Hormisda (filho de Hormisda II)

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Hormisda (em grego: Ὁρμίσδας; romaniz.: Hormisdas, Ormisdas; em persa: هرمز; romaniz.: Hormizd) foi um oficial romano de origem persa. Era filho mais velho do xá sassânida Hormisda II (r. 302–309/310) e pai de um nobre homônimo. Foi aprisionado por seus irmãos após a morte de seu pai e permaneceu encarcerado por vários anos até ser liberto com a ajuda de sua esposa. Ele fugiu para junto do rei armênio Tirídates III (r. 287–330) e então para o Império Romano, onde foi recebido em 324 por Constantino (r. 306–337) ou Licínio (r. 308–324).[1] Em Constantinopla, Constantino deu-lhe um palácio que recebeu seu nome próximo da costa do mar de Mármara.[2]

Serviu Constâncio II (r. 337–361) como comandante de cavalaria e acompanhou o imperador a Roma em 357. Em 362, foi nomeado por Juliano, o Apóstata (r. 361–363) com Vitor como comandante de um exército que deveria ser levado de Constantinopla para Antioquia. A Paixão de São Bonoso e Maximiliano, que menciona-o em Antioquia em 362/363, estiliza-o como conde (talvez conde dos assuntos militares) e cristão. Ele participou na expedição persa de Juliano em 363 e segundo Libânio era do interesse do imperador colocá-lo no trono sassânida.[3]

Hormisda comandou com Arinteu a cavalaria disposta na ala esquerda do exército romano. Em ca. 24 de abril, a Hormisda foi dado o comando de uma força de reconhecimento que foi emboscada pelos persas sob comando de Surena e o filarco Podosaces.[4][5] Depois, conseguiu induzir a guarnição em Anatas a se render. No Cerco de Perisapora de 27-29 de abril, foi enviado para negociar a rendição da cidade, mas foi insultado pelos habitantes, que chamaram-o de traidor e desertor.[6] Depois, foi insultado por Nabdates, o comandante da guarnição de Maiozamalca, que foi levado como refém após a rendição da cidade.[3][7]

AvaliaçãoEditar

Segundo Zonaras, Hormisda foi um homem de grande, forte e um habilidoso lançador de projéteis, de tal modo que ao lançar um projetil em alguém ele podia prever onde o inimigo seria atingido.[8] Com base na escassez do uso do nome iraniano Hormisda no mundo latino, Christian Settipani sugeriu que o prefeito pretoriano homônimo que esteve ativo em meados do século V era seu filho.[9] Além disso, sugeriu que este segundo Hormisda foi o avô (materno?) do papa Hormisda (r. 514–523), que era filho do campânio Justo e pai do papa Silvério (r. 536–537).[10]

Referências

  1. Syvanne 2015, p. 273.
  2. Janin 1950, p. 333.
  3. a b Martindale 1971, p. 443.
  4. Amiano Marcelino 397, XXIV.2.4–5.
  5. Zósimo séculos V-VI, III.15.4–6.
  6. Amiano Marcelino 397, XXIV.2.11.
  7. Amiano Marcelino 397, XXIV.5.4.
  8. Dodgeon 2002, p. 131.
  9. Grumel 1958, p. 368.
  10. Settipani 2006, p. 506.

BibliografiaEditar

  • Dodgeon, Michael H.; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part I, 226–363 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-00342-3 
  • Grumel, Venance (1958). Traité d'études byzantines : I. La Chronologie. Paris: Imprensa Universitária da França 
  • Janin, Raymond (1950). Constantinople Byzantine. Paris: Institut Français d'Etudes Byzantines 
  • Martindale, J. R.; A. H. M. Jones (1971). «Hormisda 2». The Prosopography of the Later Roman Empire, Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Settipani, Christian (2006). Continuidade das elites em Bizâncio durante a idade das trevas. Os príncipes caucasianos do império dos séculos VI ao IX. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8