Cientista

pessoa que exerça uma atividade sistemática para obter conhecimento
Cientista
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Cientistas trabalhando em um laboratório da Universidade da Rioja na Espanha

Nome
Cientistas
Tipo
Setor de atividade
Competências
Educação requirida
Campos de trabalho
Empregos relacionadas

Cientista, em um sentido mais amplo, refere-se a qualquer pessoa que exerça uma atividade sistemática para obter conhecimento. Em um sentido mais restrito, cientista refere-se a indivíduos que usam o método científico.[1] Ele pode ser um especialista em uma ou mais áreas da ciência como, por exemplo, nas ciências biológicas, naturais e sociais.[2]

A principal função dos cientistas é a de realizar pesquisas com a finalidade de alcançar uma compreensão mais clara e complexa a respeito da natureza, incluindo a dimensão física, matemática e social do ambiente ou do objeto empírico analisado.

Os cientistas diferenciam-se dos filósofos, que utilizam a intuição e a lógica com a finalidade de alcançar um conhecimento acerca de aspectos intangíveis da realidade, mas que mantém uma conexão direta com a natureza. Em linhas gerais, o foco principal dos filósofos é o espaço do pensamento em si mesmo. Já os cientistas, ao contrário, utilizam métodos contra-intuitivos, uma vez que a evidência empírica e a materialidade dos fenômenos investigados são o ponto de partida de qualquer pesquisa científica. O cientista, diferente do filósofo, não se restringe à mera dimensão abstrata do pensamento. Além disso, no desempenho de suas atividades, é necessário que o objeto e os resultados da investigação possam ser constatados empiricamente por outros cientistas de uma mesma área.

Os cientistas também se diferenciam dos engenheiros, que são aqueles que desenvolvem mecanismos com propósitos práticos, aplicando, por sua vez, os conhecimentos já estabelecidos pela ciência.

EtimologiaEditar

Historicamente, os cientistas eram chamados de filósofos naturalistas ou homens de ciência,[3][4][5][6] e eram homens de conhecimento. Ciência e filosofia eram basicamente sinônimos. William Whewell cunhou o termo cientista em 1833, publicado em 1834 em uma resenha de On the Connexion of the Physical Sciences, de Mary Somerville.[7] Ele então propôs "cientista", um análogo a "artista", como o termo que poderia fornecer unidade linguística para aqueles que estudavam os vários ramos das ciências. O "homem da ciência", naquela época, teve o benefício de ser de gênero, transmitindo claramente que a ciência era um esforço intelectual respeitável, perseguido apenas pelo sexo mais sério e inteligente.[8] Para descrever um especialista no estudo da natureza, este termo não se tornou popular até a virada do século XIX.[9][10] No século XX foi adotada a noção moderna de ciência como um ramo especial da informação sobre o mundo, praticado por um grupo distinto e através de um método particular.

DescriçãoEditar

Ciência e a tecnologia tem continuamente modificado a existência humana. Como profissão, os cientistas atualmente tem reconhecimento total. Cientistas podem ser chamados de:

  • teóricos, que basicamente desenvolvem novos modelos para explicar dados existentes e predizer novos resultados; e
  • experimentalistas, que testam os modelos fazendo medidas.

Na prática, a divisão entre estas atividades não é muito clara, e muitos cientistas executam as duas tarefas.

A matemática é geralmente agrupada com os cientistas. Como outros cientistas, os matemáticos começam com intuições (hipóteses) e então conduzem experimentos simbólicos ou computacionais para testá-las. Alguns dos maiores físicos também foram matemáticos criativos. Há um continuum do cientista mais teórico para o mais empírico sem um limite distinto. Em termos de personalidade, interesses, treinamento e atividade profissional, há pouca diferença entre matemáticos aplicados e físicos teóricos.

Cientistas podem ter várias motivações. Muitos tem um desejo de entender por que o mundo é como nós o vemos e como ele se tornou assim. Eles exibem uma curiosidade sobre a realidade. Outras motivações são o reconhecimento pelos seus pares e prestígio, ou o desejo de aplicar o conhecimento científico em benefício da saúde das pessoas, nações, o mundo, a natureza ou indústria. Poucos cientistas visam a riqueza pessoal como motivação de seus esforços científicos.

Cientistas vs EngenheirosEditar

O público em geral frequentemente confunde cientistas e engenheiros, quando os últimos são mais voltados à ciência aplicada. Enquanto os cientistas exploram a natureza para descobrir princípios gerais, os engenheiros aplicam princípios estabelecidos, da matemática e ciência, para desenvolver soluções para problemas técnicos.

Do ponto de vista da forma de trabalho, cientistas, em geral, buscam traduzir algum conhecimento em alguma forma que facilite a sua reprodução por outras pessoas, seja descrevendo algum fenômeno natural e social ou ainda relacionando diferentes partes do conhecimento. Engenheiros por outro lado atuam na instrumentalização do conhecimento, em outras palavras utilizam o conhecimento científico para produzir soluções que atendam alguma necessidade. Desta forma as pessoas que podem utilizar aquele conhecimento sem precisar passar por todo o raciocínio para obtê-lo. Um exemplo disto é o fogão: ao invés de ter que saber toda a química de gases inflamáveis e de como produzir uma faísca, basta apertar um botão para gerar uma chama.

Em razão disto há muitas ocasiões em que uma mesma pessoa pode atuar com os dois papeis: de cientista e de engenheiro. De forma que feitos significativos são obtidos nos dois campos pelo mesmo indivíduo. Cientistas frequentemente executam tarefas de engenharia no projeto de equipamento experimental e a construção de protótipos, e alguns engenheiros fazem pesquisa científica de primeira linha em resposta a alguma necessidade que tiveram.

É comum, engenheiros mecânicos, eletricista, químicos e aeroespaciais a frente da investigação científica de novos fenômenos e materiais. Peter Debye recebeu a graduação em engenharia elétrica e um doutorado em física antes de ganhar um Prêmio Nobel em química. De forma semelhante, Paul Dirac, um dos fundadores da mecânica quântica, começou sua carreira acadêmica como engenheiro eletricista antes de entrar na matemática e física teórica. Claude Shannon, um engenheiro teórico, fundou a teoria da informação moderna.

Referências

  1. Isaac Newton (1678, 1713, 1726). [4] Regras para o estudo da filosofia natural", Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, Terceira edição. O Escólio Geral contendo as quatro regras seguem o Livro 3, O Sistema do Mundo. Reimpresso nas páginas 794-796 da tradução de I. Bernard Cohen e Anne Whitman, de 1999, University of California Press ISBN 0-520-08817-4, 974 págins.
  2. Oxford English Dictionary, 2nd ed. 1989
  3. Nineteenth-Century Attitudes: Men of Science. http://www.rpi.edu/~rosss2/book.html
  4. Friedrich Ueberweg, History of Philosophy: From Thales to the Present Time. C. Scribner's sons v.1, 1887
  5. Steve Fuller, Kuhn VS. Popper: The Struggle For The Soul Of Science. Columbia University Press 2004. Page 43. ISBN 0-231-13428-2
  6. Science by American Association for the Advancement of Science, 1917. v.45 1917 Jan-Jun. Page 274.
  7. Holmes, Richard (2014-10). «In retrospect: On the Connexion of the Physical Sciences». Nature (em inglês). 514 (7523): 432–433. ISSN 1476-4687. doi:10.1038/514432a  Verifique data em: |data= (ajuda)
  8. Baldwin, Melinda. «How 'man of science' was dumped in favour of 'scientist'». The Conversation (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2020 
  9. «William Whewell (1794-1866) gentleman of science». Consultado em 19 de maio de 2007 
  10. Tamara Preaud, Derek E. Ostergard, The Sèvres Porcelain Manufactory. Yale University Press 1997. 416 pages. ISBN 0-300-07338-0 Page 36.

Ver tambémEditar

 
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