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Gustave Rumbelsperger
Membros da Comissão Científica para observação da Passagem de Vênus pelo Disco Solar. Da esquerda para a direita: Dr. Luiz Cruls, 2º Tenente Carlos Castilhos Midosi, Almirante Luiz Saldanha da Gama, Naturalista Gustave Rumbelsperger e o 2º Tenente Eduardo Ernesto Midosi
Nascimento 5 de agosto de 1814
Salins-Les-Bains, Jura, França
Morte 25 de outubro de 1892 (78 anos)
Flamengo, Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade França Francês
Assinatura
Assinatura de Gustave Rumbelsperger.png
Campo(s) Naturalista

Gustave Rumbelsperger (Salins-Les-Bains, Jura, Primeiro Império Francês, 5 de agosto de 1814Flamengo, Rio de Janeiro, Brasil, 25 de outubro de 1892) foi um naturalista francês que participou da fundação da colônia Teresa Cristina e de expedições pelo rio Ivaí. Foi um grande amigo de Dom Pedro II, Ladislau Netto, Luís Filipe de Saldanha da Gama e do Dr. Jean Maurice Faivre.

Índice

BiografiaEditar

Gustave Rumbelsperger nasceu em 5 de agosto de 1814 na cidade de Salins-Les-Bains, na província de Jura, durante o Primeiro Império Francês. Filho do Capitão do Exército Francês e Oficial da Legião de Honra, Joseph Achilles Rumbelsperger (1773-1828) e de Cécile Jeanne Louise Taulois (1786-1826), irmã do engenheiro Pierre Louis Taulois. Por volta de 1829 Gustave estudou em Châlons-en-Champaigne, onde havia uma “Ecole impériale des Arts et Métiers”, que era sistema de ensino criado por Napoleão a fim de dar noções de técnicas de engenharia. Com a morte prematura de seus pais, vai morar em Paris, na companhia de um tutor chamado Edouard Thourout, amigo de seu pai. Em 1831, em seus 17 anos, viaja para o Império do Brasil. Desembarca, provavelmente em São Paulo, onde conhece a enfermeira Tomazia Maria de Carvalho, com quem se casa e tem dois filhos: Paulo, em 1835 e Eugênio, em 1839. É desconhecido o motivo da separação do casal. Gustave se estabelece por 6 anos em Belo Horizonte, mas é recomendado por seu tio Pierre a estudar engenharia numa faculdade na Filadélfia, nos Estados Unidos da América. Depois de 3 anos, em 1840, Gustave retorna e vai trabalhar como engenheiro naval no Arsenal da Marinha da Corte. Foi nesse momento em que colaborou na produção da carta da província do Rio de Janeiro de 1840. Em 1842, o Imperador Dom Pedro II incumbiu Gustave de ir ao Paraná auxiliar o Dr. Jean Maurice Faivre a fundar a Colônia Teresa Cristina.

A colôniaEditar

Os projetos da "Vila Agrícola Teresa Cristina" só começaram a sair do papel em 1847. Seu nome foi em homenagem da Imperatriz Teresa Cristina, que também foi quem aprovou a criação da Colônia. O grupo de franceses que vieram para colonizar a região limparam a mata, construíram as primeiras moradias e prepararam o terreno para o plantio de café, baunilha, algodão, milho, trigo e cana-de-açúcar. Os moradores residiam ao lado direito do rio Ivaí, que hoje pertence a Cândido de Abreu; do lado esquerdo, onde hoje é Prudentópolis, plantavam. Faivre escreveu avisos para disciplinar o uso da terra e a convivência entre os moradores. Mas grande parte de seus conterrâneos não se adaptaram ao sistema e abandonaram o local em aproximadamente um ano. Mesmo com a debandada, Faivre seguiu firme na proposta de implantar uma sociedade igualitária, sem espaço para escravidão e individualismo. Apesar de não se denominar socialista ou anarquista, Faivre foi um dos precursores em colocar esses ideais na prática. Cerca de 100 brasileiros ajudaram a construir a colônia. Ali, todos deveriam trabalhar em prol do espírito solidário. Para ele, com as pessoas atuando unidas, as necessidades seriam supridas sem que um fosse mais rico que outro. Por 11 anos, Faivre e Gustave lideraram uma utopia testada na prática. Ela acabou com sua morte, em agosto de 1858, aos 63 anos. Gustave se torna diretor da Colônia após a morte do Dr. e tentar reerguer a Colônia, fazendo-a prosperar, seguindo o desejo do finado amigo. Mas a Colônia começa a ficar abandonada e, por oportunidade de trabalho, Gustave abdica do cargo em novembro de 1870 e se retira da Colônia.

FamíliaEditar

 
À esquerda, Ernesto de Andrade Rumbelsperger (1860-1930), filho e auxiliar de Gustave. À esquerda, Leopoldo (1866-1939), Oficial de Justiça e irmão de Ernesto

Em 1857, Gustave procurava constituir família no Brasil, com uma mulher genuinamente brasileira. Nesse ano, se casa com uma moça chamada Margarida de Andrade Camargo, filha do senhor Antônio de Andrade Camargo e sua esposa, Florisbela Maria. Gustave e Antônio entram em um acordo para que tenha um casamento. Então, naquele ano, Gustave aos seus 43 anos, se casa com Margarida, que está aos seus 18 anos de idade. Ao que parece, tiveram um casamento feliz. Cerca de dois anos depois, em 1859, o casal tem sua primeira filha: Laurinda. Depois tem mais 4 filhos: Ernesto, Rodolpho, Leontina e Leopoldo. Com a abdicação de Gustave como diretor da Colônia em 1870, a família se muda para Buenos Aires por 9 meses, pois Gustave foi encarregado de instalar novos trilhos de trem pela cidade. Depois desse determinado tempo, retorna ao Rio de Janeiro para lá se radicar até o fim de sua vida.

A Expedição do Dr. Luiz CrulsEditar

 
Pintura da Corveta "Parnahyba", utilizada na Expedição.

Em 1882, o Dr. Luís Cruls, devido aos seus conhecimentos de botânica e engenharia, convida Gustave para se juntar a uma expedição, para observar a Passagem de Vênus pelo Disco Solar. A expedição contava com a presença dos irmãos Midosi e do Capitão Luiz Filipe de Saldanha da Gama. Para essa expedição, o Imperador empresta a corveta "Parnahyba" para se realizar a Expedição. O destino dos senhores era Punta Arenas, onde se observaria a passagem de Vênus. Gustave levou seu filho Ernesto Rumbelsperger (1860-1930) para ser seu auxiliar. Para chegar ao Chile, passaram por Buenos Aires e pela Patagónia, onde pararam para explorar. Lá, se depararam com os índios Fueginos, com novas espécies de plantas e animais. Gustave ficou maravilhado com tudo que encontrou na Patagónia e recolheu amostras para levar ao Brasil. Ao chegar em Punta-Arenas, Gustave se afasta do grupo com seu filho para fazer o reconhecimento da área, observação das estrelas e realizar seus maravilhosos quadros. Foi quando ocorreu seu acidente que lhe quebrou 2 costelas. Mas isso não o impediu de realizar suas pesquisas. Depois de uma expedição bem sucedida, ao retornar ao Brasil, em 1883, na presença do Barão de Tefé, Gustave é nomeado Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa. E, em 1 de abril de 1884, Dom Pedro II nomeia Gustave como naturalista-viajante do Museu Nacional. E, no final do século XIX e do Império do Brasil, foi um dos maiores naturalistas que o Museu Nacional teve, tendo até trazido o esqueleto de uma baleia para o Museu. A gestão do Museu na época que Gustave trabalhava era de Ladislau Netto, de quem também virou um grande amigo.

Morte e LegadoEditar

Gustave Rumbelsperger morre em 25 de outubro de 1892, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, de um acesso álgido, por volta de 1 e 2 da manhã. Deixou 1 esposa e 4 filhos vivos, pois Rodolpho morreu em 1888, no Paraná. Hoje em dia, existe numerosa descendência sua, que se orgulha de sua história e tem orgulho do sobrenome. Mesmo não tendo deixado riquezas ou objetos de valor, deixou sua marca na história, mesmo que ninguém se lembre dela. No Paraná, existem inúmeros descendentes, por sua filha Leontina (1864-1907), gêmea de Rodolpho, que não carregam o sobrenome. Muitos desses descendentes ajudaram a desenvolver e criar novas cidades, como Ary Borba Carneiro, primeiro prefeito de Cândido de Abreu. Gustave recebeu uma homenagem em uma Travessa em Realengo, chamada Travessa Rumbelsperger. Ela foi feita por seu filho Ernesto, que se tornou agrimensor.

Referências