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Fernando Coutinho
Cidadania Portugal
Ocupação escritor
Religião Igreja Católica

Fernando Coutinho (?? — Silves, 16 de Maio de 1538)[1] foi um prelado católico português.

BiografiaEditar

Era filho de João da Silva, 4º senhor de Vagos e de sua mulher Branca Coutinho, filha de Fernão Coutinho e de sua mulher Maria da Cunha, 3.ª senhora de Basto.[2]

Sendo prior da igreja do Salvador da vila de Montemor-o-Velho, veio para Dom Prior da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, de Guimarães, pelos anos de 1488, reinando el-rei D. João II de Portugal.[3]

A seguir foi nomeado regedor das justiças[4], depois feito bispo de Lamego, em 1492, transferindo-se em 1502 para a diocese do Algarve, então com em Silves.[5]

Em 1504 uma aventura de amor, com Isabel Vilarinho Caldeira, da qual resultou grande escândalo, forçou-o a renunciar à regedoria. Dela teve Isabel da Silva que mais tarde casou com Rui Pereira da Silva, alcaide-mor de Silves, com descendência.

Segundo Jacinto Peres o Bispo foi um libertino[6].Apesar de Bispo deixou vários filhos de várias mulheres, 6 pelo menos[7]. A sua licenciosidade foi revelada a D. Manuel por Duarte Morais, um moço de camara de origem algarvia. D. Manuel soberano casto e zelador da moral da sua corte, forçou o Bispo a renunciar à regedoria das justiças que o Bispo delegou em seu irmão Aires da Silva[8]

Foi bispo de Lamego (1492-1502) e depois bispo do Algarve (1502-1538), escritor e intelectual de relevo. A sua nobre acção deu origem ao topónimo Vila do Bispo. Afirmação comum, mas que é negada por vários documentos régios que confirmam a existência da Aldeia do Bispo desde pelo menos 1329[9][10][11][12][13]

Como defensor da tolerância religiosa, opôs-se à conversão forçada de judeus e árabes. Escreveu que tanto ele como outros magistrados de sua confiança costumavam absolver os culpados por cripto-judaísmo e cripto-muçulmanismo, não considerando válido o baptismo, para conversão deles em cristãos novos, que tinham recebido contra vontade.[14]

Faleceu no Algarve a 16 de Maio de 1538, estando sepultado na Sé de Silves, onde a sua sepultura pode ser visitada.[1]

Mandou construir o convento e o primeiro farol que existiu no Cabo de São Vicente, Sagres.

Notas

  1. a b Boletim da Direcção dos Monumentos Nacionais, n.º 107 de 1962.
  2. Nobiliário das Famílias de Portugal, Felgueiras Gayo, Carvalhos de Basto, 2.ª Edição, Braga, 1989, vol. IX, pg. 388 (Silvas)
  3. Esteve ausente da mesma durante três anos, ou por causa da peste, que grassara em Guimarães desde 1489 a 1492, ou porque D. João II o ocupara em Lisboa em seu serviço. Foi a este D. Prior, e ao cabido, que el-rei em 1492, a 21 de Julho, confirmara o privilégio de capelães del-rei. - Colegiada da Nossa Senhora da Oliveira, Guimarães - Apontamentos para a sua História, por Padre António José Ferreira Caldas, 2.ª Edição, Guimarães, CMG/SMS, 1996, parte II, pp. 276/294, Casa de Sarmento
  4. Historia geral de Portugal e suas conquistas, Volume 8 ou XXX (e-Livro Google), por Damião António de Lemos Faria e Castro, na Typografia Rollandiana, 1787, pág. 15
  5. Colegiada da Nossa Senhora da Oliveira, Guimarães - Apontamentos para a sua História, por Padre António José Ferreira Caldas, 2.ª Edição, Guimarães, CMG/SMS, 1996, parte II, pp. 276/294, Casa de Sarmento
  6. Peres, Jacinto (1882). Revista Occidente - «Bom Bispo e boas ovelhas». [S.l.]: Hemeroteca de Lisboa- nº 105 de 21 novembro de 1881, página 262 http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1881/N105/N105_master/N105.pdf 
  7. GOUVEIA, Jaime Ricardo T. (2011). Uma Casa: Múltiplos Espaços, Múltiplos Poderes - O PATRIMÓNIO CULTURAL DOS COUTINHOS NO PERÍODO MODERNO. [S.l.]: PDF on line pág.203. pp. https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/36596/1/Uma%20casa%2C%20múltiplos%20espaços%2C%20multiplos%20poderes.pdf 
  8. Ferreira, Anselmo Braamcamp (1927). Livro Segundo dos Brasões da Sala de Sintra - pág.154. Coimbra: Imprensa da Universidade. pp. http://scans.library.utoronto.ca/pdf/9/2/brasesdasalade00braa/brasesdasalade00braa.pdf 
  9. Silva Marques in “Descobrimentos Portugueses” página 320 - Instituto para a Alta Cultura - Lisboa 1944
  10. "A liderança de Silves na região do Algarve nos séculos XIV e XV" - Iria,Alberto - C. M. Silves, 1995.
  11. "A Vila e a Fortaleza de Sagres nos séculos XV a XVIII" - Jordão de Freitas, 1938 ,Instituto para a Alta Cultura- Coimbra 1935
  12. Carta de D. Manuel datada de 1.03.1501 onde o lavrador Pero Vaz morador na Aldeia do Bispo, no termo de Lagos, é perdoado pelo rei, das acusações contra ele feitas de ser descrente em Deus - ANTT Chancelaria de D. Manuel I , Liv. 45 fl. 20V, http://digitarq.arquivos.pt/details?id=3880859
  13. Velhinho, João (2003). Repensar a História de Vila do Bispo. Loulé: Associação de defesa do Património de Vila do Bispo 
  14. A fundação da Inquisição em Portugal: um novo olhar, por Giuseppe Marcocci, Lusitania Sacra. 23 (Janeiro-Junho de 2011) pág.s 24