Gaudêncio de Bréscia

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Gaudêncio de Bréscia (em italiano: San Gaudenzio di Brescia; em latim: Gaudentius) foi bispo de Bréscia entre 387 e 410, sucessor de São Filástrio, teólogo e autor de muitas cartas e sermões.

São Gaudêncio de Bréscia
Nascimento Bréscia 
século IV
Morte  
410
Veneração por Igreja Católica
Festa litúrgica 25 de outubro
Gloriole.svg Portal dos Santos

HistóriaEditar

Gaudêncio estudou com Filástrio e pregou por toda a Itália e no Oriente Médio. Quando seu mentor morreu, por volta de 387, o povo de Bréscia elegeu-o como bispo - pelas evidências, contra sua vontade. Ele estava em peregrinação em Jerusalém na época. A Enciclopédia Católica afirma que "o povo de Bréscia jurou não aceitar nenhum outro bispo que não Gaudêncio; e Santo Ambrósio e outros prelados vizinhos, por conta disso, obrigaram-no a retornar, contra sua vontade. Os bispos do oriente ameaçaram recusar-lhe a comunhão se ele não obedecesse".[1]

Ele foi consagrado por Ambrósio em 387 e um relato de seu discurso na ocasião ainda existe. Nele, Gaudêncio afirma ter trazido consigo relíquias de São João Batista, dos apóstolos, de santos de Mediolano (moderna Milão) e dos Quarenta mártires de Sebaste da Terra Santa, estas últimas entregues a ele pelas sobrinhas de São Basílio, o Grande, em Cesareia na Capadócia. Ele depositou-as todas na basílica batizada de "Concílio/Reunião dos Santos" (em latim: Concilium Sanctorum) e escreveu um sermão especialmente para a inauguração.[1]

Gaudêncio e o arcebispo de Constantinopla João Crisóstomo eram amigos (é possível que tenham se encontrado em Antioquia).[1] Em 405, participou duma delegação enviada pelo papa Inocêncio I e pelo imperador romano do ocidente Honório (r. 395–423) para defendê-lo perante o irmão do primeiro e imperador bizantino Arcádio (r. 395–408) depois que Crisóstomo foi acusado de defender o origenismo, uma doutrina herética, e exilado.[2] Gaudêncio e seus companheiros (dois bispos) tiveram enormes dificuldades e não conseguiram chegar a Constantinopla. Logo no início da jornada, o grupo foi preso em Atenas e enviados para a capital imperial - uma jornada de três dias - sem comida. Porém, não conseguiram permissão para entrar na cidade e ficaram presos na fortaleza de Atira, na Trácia. Uma tentativa de suborná-los para que fossem recebidos por Ático de Constantinopla, o arcebispo que substituiu Crisóstomo, fracassou e um dos membros do grupo se feriu na confusão que se formou depois que oficiais bizantinos tentaram tomar as credenciais do grupo à força.[1]

Depois disso, Gaudêncio e os dois bispos foram colocados a bordo de um navio sem condições de navegar e, acredita-se, o capitão recebeu ordens de naufragá-lo de propósito. Porém, os viajantes chegaram em segurança a Lâmpsaco. De lá, partiram para Itália e chegaram em Otranto depois de vinte dias.[1] Apesar do fracasso da missão, Crisóstomo enviou uma carta a Gaudêncio agradecendo-lhe pelo esforço.[2] Um relato da aventura de quatro meses de Gaudêncio sobreviveu no "Diálogo" (cap. 4) de Paládio da Galácia.

VeneraçãoEditar

Vinte e um tratados, diversas cartas e dez sermões atribuídos a Gaudêncio sobreviveram.[1][2] As relíquias de Gaudêncio foram abrigadas na Igreja de São João (em italiano: San Giovanni) em Bréscia, construída no mesmo local do antigo Concílio dos Santos. Nas peças de altar da igreja, Gaudêncio aparece muitas vezes pintado por artistas brescianos como Moretto, Savoldo e Romanino.

Referências

  1. a b c d e f   "St. Gaudentius" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  2. a b c «Saint Gaudentius» (em inglês). Patron Saints Index. Consultado em 15 de agosto de 2014. Arquivado do original em 20 de abril de 2008 

Ligações externasEditar