Eugène Louis Melchior Patrin

explorador, mineralogista e botânico francês, coletor de rochas e minerais na Sibéria.

Eugène-Melchior Louis Patrin (Lyon, 3 de abril de 1742Saint-Vallier (Drôme), perto de Lyon, 15 de agosto de 1815)[1] foi um naturalista e explorador francês que se distinguiu nos campos da geologia, mineralogia e botânica e em especial na recolha de amostras e no estudo da geologia e mineralogia da Sibéria, região que explorou durante cerca de 8 anos.[2][3][4][5]

Eugène Louis Melchior Patrin
Nascimento 3 de abril de 1742
Lyon
Morte 15 de agosto de 1815
Saint-Vallier
Cidadania França
Ocupação botânico, político, naturalista,
Empregador Academia Russa de Ciências

BiografiaEditar

Após estudar química e física, dedicou-se ao estudo da história natural, especializando-se na recolha de amostras de minerais e de rochas. Também recolheu amostras de plantas e produziu alguns trabalhos no campo da botânica.

Após dois anos de viagens pela Alemanha, Hungria e Polónia, conheceu em Vilnius o naturalista francês Jean-Emmanuel Gilibert (1741-1814), que lhe deu cartas de recomendação para a Academia das Ciências de São Petersburgo. Em São Petersburgo foi recebido de maneira amigável por Pyotr Simon Pallas (1741-1811), conseguindo permissão para, acompanhado por um oficial russo, explorar a Sibéria, com a condição de enviar à Academia de São Petersburgo amostras de minerais e outros objetos de história natural notáveis ​​que pudesse coletar. Em resultado dessa permissão, viajou durante 8 anos pelo Império Russo, dedicando a maior parte desse período à exploração mineralógica da Sibéria, região onde permaneceu de 1780 a 1787, conduzindo investigações geológicas e botânicas e, especialmente, colectando amostras de rochas e minerais. Nestas viagens construiu uma coleção mineral pessoal de cerca de 2000 espécimes de minerais e rochas, a maioria dos quais considerados de grande beleza.[5]

Durante a sua estadia na Sibéria, Patrin viajou extensivamente pelos Urais, pelas Montanhas Altai e por diversas regiões da Ásia Setentrional, juntando coleções de rochas e minerais que eram enviadas para São Petersburgo, onde deveriam aguardar o seu retorno. Este material, no entanto, foi parcialmente confiscado por Pyotr Simon Pallas, que guardou os melhores itens para seu gabinete pessoal. PAtrin ofereceu as peças restantes à coleção do Jardin du Roi em Paris, com a condição de que o grupo não fosse separado.[6] Como a coleção de minerais siberianos representava mais de uma tonelada e meia de amostras, todas referenciadas, o Jardin du Roi, hoje Muséum national d'histoire naturelle, recusou a oferta, alegando falta de espaço.

Entretanto ocorre a Revolução Francesa e Patrin é eleito, ao que parece para seu grande espanto, deputado por Lyon. Nas funções de deputado, que exerceu de 7 de setembeo de 1792 a 26 de outubro de 1795, recusou votar a favor da condenação de Luís XVI, pedindo o simples banimento. Durante o Terror, foi preso em julho de 1793 e depois solto. Após a queda de Robespierre, em 1795 foi encarrregado pelo Comité de Salvação Pública (Comité de salut public) de reformar a organização das minas, sector que colocou no caminho da modernização. Porém, em abril do mesmo ano, escreveu-lhes informando que se encontrava em Saint-Étienne para estar com os trabalhadores que sofriam de falta de alimentos. Ao final de sua missão na cidade, deixou uma equipa de engenheiros competentes e uma indústria de carvão em expansão que durararia um século.[7].

Após o seu retorno a Paris, em 1804 foi escolhido para o cargo de bibliotecário do Conseil des mines,[8] From 1790 to 1815, he was a member of the Académie des sciences, belles-lettres et arts de Lyon.[4] a comissão encarregada de aconselhar o governo francês em matérias referentes à indústria extrativa.

Com a criação da École des mines de Saint-Étienne ofereceu à nova instituição a sua coleção de minerais, sendo nomeado seu bibliotecário.[9]

Publicou em 1783 um relato da sua expedição à Sibéria sob o título de Relation d'un voyage aux monts d'Altaïce en Sibérie, fait en 1781 (inicialmente saída a público em São Petersburgo). Contudo, ficaria sobretudo conhecido pela sua obra Histoire naturelle des minéraux, publicada em Paris em cinco volumes no ano IX da Revolução (1800-1801). Em 1779, foi eleito membro correspondente da Academia das Ciências de São Petersburgo[10]. Em 23 de março de 1790 foi eleito membro da Académie des sciences, belles-lettres et arts de Lyon.[7]

No exercício das suas funções como bibliotecário conheceu Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon, estabelecendo uma colaboração que levou Patrin a fazer importantes contribuições para a seção de mineralogia da Histoire Naturelle de Buffon, a maior obra sobre história natural até então editada.[11][12] Impressiondo pelos conhecimentos de mineralogia de Patrin, Buffon encarregou-o de redigir o texto para a secção sobre mineralogia da obra, o que se traduziu em cinco volumes. Todas as gravuras produzidas para as ilustrações dos cinco volumes de mineralogia de Patrin foram pintadas pelo artista parisiense de história natural e gravador Jacques-Eustache Deseve, com a ajuda dos gravadores Gérard-René Le Villain (1740-ca.1810), Jean-Gabriel Caquet (1749-1802 ), J.-A. Pierron (ca.1760-ca.1820) e P. Jourdan.

Em 1788 publicou a moderna descrição da auricalcite, mineral a que deu o nome de «calamine verdâtre».[13] Faleceu em Saint-Vallier (Drôme).

O género de pantas Patrinia (família Caprifoliaceae) foi assim designado em sua honra por Antoine Laurent de Jussieu.[14]

Obras publicadasEditar

Entre muitas outras, Patrin é autor das seguintes obras:

Referências

  1. Notice biographique sur Eugène-Louis-Melchior Pierre Berthier, Patrin, minéralogiste lyonnais. Lyon, 1874.
  2. Louis René Villermé, Notice sur Eugène-Louis-Melchior Patrin.
  3. «Eugène Louis Melchior Patrin» (em francês). Annales des Mines - arquivos. Consultado em 14 de março de 2012 
  4. a b c Prosopo Sociétés savantes de France
  5. a b Joseph François Michaud (editor), Biographie Universelle, Ancienne et Moderne. Paris, 1854.
  6. The Mineralogical Record, Inc. Arquivado 2014-09-03 no Wayback Machine Histoire Naturelle des Minéraux, 1801
  7. a b Académie des sciences, belles-lettres et arts (Lyon). Dictionnaire historique des académiciens de Lyon : 1700-2016. [S.l.: s.n.] ISBN 978-2-9559433-0-4. Consultado em 3 de janeiro de 2021 
  8. Annales.org Eugene Louis Patrin Melchior (1742-1815)
  9. Prosopo Sociétés savantes de France.
  10. Larissa, Moukaeva (1 de outubro de 2020). «16. « … S'est illustré par nombre de découvertes » : Histoire des expéditions du scientifique français Eugène Louis Melchior Patrin dans l'Altaï». In: Demopolis. La Sibérie comme champ de transferts culturels : De L'Altaï à la Iakoutie. Col: Quaero. [S.l.: s.n.] p. 351–370. ISBN 978-2-35457-169-6. Consultado em 3 de janeiro de 2021 
  11. OCLC WorldCat Histoire naturelle de Buffon
  12. The Mineralogical Record Arquivado 2014-09-03 no Wayback Machine Patrin, Eugène
  13. Mindat.org Aurichalcite
  14. Google Books CRC World Dictionary of Medicinal and Poisonous Plants, por Umberto Quattrocchi.
  15. WorldCat Search published works

BibliografiaEditar

  • «Eugène Louis Melchior Patrin», in Adolphe Robert & Gaston Cougny, Dictionnaire des parlementaires français, p. 560. Paris, Edgar Bourloton, 1889-1891.

Ligações externasEditar