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Fon-Fon foi uma revista brasileira fundada no Rio de Janeiro, que circulou entre 1907 e 1958.

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História e perfilEditar

A revista Fon-Fon foi concebida por Jorge Schmidt. Tendo como um de seus idealizadores o célebre escritor e crítico de arte Gonzaga Duque, tinha no enfoque dado a ilustração uma de suas principais características. A revista, inclusive, tornou célebres ilustradores como Nair de Tefé, J. Carlos, Raul Pederneiras e K. Lixto e contou, inclusive, com a colaboração do pintor Di Cavalcanti em 1914[1].

O nome da revista, que remete à onomatopeia da buzina dos automóveis, foi desenvolvido pelo cartunista e poeta Emílio de Meneses. Em seu início, a publicação tinha um chofer de nome Fon-Fon como personagem principal, enfatizando a identificação do periódico com os preceitos da modernidade. A intensa utilização de caricaturas coloridas, charges e fotografias, litografia e xilogravura passavam de forma visual essa identificação. De teor agradável, tinha como objetivo provocar risos e trazer alegria aos seus leitores com piadas finas e brincadeiras educadas.[2]

O espectro de temas do periódico passava por hábitos cariocas, como ir aos cafés e aos jogos de futebol; crítica de arte, de cinema e de teatro; atualidades, cinema e literatura; crônica social e sátira política; charadas, curiosidades e jogos; colunismo social e concursos, moda feminina e vida doméstica. Levava aos seus leitores, flagrantes em fotos de artistas, pessoas da alta sociedade carioca, jornalistas brasileiros e estrangeiros, políticos, e as últimas notícias sobre moda e comportamento no exterior.[1]

Em 1915, a Fon-Fon sofreu mudanças em sua propriedade e sua direção. Sérgio Silva passou a ser o detentor do semanário, permanecendo assim até a última edição. O poeta Mário Pederneiras, que acabou sozinho na liderança da publicação, passou a ter ao seu lado Álvaro Moreira - como diretor -, Felipe d’Oliveira, Hermes Fontes, Homero Prates, Olegário Mariano, Paulo Godói, Rodrigo Otávio Filho, Ronald de Carvalho, Rui Pinheiro Guimarães e Ribeiro Couto. O periódico também teve a colaboração de Gustavo Barroso, Mario Sette, Oscar D’Alva, Mario Poppe e Bastos Portela. Correia Dias transformou-se no ilustrador, com participações pontuais de outros artistas, como Di Cavalcanti e Fabian. Nesse momento é possível constatar na revista uma identificação com as ideias do modernismo, influência que se intensificou na década de 1920.[1]

A partir da década de 1930, os espaços representativos para as crônicas sociais e as sátiras políticas começaram a ficar escassos e perderam o vigor que tinham, transferindo o lugar para a figura feminina e para a divulgação de textos de beleza, comportamento, elegância e luxo. Segmentos como Culinária de bom gosto, Conselhos às mães, Páginas do lar, Como ser bela e moldes para roupas figuravam ao lado das notas sobre o cotidiano e dos escritos sobre literatura, da mesma maneira, a fotografia tomou o espaço da ilustração. Dessa forma, desde a Era Vargas, a publicação buscou constituir pautas relacionadas à afirmação de papéis ideais para a mulher. Observa-se também o aumento da utilização de material acerca da infância, invariavelmente de conteúdo disciplinador.[1]

Em 1942, com o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial, grande parte dos textos tornaram a enfatizar o orgulho nacional, o espírito patriótico e guerreiro do brasileiro. Nesse tempo, o esforço para mudar o viés de conteúdo fez com que a Fon-Fon se aproximasse do gênero do fotojornalismo de atualidades.[2] A revista também envolveu-se na campanha das sufragistas em defesa do voto feminino.[1]

Até 1943, recebeu o slogan de "Semanário alegre, politico, crítico e esfusiante”, quando uma mudança editorial alterou este subtítulo para "Uma revista para o lar", indicando o enfoque de seu conteúdo para o universo feminino [3].

Referências

  1. a b c d e Basso, Eliane (2008). Fon-fon! Buzinando a modernidade (PDF). Rio de Janeiro: Secretaria Especial de Comunicação Social/Prefeitura do Rio de Janeiro. Consultado em 5 de abril de 2019 
  2. Dantas, Carolina. «FON FON» (PDF). Centro de Pesquisa e Documentação de História do Brasil Contemporâneo - Fundação Getúlio Vargas 
  3. FRANQUI, R.; Periotto, M.R. «A trajetória de Fon-fon (1907-1958): de semanário ilustrado e crítico à revista para o lar» (PDF). Seminário de Pesquisa do PPE. Consultado em 27 de novembro de 2018 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

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