Fernando de Talavera

Fernando de Talavera
Nascimento 1428
Talavera de la Reina
Morte 14 de maio de 1507 (79 anos)
Granada
Cidadania Espanha
Alma mater Universidade de Salamanca
Ocupação monge jerome, padre católico romano, bispo
Empregador Universidade de Salamanca
Escudo de fray Hernando de Talavera.svg
Religião Igreja Católica

Fernando de Talavera (1428 - 1507) foi um monge jerónimo, prior de Prado, bispo de Ávila e arcebispo de Granada, confessor e conselheiro de Isabel, a Católica, que agiu activamente na política castelhana e na organização do reino de Granada. Foi ainda um escritor, embora menos conhecido, com indubitáveis méritos.

Nasceu de família conversa, como se especificou nas denúncias à Inquisição quando era já o primeiro Arcebispo de Granada, cerca de 1500, em Oropesa (província de Toledo), provavelmente filho de García Álvarez de Toledo, Senhor de Oropesa e de Ayala (falecido depois de 1429), da família de um Mestre da Ordem de Santiago e da bastarda de bastardos afonsinos Leonor Téllez Alfonso de Castilla-Guzmán e de Haro (nascida antes de 1370), pais de um tal Fernando Alvarez de Toledo y Tellez Alfonso de Guzmán, (nascido cerca de 1390 que também poderia ter sido o seu pai biológico) homónimo mais antigo de Fernando Alvarez de Toledo de outra família (os "Alba", ligados com o Arcebispo Gutierre Álvarez de Toledo, mas não com estes últimos) que foi promovido a Conde de Oropesa por Isabel I de Castela em 1475 com quem se confunde frequentemente por homonímia.

Por isso os primeiros cronistas chamaram-no "Frei Hernando de Oropesa". Estudou teologia na Universidade de Salamanca e fez estudos de secretariado em Barcelona. Tinha 30 anos de idade quando ingressou na ordem de São Jerónimo e pouco depois era Prior do Mosteiro do Prado, perto de Valladolid.

Foi confessor da rainha Isabel I de Castela, ainda antes de esta chegar ao trono (1474). De facto, foi o encarregado de supervisionar que os votos de Joana, a Beltraneja, herdeira de Henrique IV de Castela, fossem feitos correctamente, para que não pudessem ser revogados, reavivando a guerra civil que levou Isabel ao trono. Em 1480 actua como árbitro na redução das rendas da nobreza, e consegue fundos para a Guerra de Granada.

Opôs-se à criação da Inquisição, pelo que foi pregar para Sevilha com a ideia de evitar medidas mais duras contra um povo que se tinha convertido ao cristianismo, mas que conhecia pouco e mal essa religião. Depois da chegada dos inquisidores, chega a denunciar os abusos destes.

Até 1486 é ele o bispo de Ávila, administrador apostólico da diocese de Salamanca (1483-1485), e em 1492 primeiro arcebispo de Granada. Ali procede a aplicação de uma política de conversão suave, evitando ameaças e coerções. De facto, impediu que a Inquisição se estabelecesse em Granada. Esta política de mão branda teve um êxito bastante limitado, ganhando inimigos. Em 1499 o Cardeal Cisneros passa a empregar métodos mais enérgicos, forçando as conversões, o que levaria à rebelião dos muçulmanos e mouriscos.

Em 1505, um ano depois da morte da rainha Isabel, o Inquisidor de Córdova, Lucero, manda prender amigos e familiares de frei Fernando, e prepara-lhes um processo. Mas Roma, em concreto o Papa Júlio II (um Médici), defende-o e Cisneros põe em liberdade os seus parentes em 1507. Nesse mesmo ano morre frei Fernando de Talavera.

Parece ter sido um homem rigoroso e austero, interessado na verdadeira espiritualidade. O seu carácter austero levou-o, por exemplo, a criticar a rainha pelos adornos, bailes e corridas de touros celebradas em honra de uma delegação francesa em 1493.

As suas obras reflectem o interesse por ensinar a doutrina cristã de forma prática, como o Tratado sobre o vestir, calçar e comer, um tratado sobre as práticas da época que a seu ver eram pecaminosas. Outras obras suas são:

  • De como hão de viver as monjas de San Bernardo no seu mosteiro de Ávila
  • Muito proveitoso tratado contra o murmurar e dizer mal de outro na sua ausência…
  • Proveitoso tratado de como devemos haver cuidado de despender muito bem o tempo, e em que maneira o havemos de despender para que não se perca algum momento