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Eurico da Fonseca
Nascimento 1 de março de 1921
Lisboa
Morte 4 de dezembro de 2000 (79 anos)
Almada
Cidadania Portugal
Ocupação cientista

Eurico Sidónio Gouveia Xavier Lopes da Fonseca (Lisboa, 1 de Março de 1921 - Almada, 4 de Dezembro de 2000) foi o principal especialista português em astronáutica. Estendeu o seu trabalho a outras áreas, como informática, energias renováveis e automóveis.

BiografiaEditar

Praticamente autodidacta, seria nomeado investigador por decreto-lei, equiparado-se a professor catedrático. Tornou-se conhecido do grande público através da televisão e dos jornais. Nos anos 60, conseguiu grande projecção nos meios científicos norte-americanos.

Diplomou-se em engenharia mecânica e tecnologia de automóveis pela Escola Industrial Marquês de Pombal, em 1939.

Dirigiu desde 1958 o já extinto Centro de Estudos Astronáuticos, pertencente logisticamente à Mocidade Portuguesa, mas independente desta, e foi desenhador-chefe da Escola Naval do Ministério da Marinha até 1962.

Tornou-se delegado oficial de Portugal aos congressos promovidos pela Federação Internacional de Astronáutica, onde apresentou projectos da sua autoria. Dois deles intitulam-se "The Dynamic Limitation of the Freedom of the Space – A Limitação Dinâmica da Liberdade do Espaço Cósmico" (Londres, 1959) e "The Utilization of Artificial Planetoids in Interplanetary Flight – A Utilização de Planetóides Artificiais no Voo Interplanetário"(Estocolmo, 1960).

Na sequência desta última comunicação, Eurico da Fonseca expôs o "The Boomerang Project — O Projecto Bumerangue", em Tóquio, num simpósio da Japan Rocket Society. A ideia foi, posteriormente, discutida com o engenheiro da NASA John C. Houbolt (responsável pela concepção do primeiro módulo lunar), no Centro de Investigação Langley, em Hampton, Virgínia, EUA, em Novembro de 1961.

A convite do Governo americano, participou no "Spaceflight Report to the Nation", em Nova Iorque (1961). Nesta ocasião ficou a conhecer a indústria norte-americana da astronáutica e visitou as instalações da NASA, tornando-se a primeira pessoa não norte-americana a ter esse privilégio.

Conheceu os principais dirigentes do Programa Apollo, contactando com os problemas que surgiram durante a fase inicial do mesmo.

Foi convidado a participar na Conferência sobre Naves Tripuladas em 17 de Janeiro de 1963, organizada em Los Angeles pela American Astronautical Association – sob a presidência de Maxwell Hunter, responsável pelo programa Mercury e então vice-presidente do USA National Aeronautics and Space Council.

Foi autor do vocabulário oficial de Astronáutica em português, elaborado em 1960 em colaboração com a Academia de Ciências de Lisboa, o Centro de Estudos Filológicos do Instituto para a Alta Cultura, a Federação Internacional de Astronáutica e a Sociedade Interplanetária Brasileira.

Assumiu as funções de investigador do Centro de Estudos Especiais da Armada de 1962 a 1984, ano em que se reformou.

Leccionou sobre Cultura Actual na Universidade Nova de Lisboa. Obteve o prémio Einstein pelo melhor trabalho na imprensa portuguesa sobre ciência e tecnologia, em 1985.

MediaEditar

Notabilizou-se como comentador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo na Emissora Nacional a descida do primeiro homem na Lua em 1969 e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos.

Na televisão, foi o apresentador e autor do programa 5ª Dimensão, da RTP, e comentador de ciência do programa Ponto por Ponto, de Raúl Durão, até Outubro de 1995.

Nos jornais, colaborou, entre outros, com O Volante, em 1939, Diário Popular, nos anos 50, e A Capital, onde foi responsável pelo suplemento História do Automóvel e a secção Computadores e ainda na revista 57 : folha independente de cultura[1] (1957-1962).

Foi autor da série de ficção científica "O Segredo de Marte", emitida nos meados dos anos 80, e reposta em 1993, na RDP.

Traduziu cerca de 260 livros de ficção-científica desde a década de 1960 para editora Livros do Brasil, Colecção Argonauta, da qual foi director até 1995.

LivrosEditar

  • História Breve da Astronáutica – 1960
  • A Conquista do Espaço – 1962
  • A Sociedade do Futuro: Tecnologia para um mundo novo – 1978
  • Energias Renováveis – 1983
  • Segredos do Windows 951996
  • O Terceiro Milénio – 1999

TextosEditar

É de norma lembrar os tempos de escola com saudade, mas nos finais dos anos 30 as coisas não eram fáceis para quem se interessava pela ciência e tecnologia. Os livros não ajudavam – até muito mais tarde, quem os lesse ficava convencido de que no Universo só havia uma galáxia – a nossa – e quanto à biologia, o importante era o aparelho circulatório da minhoca. Quem queria saber mais do que isso era apontado como «maluquinho», e com alguma razão, pois nada encontrava que alimentasse a sua sede de conhecimento. Nos jornais pensava-se que aquilo que faziam os «coca-bichinhos» nos laboratórios e nas oficinas só a eles interessava e, portanto, não era de pôr em letra de forma – a ideia que tinham da importância de tais coisas foi demonstrada por um jornal diário que, quando explodiu a bomba de Hiroxima, noticiou em título que ela equivalia a 20 «toneladas» de TNT – a ideia de que se tratasse de «quilotoneladas» pareceu absurda! E quando o primeiro satélite artificial foi colocado em órbita, o mesmo jornal publicou a notícia em três linhas na terceira página, a dos espectáculos…

Quanto a revistas especializadas, a situação não era melhor. A única, a «Electricidade e Mecânica», aguentou-se com dificuldade até aos meados da década de 30, e os seus volumes encadernados, mesmo obsoletos, eram procurados nas Feiras do Livro como se fossem tesouros. Quanto a comprar revistas estrangeiras, bem…eram só para os afortunados e, com excepção da então chamada «La Science et la Vie», só as havia na língua inglesa, que então estava longe de ser tão conhecida como hoje.

A salvação encontrávamo-la num armazém da Rua de S. Bento, famoso pela presença de um letreiro onde se dizia «É proibido discutir política neste estabelecimento», e onde iam parar as sobras dos jornais e revistas em línguas estrangeiras. Escolhia-se nos montes aquilo que nos interessava e depois pesava-se o papel e pagava-se. Por vinte e cinco tostões levava-se uma carrada. Foi assim que fomos acumulando conhecimento e que aprendemos por nós próprios a língua inglesa. Quando o armazém fechou, o negócio passou para os alfarrabistas de rua, instalados junto à estação do Rossio, e foi aí que conseguimos constituir uma colecção quase completa de «La Science et la Vie» a partir do nº 1.

A pergunta que fazemos hoje a nós próprios é simples. Que teríamos podido fazer – nós e todos como nós – se a Net e a Web existissem há 50 ou 60 anos atrás e pudéssemos dispor da facilidade e riqueza do acesso à informação que elas proporcionam? E até onde poderão chegar os jovens que hoje dispõem de uma tão directa, tão ampla e tão livre fonte de conhecimento? Eurico da Fonseca in revista @net, Dezembro de 1996


Efeitos Calamitosos para o Programa do 'Space Shuttle' Começava-se já a ter a ideia de que estas viagens eram uma rotina. Pois não é verdade, infelizmente. Os perigos são muitos grandes, continuam grandes, como vimos, e principalmente quando se usam foguetes de propulsão de sólidos, como os que eram usados para arrancar o Space Shuttle. Não há dúvida de que foram esses foguetes a causa do acidente. Eles deviam ter funcionado durante dois minutos. Tanto quanto se saiba, o acidente deu-se 45 segundos após a largada, portanto ainda no período de funcionamento desses motores de propulsão de sólidos.

Eu posso dizer, por experiência própria, pelo muito tempo que na nossa marinha trabalhei, desenhando e produzindo motores desses, embora, evidentemente, muito mais pequenos, posso dizer que se trata de algo muito traiçoeiro. Basta uma pequena fenda, que pode até surgir com vibrações, na carga propulsora, que é feita à base de borracha sintética ou plástico e perclorato, para que a superfície de combustão aumente para além do conveniente e então se dê uma explosão. Foi certamente o que aconteceu.

Os resultados, para além do imediato de toda a tragédia que infelizmente houve, vão ser certamente calamitosos para o programa do Space Shuttle, até porque neste momento estava a haver, da parte da N.A.S.A., uma grande falta de pilotos e homens experimentados, não propriamente pelo receio de voarem, antes pelo contrário, mas sim porque os treinos e a preparação dos voos lhes ocupavam demasiado tempo. Em face disto, certamente que muitos irão desistir.

Por outro lado, também há questão de que todo o programa Vaivém é um programa comercial, feito para ganhar dinheiro; não é só a perda que representa o desaparecimento do Challenger, são também os contratos que possivelmente serão anulados. Na verdade, todo o programa do Vaivém será afectado, e também todo o programa espacial americano, inclusive o da plataforma orbital, que se esperava pôr em órbita em 1990. Além disso, pode também prejudicar toda a actividade dos outros países, uma vez que uma fase como esta do Vaivém é indispensável para qualquer programa. Refira-se que a União Soviética também se encontra a fazer experiências com modelos idênticos, e que a França também tinha proposto à Agência Espacial Europeia a construção de um Vaivém. Eurico da Fonseca, "Diário de Notícias", 29 de Janeiro de 1986

BibliografiaEditar

  • Livro «A Sociedade do Futuro» - Edição «Livros do Brasil» Lisboa, Colecção - Vida e Cultura - nº 83 - 1979.
  • «O Grande Livro dos Portugueses» – Círculo de Leitores;
  • «Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura» – Verbo, 1980;
  • Revista «Fórum Estudante» – Junho de 1992;
  • Programa «Verso e Reverso» – Antena 1 – 16 de Agosto de 1994;
  • «A Conquista de Marte I», de William Rollo – 1984;
  • Revista «Notícias Magazine» do «D.N.» – Julho de 1994 / 29 de Março de 1998;
  • «Diário Popular» – 22 de Setembro de 1957;
  • Livro «Chegámos à Lua!» – biografia do tradutor e notas de tradução – 1970;
  • Revista «Imenso Sul» – Julho/Agosto/Setembro de 1997;
  • Jornal «A Capital» – 5 de Agosto de 1997 / 11 de Setembro de 1997 / 21 de Abril de 1998 / 19 de Maio de 1998;
  • «História da Televisão em Portugal: 1955/1979» – 1ºvolume; Vasco Hogan Teves, TvGuia Editora, Lisboa 1998.
  • Colaborador do jornal «se7e»

Referências