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Gliese 86
Dados observacionais (J2000)
Constelação Eridanus
Gliese 86 A
Asc. reta 02h 10m 25,9475s[1]
Declinação -50° 49′ 25,522″[1]
Magnitude aparente 6,114 ± 0,005[2]
Gliese 86 B
Asc. reta 02h 10m 26,20s[3]
Declinação -50° 49′ 25,0″[3]
Magnitude aparente 13,2[2]
Características
Tipo espectral K0V + DQ6[4]
Cor (U-B) 0,44[5]
Cor (B-V) 0,82[5]
Astrometria
Velocidade radial 57,0 km/s[1]
Mov. próprio (AR) 2124,85 mas/a[6]
Mov. próprio (DEC) 638,09 mas/a[6]
Paralaxe 92,7042 ± 0,0454 mas[6]
Distância 35,1825 ± 0,0172 anos-luz
10,7870 ± 0,0053 pc
Magnitude absoluta 5,95 ± 0,10 (visual)
5,67 ± 0,05 (bolométrica)[2]
Detalhes
Idade 10 ± 1 bilhões[2] de anos
Gliese 86 A
Massa 0,83 ± 0,05[2] M
Raio 0,79 ± 0,03[2] R
Gravidade superficial log g = 4,56 ± 0,10 cgs[2]
Luminosidade 0,42 L
Temperatura 5180 ± 80[2] K
Metalicidade [Fe/H] = -0,27 ± 0,07[2]
Rotação v sin i = 2,0 ± 1,0 km/s[2]
Gliese 86 B
Massa 0,49 ± 0,02[2] M
Raio 0,01245 ± 0,0015[4] R
Gravidade superficial log g = 8,02 ± 0,02 cgs[4]
Temperatura 8180 ± 120[4] K
Outras denominações
CD-52 532, GJ 86, HR 637, HD 13445, HIP 10138, SAO 232658.[1]
Gliese 86
Eridanus constellation map.png

Gliese 86 (GJ 86) é uma estrela na constelação de Eridanus. Tem uma magnitude aparente visual de 6,11,[2] sendo visível a olho nu em excelentes condições de visualização. De acordo com sua paralaxe, medida com precisão pela sonda Gaia, é uma estrela próxima a uma distância de apenas 35,18 anos-luz (10,79 parsecs) da Terra.[6] Fez sua maior aproximação ao Sol há cerca de 36 mil anos, quando chegou a uma distância mínima de 31,5 anos-luz (9,67 parsecs) do Sol.[7]

Este é um sistema binário composto por uma estrela de classe K da sequência principal primária e uma anã branca secundária. Em 1998, o Observatório Europeu do Sul anunciou a descoberta de um planeta extrassolar massivo orbitando a estrela primária.[8]

Componentes estelaresEditar

O componente primário do sistema, Gliese 86 A, é uma estrela de classe K da sequência principal com um tipo espectral de K0V,[4] sendo semelhante ao Sol porém menor e menos brilhante, com 83% da massa solar, 79% do raio solar e 42% da luminosidade solar. Tem uma temperatura efetiva na sua fotosfera de aproximadamente 5 200 K e uma velocidade de rotação projetada de 2 km/s.[2]

Sua estrela companheira, Gliese 86 B, foi inicialmente detectada como uma tendência linear na velocidade radial da primária, uma vez que o movimento orbital do planeta foi retirado.[9] A proximidade do sistema motivou sua detecção direta, e em 2001 observações infravermelhas revelaram um objeto a uma separação de 1,7 segundos de arco da primária, que inicialmente suspeitou-se ser uma anã marrom com 70 massas de Júpiter, insuficiente para explicar a tendência na velocidade radial.[10] Observações subsequentes detectaram o movimento orbital desse objeto e mostraram que ele é uma anã branca, já que seu espectro não apresenta sinais de absorção molecular que são típicos das anãs marrons. Uma anã branca com massa de cerca de 0,5 massas solares é consistente com a variação na velocidade radial.[11][12]

O arco de observação da órbita de Gliese 86 B, de 11,5 anos, é pequeno demais para a determinação dos parâmetros orbitais. Como base na fração limitada da órbita observada, estima-se que ela tenha um período de 120 a 481 anos, excentricidade entre 0,00 e 0,61, semieixo maior entre 27,8 e 69,8 UA e uma inclinação próxima de 120°.[4]

Ao contrário da maioria das estrelas que possuem planetas gigantes, Gliese 86 A tem um baixo conteúdo metálico, possuindo apenas 54% da proporção solar de ferro. A baixa metalicidade junto com um uma alta velocidade espacial, representada por (U, V, W) = (-87, -68, -20) km/s, indicam que Gliese 86 tem uma alta idade de cerca de 10 bilhões de anos, pertencendo à transição entre o disco fino e o disco espesso da Via Láctea. Estima-se que o progenitor da anã branca tinha originalmente uma massa de 1,11 massas solares, tendo passado 8 bilhões de anos na fase de sequência principal, então 0,7 bilhões de anos como uma gigante (quando perdeu boa parte de sua massa) e 1,25 bilhões de anos como anã branca, período em que esfriou até sua temperatura atual de 8 200 K.[2]

Sistema planetárioEditar

Em 1998, o Observatório Europeu do Sul anunciou a descoberta de um planeta extrassolar massivo orbitando Gliese 86 A.[8] A descoberta foi feita com espectroscopia Doppler a partir de observações pelo espectrógrafo CORALIE, montado no Telescópio Leonhard Euler, no Observatório de La Silla. A velocidade radial da estrela apresenta uma grande variação periódica com uma semiamplitude de 380 m/s, correspondendo ao movimento orbital causado por um planeta próximo, mais uma tendência linear de 131 m/s por ano causada por Gliese 86 B.[9]

O planeta é um Júpiter quente com uma massa mínima de 3,9 vezes a massa de Júpiter. Está orbitando próximo da estrela a uma distância de apenas 0,11 UA, levando 15,76 dias para completar uma órbita. Sua órbita é quase circular com uma excentricidade de 0,04.[13]

Um estudo dinâmico mostrou que, na configuração atual do sistema, a existência de planetas estáveis na zona habitável de Gliese 86 A é possível. No entanto, a evolução de Gliese 86 B pela fase de gigante e a migração do planeta massivo até sua posição atual podem representar dois problemas para a existência de planetas habitáveis no sistema.[14]

O sistema Gliese 86 [13]
Planeta Massa Semieixo maior
(UA)
Período orbital
(dias)
Excentricidade
b 3,91 ± 0,32 MJ 0,1130 ± 0,0065 15,76491 ± 0,00039 0,0416 ± 0,0072

Referências

  1. a b c d «HD 13445 -- High proper-motion Star». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 21 de novembro de 2017 
  2. a b c d e f g h i j k l m n Fuhrmann, K.; Chini, R.; Buda, L.-S.; Pozo Nuñez, F. (abril de 2014). «On the Age of Gliese 86». The Astrophysical Journal. 785 (1): artigo 68, 4. Bibcode:2014ApJ...785...68F. doi:10.1088/0004-637X/785/1/68 
  3. a b «HD 13445B -- White Dwarf». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 22 de novembro de 2017 
  4. a b c d e f Farihi, J.; et al. (março de 2013). «Orbital and evolutionary constraints on the planet hosting binary GJ 86 from the Hubble Space Telescope». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 430 (1): 652-660. Bibcode:2013MNRAS.430..652F. doi:10.1093/mnras/sts677 
  5. a b Cousins, A. W. J. (1973). «UBV Photometry of Some Southern Stars (Third List)». Monthly Notes of the Astron. Soc. Southern Africa. 32. 43 páginas. Bibcode:1973MNSSA..32...43C 
  6. a b c d Gaia Collaboration: Brown, A. G. A.; Vallenari, A.; Prusti, T.; de Bruijne, J. H. J.; et al. (2018). «Gaia Data Release 2. Summary of the contents and survey properties». Astronomy & Astrophysics. 616: A1, 22 pp. Bibcode:2018A&A...616A...1G. arXiv:1804.09365 . doi:10.1051/0004-6361/201833051.  Catálogo Vizier
  7. Bailer-Jones, C. A. L. (março de 2015). «Close encounters of the stellar kind». Astronomy & Astrophysics. 575: A35, 13 pp. Bibcode:2015A&A...575A..35B. doi:10.1051/0004-6361/201425221 
  8. a b «Extrasolar Planet in Double Star System Discovered from La Silla» (em inglês). Observatório Europeu do Sul. 24 de novembro de 1998. Consultado em 18 de janeiro de 2016 
  9. a b Queloz, D.; et al. (fevereiro de 2000). «The CORALIE survey for southern extra-solar planets. I. A planet orbiting the star Gliese 86». Astronomy and Astrophysics. 354: 99-102. Bibcode:2000A&A...354...99Q 
  10. Els, S. G.; et al. (abril de 2001). «A second substellar companion in the Gliese 86 system. A brown dwarf in an extrasolar planetary system». Astronomy and Astrophysics. 370: L1-L4. Bibcode:2001A&A...370L...1E. doi:10.1051/0004-6361:20010298 
  11. Mugrauer, M.; Neuhäuser, R. (julho de 2005). «Gl86B: a white dwarf orbits an exoplanet host star». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters. 361 (1): L15-L19. Bibcode:2005MNRAS.361L..15M. doi:10.1111/j.1745-3933.2005.00055.x 
  12. Lagrange, A.-M.; Beust, H.; Udry, S.; Chauvin, G.; Mayor, M. (dezembro de 2006). «New constrains on Gliese 86 B. VLT near infrared coronographic imaging survey of planetary hosts». Astronomy and Astrophysics. 459 (3): 955-963. Bibcode:2006A&A...459..955L. doi:10.1051/0004-6361:20054710 
  13. a b Butler, R. P.; et al. (julho de 2006). «Catalog of Nearby Exoplanets». The Astrophysical Journal. 646 (1): 505-522. Bibcode:2006ApJ...646..505B. doi:10.1086/504701 
  14. Funk, B.; Pilat-Lohinger, E.; Eggl, S. (abril de 2015). «Can there be additional rocky planets in the Habitable Zone of tight binary stars with a known gas giant?». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 448 (4): 3797-3805. Bibcode:2015MNRAS.448.3797F. doi:10.1093/mnras/stv253 

Ligações externasEditar