Georgios Grivas

Geórgios Grívas, em grego: Γεώργιος Γρίβας (Trikomo, Famagusta, 6 de junho de 1897Limassol, 27 de janeiro de 1974), foi um militar cipriota.

Georgios Grivas
Nascimento 6 de junho de 1897
Nicósia
Morte 27 de janeiro de 1974 (76 anos)
Limassol
Cidadania Chipre, Grécia
Etnia gregos
Alma mater
Ocupação soldado, partisan, biógrafo(a)
Religião Igreja Ortodoxa Grega
Causa da morte insuficiência cardíaca
Assinatura
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Foi chefe da "Organização X" durante a ocupação alemã; constituiu em 1954 o movimento terrorista EOKA, na luta contra os ingleses, onde era conhecido pelo nome de guerra "Digenis" (Διγενής). Tenente-general desde 1959, Grivas comandou a Guarda Nacional de Chipre a partir de 1964.

Grivas era um fervoroso partidário da enosis, união do Chipre com a Grécia.

A EOKA: Organização Nacional de Combatentes CipriotasEditar

Em março de 1950, com o apoio de Makarios III, Grivas regressa ao Chipre como líder da organização clandestina EOKA, que tinha por objectivo forçar a Grã Bretanha a abandonar a ilha cipriota e uni-la à Grécia. "Digenis" foi o nome de guerra escolhido em homenagem a Digenis Akritas, herói lendário das canções populares, membro da elite Akrites, protectora da fronteira do Império Bizantino.

A causa da enosis (união do Chipre com a Grécia) era muito popular na ilha e também na Grécia. A acção da EOKA começou com uma proclamação pública e uma série de ataques-bomba às quatro maiores cidades e às instalações militares inglesas, no dia 1 de abril de 1955.

Grivas dirigiu as primeiras operações a partir do seu esconderijo, em Nicósia, mas depressa o abandonou, mudando-se para as monhanhas de Troodos para conduzir as equipas de guerrilha. Escapou por duas vezes à captura pelas forças militares britânicas em Spilia (Dezembro de 1955) e nas proximidades do Mosteiro de Kikkos (Maio de 1956). Um mês depois, deixou as montanhas e encontrou refúgio em Limassol, a partir de onde dirigiu os aspectos militares e políticos da luta, já que Makarios, em março de 1956, fora expatriado pelas autoridades.

Com panfletos e operações da EOKA, que incluíam manifestações, incursões, sabotagem, bombas, ataques com metralhadora e emboscadas, animou o espírito da população levando homens, mulheres e crianças a actuar em nome da enosis.

As autoridades britânicas responderam com medidas de emergência que incluíram toques de recolha, apreensões, prisão e pena de morte por enforcamento. As tropas inglesas não estavam preparadas para este tipo de guerra e, por isso, estas medidas fracassaram, não conseguindo repor a situação sob controlo.

Uma vez que as suas acções procuravam, não só, a independência mas também a enosis, a EOKA acabou por desencadear a oposição da comunidade turco cipriota (que se recusava a viver num país sob domínio grego) e do governo turco (que não queria que a Grécia ganhasse o controlo do Mediterrâneo Oriental e aproximasse os seus domínios do litoral sul da Anatólia).

A direcção do AKEL, partido comunista do Chipre, acusou a EOKA de atacar os militantes desse partido. Atribuíram estas actividades ao anticomunismo de Grivas e a um esforço da Organização Nacional de Combatentes Cipriotas para limitar a influência do partido. Os veteranos da EOKA negaram estas acusações, acrescentando que a organização atacou somente os traidores e colaboradores cujas actividades comprometeram directamente os combatentes da EOKA ou minaram a luta armada.

A reacção turca e turco cipriota à EOKA e à enosis foi expressa pela fundação da organização subterrânea TMT (Organização de Resistência Turca) e da ideia de taksim (divisão da ilha em duas porções separadas: a greco cipriota e a turco cipriota).

As negociações iniciais entre a Grécia, o Reino Unido e a Turquia, que posteriormente incluíram os representantes do lado greco cipriota e turco cipriota, conduziram à criação de um Estado independente em 1960, a República do Chipre.

Com a assinatura dos Tratados de Zurique e de Londres, em 1959, e a declaração do Chipre como Estado independente, Grivas recusou o cessar-fogo, uma vez que o objectivo da organização (a enosis) não tinha sido alcançado.

Em março de 1959, Digenis saiu do seu esconderijo e mudou-se para Atenas, onde o receberam como um herói e foi distinguido com as mais altas condecorações pelo Parlamento grego e a Academia de Atenas.

Referências geraisEditar

  • Grivas Georgios-Digenis, Apomnimoneumata Agonos E.O.K.A. 1955-59, Athens 1961.
  • Grivas Georgios-Digenis, Crhonikon Agonos E.O.K.A. 1955059, Nicosia 1972
  • Grivas George, General Grivas on Guerrilla Warfare. Translated by A. A. Palis, New York, N.Y., U.S.A., Praeger, 1965
  • Grivas George, Guerrilla warfare and EOKA's struggle: a político-military study. (Translated by A. A. Pallis). London, G.B.: Longmans, Green, 1964
  • Grivas George, The Memoirs of General Grivas. Edited by Charles Foley, New York, Frederick A. Praeger, 1965
  • Leonidas Leonidou F., Georgios Grivas Digenis, Viografia, Volume A, (1897-1950), [Cyprus 1995]
  • Leonidas Leonidou F., Georgios Grivas Digenis, Viografia, Volume B, (1950-1959), Nicosia 1997
  • Papageorgiou Spyros, O Grivas kai i "X", To Chameno Archeio, Athens 2004
  • «TyposOnline - EOKA» 

Ligações externasEditar