Go-Mizunoo

imperador japonês

Go-Mizunoo (後水尾? 15961680) foi o 108º imperador do Japão, na lista tradicional de sucessão.[1] Pertencia ao Ramo Jimyōin-tō da Família Imperial. Seu reinado abrangeu os anos de 1611 a 1629.

Go-Mizunoo
Imperador do Japão
Reinado 9 de maio de 1611
a 22 de dezembro de 1629
Entronamento 23 de maio de 1611
Predecessor Go-Yōzei
Sucessora Meishō
Xogum Tokugawa Hidetada (1611–23)
Tokugawa Iemitsu (1623–29)
 
Nascimento 29 de junho de 1596
Morte 11 de setembro de 1680 (84 anos)
Nome de nascimento Kotohito (政仁?)
Esposa Tokugawa Masako
Descendência Okiko, Imperariz Meishō
Yoshiko
Ume
Tsuguhito, Imperador Go-Kōmyō
Syuchō
Teruko, Princesa Ake
Nagahito, Imperador Go-Sai
Yasuhito
Tsuneko
Satohito, Imperador Reigen
e outros
Casa Casa Imperial do Japão
Pai Go-Yōzei
Mãe Konoe Sakiko
Religião Xintoísmo

Go-Mizunoo conseguiu um relacionamento próximo com quatro das cinco casas regentes. Os lideres de duas casas importantes eram seus irmãos: Ichijō Akiyoshi e Konoe Nobuhiro, alem disso duas de suas filhas se casaram com líderes dos ramos Nijō e Takatsukasa.[2]

VidaEditar

Antes de ascender ao Trono do Crisântemo, seu nome pessoal era príncipe Kotohito, o terceiro filho do imperador Go-Yōzei. Sua mãe foi Konoe Sakiko, filha de Konoe Sakihisa, que mais tarde adotou o nome budista de Chūkamon'in.[3]

O príncipe Kotohito tornou-se imperador quando seu pai abdicou em 1611. A sucessão foi recebida pelo novo monarca e, logo em seguida, foi proclamado imperador Go-Mizunoo. O jovem imperador tinha 16 anos.[4]

Em 1614 ocorre o Cerco de Osaka. O xogum Tokugawa Hidetada venceu Toyotomi Hideyori e manda atear fogo no Castelo de Osaka, logo depois inicia o inverno e as tropas shogunais retornam para Edo, sede do Xogunato Tokugawa. A batalha volta a reiniciar no verão de 1615 quando Tokugawa Ieyasu e seu filho o Hidetada, marcharam novamente para o Castelo de Osaka. Hideyori comete seppuku. No entanto, seu corpo nunca foi encontrado. Havia rumores de que ele fugiu para a Província de Satsuma, onde havia preparado um refúgio com antecedência.[4]

Em 6 de janeiro de 1616 um mês após o Cerco de Osaka, Ieyasu morre em Suruga devido a infecção dos ferimentos na batalha e foi enterrado em Nikko Toshogu.[5] Em 25 de setembro de 1617 o imperador aposentado Go-Yōzei veio a falecer.

Em 1620, Tokugawa Masako, filha de Hidetada, foi levada ao palácio como consorte do imperador; e o casamento foi celebrado com grande pompa, mais tarde passou a utilizar o nome budista de Tōfukumon-in.[6] Tokugawa Iemitsu, filho de Hidetada, veio à corte de Go-Mizunoo em 1623 para ser nomeado o terceiro xogum.[7]

Em 1627 ocorreu o chamado Incidente do Robe Púrpura (事件事件 shi-e jiken?) onde Go-Mizunoo foi acusado de ter concedido vestes púrpuras a mais de dez sacerdotes, apesar do edito do xogum que o proibia a realizar este ato por dois anos (provavelmente a fim de romper o vínculo que existia entre Go-Mizunoo e círculos religiosos). O xogunato interveio, tornando inválida a concessão das vestes. Os sacerdotes que foram agraciados pelo imperador foram exilados pelo bakufu.[8]

Em 22 de dezembro de 1629, Go-Mizunoo abdica ao Trono do Crisântemo em favor de sua filha, a princesa Okiko, no mesmo dia em que os sacerdotes do Incidente do Robe Púrpura foram para o exílio. Okiko se tornou a imperatriz Meishō. Pelo resto de sua longa vida, Go-Mizunoo concentrou-se em vários projetos arquitetônicos, dos quais talvez o mais conhecido seja o magnífico jardim japonês da Shugaku-in Rikyū.[1]

O ex-imperador Go-Mizunoo veio a falecer em 11 de setembro de 1680 e passou a ser consagrado em Sennyu-ji em Higashiyama-ku, Quioto, onde está localizado seu mausoléu (misasagi) que foi nomeado Tsukinowa no misasagi.

Referências

  1. a b Agência da Casa Imperial: Go-Mizunoo-tennō (em japonês)
  2. Anna Beerens, Mark Teeuwen; Uncharted Waters: Intellectual Life in the Edo Period (em inglês) BRILL, 2012 p.165 ISBN 9789004216730
  3. Rowley, G. G. (2015). «The Princess Nun: Bunchi, Buddhist Reform, and Gender in Early Edo Japan by Gina Cogan (review)». Monumenta Nipponica (em inglês). 70 (2): 306–309. ISSN 1880-1390. doi:10.1353/mni.2015.0025 
  4. a b Klaproth, Julius von (1834). Annales des empereurs du Japon (em francês). [S.l.]: Oriental Translation Fund, p. 410-411 
  5. «Ieyasu». Encyclopedia.com. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  6. Graham, Patricia Jane (2007). Faith and Power in Japanese Buddhist Art, 1600-2005 (em inglês). [S.l.]: University of Hawaii Press, p. 46. ISBN 9780824831912 
  7. Munenori, Yagyu (2012). The Life-Giving Sword:. Secret Teachings from the House of the Shogun (em inglês). [S.l.]: Shambhala Publications, p. XXXV. ISBN 9781590309902 
  8. Baroni, Helen Josephine (2000). Obaku Zen:. The Emergence of the Third Sect of Zen in Tokugawa, Japan (em inglês). [S.l.]: University of Hawaii Press, p. 169. ISBN 9780824822439