Década de 1940[1], com grande sucesso, tanto que ao fim de apenas 2 meses passou a ser feito em sentido contrário, 3 vezes por semana.[8] Com o estabelecimento da carreira de autocarros, o movimento da estação melhorou consideravelmente.[1] Pouco tempo depois, este serviço passou para a gestão do empresário que já tinha a carreira de Castelo Rodrigo a Barca de Alva; este manteve inicialmente a regularidade em ambos os sentidos, embora utilizando veículos já com alguma idade, e aumentou as tarifas.[7] Cerca de 2 anos depois, foi suprimida a carreira para Castelo Rodrigo, e a que terminava na estação deixou de ser diária, para passar a ser apenas 3 vezes por semana, o que provocou protestos por parte da população.[8] Em Novembro de 1952, constava que o antigo dono da carreira, José Coureiro, ia pedir para fazer aquele percurso nos dias em que o novo empresário não a fazia.[9]

EncerramentoEditar

Em 1988, foi desactivado o troço entre o Pocinho e Barca d’Alva.[10]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j «Uma estação ferroviária que só toma actividade 60 anos depois» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1488). 16 de Dezembro de 1949. p. 715. Consultado em 30 de Setembro de 2014 
  2. a b c d «Uma estação ferroviária que só toma actividade 60 anos depois» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1489). 1 de Janeiro de 1950. p. 784. Consultado em 28 de Outubro de 2014 
  3. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 25 de Maio de 2013 
  4. MIRANDA, António Augusto Pereira de (16 de Abril de 1903). «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (368). p. 119-130. Consultado em 27 de Julho de 2010 
  5. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1232). 16 de Abril de 1939. p. 221-223. Consultado em 30 de Setembro de 2014 
  6. ALCOBAÇA, Visconde de (1 de Dezembro de 1932). «Estradas Afluentes à Linha do Douro: Troço da Régua a Barca D'Alva» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 45 (1079). p. 559-561. Consultado em 30 de Julho de 2010 
  7. a b MAIO, Guerra (16 de Janeiro de 1953). «Ainda o caso da carreira de Almendra» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1562). p. 459-460. Consultado em 11 de Fevereiro de 2015 
  8. a b c d e MAIO, Guerra (1 de Outubro de 1952). «O caso da carreira de Almendra» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1555). p. 286-287. Consultado em 11 de Fevereiro de 2015 
  9. «Ainda o caso da carreira de Almendra» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1555). 16 de Novembro de 1952. p. 340. Consultado em 11 de Fevereiro de 2015 
  10. REIS et al, p. 150

BibliografiaEditar

  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; Gomes, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Ligações externasEditar