Henry Temple, 3.º Visconde Palmerston

Henry John Temple, 3º Visconde Palmerston (Londres, 20 de outubro de 1784 — Hatfield, 18 de outubro de 1865), também chamado Lorde Palmerston, foi um estadista britânico, que serviu duas vezes como Primeiro-ministro do Reino Unido em meados do século XIX.[1] Palmerston dominou a política externa britânica durante o período de 1830 a 1865, no auge do poder imperial da nação. Ele serviu o país em cargos públicos praticamente de forma ininterrupta de 1807 até sua morte em 1865. De fato, Palmerston começou sua carreira parlamentar no partido Tory, antes de se mudar para os Whig em 1830 e depois se tornou o primeiro líder do seu país do Partido Liberal, em 1859. Durante boa parte do seu governo, ele desfrutou de boa popularidade com o povo britânico. O biógrafo David Brown argumentou que "uma parte importante do apelo de Palmerston estava em seu dinamismo e vigor."[2]

O Muito Honorável
O Visconde Palmerston
KG GCB PC
Primeiro-Ministro do Reino Unido
Período 12 de junho de 1859
a 18 de outubro de 1865
Monarca Vitória
Antecessor(a) O Conde de Derby
Sucessor(a) O Conde Russell
Período 6 de fevereiro de 1855
a 19 de fevereiro de 1859
Monarca Vitória
Antecessor(a) O Conde de Aberdeen
Sucessor(a) O Conde de Derby
Secretário de Estado para os
Assuntos Internos
Período 28 de dezembro de 1852
a 6 de fevereiro de 1855
Monarca Vitória
Antecessor(a) Spencer Horatio Walpole
Sucessor(a) Sir George Grey, Bt.
Secretário de Estado para os
Assuntos Estrangeiros
Período 6 de julho de 1846
a 26 de dezembro de 1851
Monarca Vitória
Antecessor(a) O Conde de Aberdeen
Sucessor(a) O Conde Granville
Período 18 de abril de 1835
a 2 de setembro de 1841
Monarcas Guilherme IV (1835–1837)
Vitória (1837–1841)
Antecessor(a) O Duque de Wellington
Sucessor(a) O Conde de Aberdeen
Período 22 de novembro de 1830
a 15 de novembro de 1834
Monarca Guilherme IV
Antecessor(a) O Conde de Aberdeen
Sucessor(a) O Conde Granville
Dados pessoais
Nome completo Henry John Temple
Nascimento 20 de outubro de 1784
Londres, Reino da Grã-Bretanha
Morte 18 de outubro de 1865 (80 anos)
Hatfield, Hertfordshire,
Reino Unido
Progenitores Mãe: Mary Mee
Pai: Henry Temple
Alma mater Universidade de Edimburgo
Universidade de Cambridge
Esposa Emily Lamb (1839–1865)
Partido Tory (1806–1830)
Whig (1830–1859)
Liberal (1859–1865)
Assinatura Assinatura de Henry Temple, 3.º Visconde Palmerston

Henry Temple sucedeu seu pai do Pariato da Irlanda (que não deu a ele um assento na Câmara dos Lordes, tornando ele elegível para a Câmara dos Comuns) como 3º Visconde Palmerston em 1802. Ele se tornou um parlamentar pelo partido Tory em 1807. De 1809 a 1828 ele foi Secretário de Guerra, organizando as finanças do exército. Quando George Canning se tornou primeiro-ministro em 1827, o cargo de Palmerston foi elevado a posição de gabinete, mas ele renunciou um ano mais tarde. De forma intermitente, de 1830 a 1834, de 1835 a 1841 e de 1846 a 1851, ele serviu como Secretário de Relações Exteriores. Nesse cargo, Palmerston respondeu a várias crises e situações pela Europa.[3][4]

Em 1852, George Hamilton-Gordon, Conde de Aberdeen, se tornou primeiro-ministro ao formar um governo de coalizão. Um grupo de dissidentes dentro do governo exigiu que Lorde John Russell fosse nomeado Secretário do Exterior, forçando Palmerston a tomar o cargo de Secretário para Assuntos Internos. Nesta posição, Palmerston aprovou várias reformas sociais, embora ele se opusesse à reformas eleitorais. Quando a coalizão de governo de Aberdeen ruiu em 1855 a respeito da situação na Guerra da Crimeia, Palmerston era o único que podia conseguir apoio no Parlamento para formar um governo e então se tornou primeiro-ministro. Ele ficou neste cargo por dois períodos, de 1855 a 1858 e 1859 a 1865, até sua morte aos 80 anos, alguns meses após a vitória na eleição daquele ano que aumento sua maioria no Parlamento. Até os dias atuais, ele é o único primeiro-ministro britânico a morrer ainda no cargo.[5]

Palmerston controlava a opinião pública ao estimular ideias do nacionalismo britânico. Embora a Rainha Vitória e a maioria da liderança política não confiava nele, Palmerston era apoiado pela imprensa e pela população em geral, que costumavam chamar ele de "Pam". Sua alegada fraqueza incluía sua inabilidade de lidar com assuntos pessoais e suas desavenças com a rainha sobre o dever da Coroa em política externa.[6]

Historiadores colocam Palmerston como um dos melhores Secretários do Exterior devido a forma como ele lidou com várias crises, seu comprometimento com o equilíbrio de poder na Europa e no Mundo (que forneceu à Grã-Bretanha uma agência decisiva em muitos conflitos), suas habilidades analíticas e seu comprometimento em defender os interesses do Reino Unido.[7][8] Suas políticas em relação à Índia, China, Itália, Bélgica e Espanha tiveram consequências benéficas extensas e duradouras para a Grã-Bretanha. As consequências de suas políticas para a França, o Império Otomano e os Estados Unidos foram mais efêmeras, especialmente com este último, já que Palmerston considerou intervir na Guerra Civil Americana, mas não o fez, preferindo focar em assuntos europeus e não se associar com escravidão.[9][10][11][12]

Referências

  1. «Lord Palmerston – Prime minister of United Kingdom». Encyclopædia Britannica. Consultado em 29 de maio de 2021 
  2. David Brown, Palmerston: A Biography (2010) p. 473.
  3. Ridley, pp. 105–153.
  4. James Ewing Ritchie (1866). The life and times of viscount Palmerston. [S.l.: s.n.] p. 648 
  5. Ridley, p. 403-414.
  6. Paul Hayes, Modern British Foreign Policy: The Nineteenth Century 1814–80 (1975) p. 108.
  7. Algernon Cecil, British Foreign Secretaries, 1807–1916 (1927), p. 139
  8. David Steele, Palmerston and Liberalism, 1855–1865 (Cambridge University Press, 1991).
  9. Ridley, Lord Palmerston (1970) pp. 437-53
  10. Chris Williams, ed., A Companion to 19th-Century Britain (2006). p. 42
  11. Ridley, p. 554–559.
  12. Kenneth Bourne, The Foreign Policy-of Victorian England 1830–1902 (1970) p. 108.

BibliografiaEditar

  • Bell, H.C.F. Lord Palmerston (2 vol 1936) vol 1 online; também vol 2 online
  • Bell, Herbert C. "Palmerston and Parliamentary Representation." Journal of Modern History 4.2 (1932): 186–213. JSTOR 1871668
  • Bailey, Frank E. "The Economics of British Foreign Policy, 1825-50." Journal of Modern History 12.4 (1940): 449–484. online
  • Bourne, Kenneth (1970). The foreign policy of Victorian England, 1830–1902. [S.l.]: Clarendon Press 
  • Bourne, Kenneth (1961). «The Clayton-Bulwer Treaty and the Decline of British Opposition to the Territorial Expansion of the United States, 1857–60». Journal of Modern History. 33 (3): 287–291. JSTOR 1876138. doi:10.1086/238848 
  • Brown, David. "Lord Palmerston" Historian (Winter 2002) 76:33–35; historiography
  • Brown, David (2010). Palmerston. [S.l.]: Yale UP. ISBN 978-0-300-11898-8. JSTOR j.ctt5vks3x 
  • Brown, David (2002). Palmerston and the politics of foreign policy, 1846–55 (PDF). 1998 PhD dissertation version. [S.l.]: Manchester University Press. Cópia arquivada (PDF) em 29 de novembro de 2014 
  • Brown, David. "Palmerston and Anglo–French Relations, 1846–1865." Diplomacy and Statecraft 17.4 (2006): 675–692.
  • Brown, David (2001). «Compelling but not Controlling?: Palmerston and the Press, 1846–1855». History. 86#201 (281): 41–61. doi:10.1111/1468-229X.00176 
  • Brown, David (2001). «The Power of Public Opinion: Palmerston and the Crisis of December 1851». Parliamentary History. 20 (3): 333–358. doi:10.1111/j.1750-0206.2001.tb00381.x 
  • Brown, David and Miles Taylor, eds. Palmerston Studies I and II (Southampton: Harrley Institute, 2007); pp. 203, 207; essays by scholars
  • Cecil, Algernon. British Foreign Secretaries 1807-1916 (1927) pp. 131–226. online
  • Chamberlain, Muriel Evelyn. British foreign policy in the age of Palmerston (Longman, 1980).
  • Chambers, James. Palmerston. 'The People's Darling' (John Murray, 2004).
  • Fenton, Laurence (2010). «Origins of Animosity: Lord Palmerston and The Times, 1830–41». Media History. 16#4: 365–378. doi:10.1080/13688804.2010.507473 
  • Fenton, Laurence (2013). Palmerston and The Times: Foreign Policy, the Press and Public Opinion in Mid-Victorian Britain. [S.l.]: IB Tauris  excerpt
  • Friedman, Isaiah. "Lord Palmerston and the protection of Jews in Palestine 1839-1851." Jewish Social Studies (1968): 23–41. JSTOR 4466386
  • Fuller, Howard J. (2014). Technology and the Mid-Victorian Royal Navy Ironclad: Royal Navy Crisis in the Age of Palmerston. [S.l.]: Routledge  Excerpt
  • Golicz, Roman. "Napoleon III, Lord Palmerston and the Entente Cordiale." History Today 50.12 (2000): 10–17.
  • Henderson, Gavin B. "The Foreign Policy of Lord Palmerston" History 22#88 (1938), pp. 335–344, JSTOR 24401363
  • Hicks, Geoffrey (2007). Peace, War and party politics: the Conservatives and Europe, 1846–59. [S.l.]: Manchester University Press 
  • Hickson, G. F. "Palmerston and the Clayton-Bulwer Treaty". Cambridge Historical Journal 3#3 (1931), pp. 295–303. JSTOR 3020744
  • Hoppen, K. Theodore (1998). The Mid-Victorian Generation, 1846–1886. [S.l.: s.n.] , wide-ranging scholarly survey
  • Kingston, Klari. "Gunboat Liberalism? Palmerston, Europe and 1848" History Today 47#2 (1997) 37–43.
  • Leonard, Dick Nineteenth Century British Premieres: Pitt to Roseberry (2008) pp. 245–65.
  • Macknight, Thomas. Thirty Years of Foreign Policy, a History of the Secretaryships of the Earl of Aberdeen and Viscount Palmerston (1855), Online free
  • Martin, Kingsley (1963). The Triumph of Lord Palmerston: a study of public opinion in England before the Crimean War. [S.l.: s.n.]  Online free
  • Paul, Herbert. History of Modern England, 1904-6 (5 vols) vol 2 online 1855–1865
  • Judd, Denis. Palmerston (Bloomsbury, 2015).
  • Morse, Hosea Ballou. International Relations of the Chinese Empire: The Period of Conflict: 1834-1860. (1910) online
  • Ridley, Jasper (1970). Lord Palmerston. London: Constable ; Online de graça
  • Roberts, David. "Lord Palmerston at the home office." Historian 21.1 (1958): 63-81. JSTOR 24437747
  • Rodkey, Frederick Stanley. "Lord Palmerston and the rejuvenation of Turkey, 1830-41." Journal of Modern History 1.4 (1929): 570-593. online
    • Rodkey, Frederick Stanley. "Lord Palmerston and the Rejuvenation of Turkey, 1830-41: Part II, 1839-41." Journal of Modern History 2.2 (1930): 193-225. JSTOR 1872311
  • Seton-Watson, R. W. Britain in Europe, 1789–1914: A survey of foreign policy (1937) pp. 241–300, 400–63.
  • Southgate, Donald (1966). 'The Most English Minister': the Policies and Politics of Palmerston. London: Macmillan 
  • Steele, E.D. Palmerston and Liberalism, 1855–1865 (1991)
  • Steele, David (Maio de 2009). «Temple, Henry John, third Viscount Palmerston (1784–1865)». Oxford Dictionary of National Biography online ed. Oxford University Press. doi:10.1093/ref:odnb/27112  (Requer Subscrição ou ser sócio da biblioteca pública do Reino Unido.)
  • Steele, David. "Three British Prime Ministers and the Survival of the Ottoman Empire, 1855–1902." Middle Eastern Studies 50.1 (2014): 43-60. Covers Palmerston, Gladstone, and Salisbury.
  • Taylor, A. J. P. "Lord Palmerston" History Today (July 1951) 1#7 pp. 35–41 online
  • Taylor, Antony. "Palmerston e Radicalism, 1847-1865." Journal of British Studies 33.2 (1994): 157-179. JSTOR 175909
  • Temperley, Harold, e Gavin B. Henderson. "Disraeli and Palmerston in 1857, or, the Dangers of Explanations in Parliament." Cambridge Historical Journal 7.2 (1942): 115-126. JSTOR 3020795
  • Vereté, Mayir. "Palmerston and the Levant Crisis, 1832." Journal of Modern History 24.2 (1952): 143-151. JSTOR 1872562
  • Weber, Frank G. "Palmerston and Prussian Liberalism, 1848." Journal of Modern History 35.2 (1963): 125-136. JSTOR 1899235
  • Webster, Charles. The Foreign Policy of Palmerston. 1830-1841 (2v. 1951) a major study
  • Weigall, David. Britain and the World, 1815–1986: A Dictionary of International relations (1989)
  • Ward, A.W. e G. P. Gooch, eds. The Cambridge History of British Foreign Policy, 1783–1919 (3 vol, 1921–23), Volume II: 1815–66
  • Williams, Chris, ed. A Companion to 19th-Century Britain (2006). Chapters 1 to 4, pp. 15–92;
  • Wolffe, John (2005). «Lord Palmerston and religion: a reappraisal». English Historical Review. 120 (488): 907–936. doi:10.1093/ehr/cei240 

Fontes primáriasEditar

  • Bourne, Kenneth (1979). The Letters of the Third Viscount Palmerston to Laurence and Elizabeth Sulivan. 1804–1863. London: The Royal Historical Society .
  • Bourne, Kenneth, ed/ Foreign Policy of Victorian England, 1830-1902 (1970) Long introduction, +147 primary source documents, many by Palmerston.
  • Francis, George Henry (1852). Opinions and Policy of The Right Honourable Viscount Palmerston, G.C.B., M.P., &c. as Minister, Diplomatist, and Statesman, During More Than Forty Years of Public Life. London: Colburn and Co. 
  • Philip Guedalla, ed. (1928). Gladstone and Palmerston, being the Correspondence of Lord Palmerston with Mr. Gladstone 1851–1865. London: Victor Gollancz 
  • Lord, Sudley ed. The Lieven Palmerston Correspondence 1828-1856 (1943) online
  • Partridge, Michael, and Richard Gaunt. Lives of Victorian Political Figures Part 1: Palmerston, Disraeli and Gladstone (4 vol. Pickering & Chatto. 2006) reprints 19 original pamphlets on Palmerston.
  • Temperley, Harold and L.M. Penson, eds. Foundations of British Foreign Policy: From Pitt (1792) to Salisbury (1902) (1938), primary sources pp. 88–304 online

Ver tambémEditar

Precedido por
O Conde de Aberdeen
Primeiro-ministro do Reino Unido
(1º mandato)

18551858
Sucedido por
O Conde de Derby
Precedido por
O Conde de Derby
Primeiro-ministro do Reino Unido
(2º mandato)

18591865
Sucedido por
O Conde Russell