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Igreja Ortodoxa Síria

(Redirecionado de Igreja Ortodoxa Siríaca)

A Igreja Ortodoxa Síria (em árabe: الكنيسة السريانية الأرثوذكسية; em siríaco: ܥܺܕܬܳܐ ܣܽܘ̣ܪܝܳܝܬܳܐ ܬܪܺܝܨܰܬ ܫܽܘ̣ܒ̥ܚܳܐ), Siríaca, Jacobita ou Sirían-Ortodoxa é uma denominação cristã oriental autocéfala. Encabeçada pelo Patriarca Ortodoxo Siríaco de Antioquia, considera-se a sucessora da comunidade cristã fundada em Antioquia pelos apóstolos Pedro e Paulo. É uma igreja ortodoxa oriental, ou seja, tem características miafisistas, rejeitando dogmaticamente o Concílio de Calcedônia.

Igreja Ortodoxa Síria
Syriac orthodox COA.svg

Brasão da Igreja
Fundador São Pedro e São Paulo Apóstolo
Independência Período Apostólico
Reconhecimento Ortodoxo Oriental
Primaz Inácio Efrém II
Sede Primaz Damasco,  Síria
Território Oriente Médio, Índia
Posses Ao redor do mundo
Língua Siríaco (língua litúrgica), mas também línguas locais como malaiala, turoyo, árabe, turco, sueco, alemão, francês, hebraico, inglês, holandês, espanhol, português, hindi e tâmil
Adeptos 1,5 milhões
Site igrejasirianortodoxa.com (site da Igreja no Brasil)

HistóriaEditar

A Igreja de Antioquia data do período apostólico, a tradição localizando sua fundação no ano de 34, por São Pedro e São Paulo Apóstolo. Extensamente citada nos Atos dos Apóstolos e nas epístolas paulinas, na cidade de Antioquia é descrita por São Lucas, ele mesmo membro da comunidade, a primeira vez em que os discípulos de Cristo foram chamados cristãos.[1] A Igreja se tornou um grande centro da Cristandade, com seu patriarca São Serapião de Antioquia, já pelo fim do século II, sendo registrado exercendo poderes fora da Síria (província romana), intervindo em Roso (na Cilícia) e em Edessa (fora do Império Romano).

No começo da era cristã, a comunidade de Antioquia sofreu com muita divisão. Após a eleição de São Melécio, cuja posição cristológica se encontra até hoje ambígua, o Patriarcado se dividiu entre quatro grupos: seus sucessores semi-nicenos sem comunhão com Alexandria e Roma; os nicenos estritos seguidores de Eustácio em comunhão com ambas as sés; os arianistas apoiados pelo imperador Valente; e os seguidores de Apolinário de Laodiceia. Pouco depois a reunificação destes grupos em conflito, seguiu-se uma alternância entre patriarcas diofisitas (em consonância com o Concílio de Calcedônia realizado em 451) e miafisistas, apoiados em diferentes momentos por imperadores diofisistas e miafisistas. O mesmo Concílio de Calcedônia elevou o bispo de Antioquia ao título de patriarca, o que foi mantido mesmo pela sucessão não-calcedoniana.

A disputa se agravou depois da escolha do influente miafisista Severo de Antioquia pelo imperador Anastácio I Dicoro em 512. Seis anos depois, Justino I assumiu o império, depôs Severo, que se exilou em Alexandria, e elegeu Paulo o Judeu.[2] Severo e seus seguidores, no entanto, preservaram uma hierarquia não-calcedoniana que hoje subsiste na Igreja Ortodoxa Síria, enquanto os sucessores de Paulo hoje correspondem à Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia.

Em 1160, em reação à expansão islâmica em direção à Antioquia (que seria conquistada pelo Império Otomano em 1268), a sé da Igreja Ortodoxa Síria se mudou para o Mosteiro de Santo Ananias, nos arredores de Mardin, atualmente parte da Turquia. A sé patriarcal ficaria ali até 1924, quando Kemal Atatürk expulsou o patriarca, que se transferiu para Homs e depois para Damasco. Hoje, o patriarca reside e Maarat Saidnaya, vilarejo de Rif Dimashq a 25 quilômetros de Damasco.

A Igreja Ortodoxa Síria ganhou um grande séquito na Índia no século XVII. Por influência portuguesa, a comunidade dos cristãos de São Tomé, antes parte da Igreja do Oriente, fora submetida à Igreja Latina no Concílio de Diamper em 1599. Em 3 de janeiro de 1653, autoridades comunitárias lideradas pelo arcediago Mar Thoma I fizeram o juramento da cruz de Koonan, em que rejeitaram definitivamente o domínio português.[3] Em seguida, 84 comunidades permaneceram em comunhão com a Igreja Católica Romana, hoje subsistindo basicamente na Igreja Católica Siro-Malabar, enquanto 32 comunidades estabeleceram laços canônicos com a Igreja Ortodoxa Síria. Hoje, a comunidade ortodoxa indiana está dividida em dois grupos canônicos: a Igreja Síria Jacobita Cristã (parte da Igreja Ortodoxa Síria) e a Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara (autocéfala). Estes grupos não estão em comunhão perfeita entre si, mas estão ambos em comunhão com as outras igrejas ortodoxas orientais.

A Igreja Ortodoxa Síria, ainda que seja principalmente concentrada na Síria, Turquia, Iraque e Índia, tem um número considerável de fiéis de diáspora ao redor do mundo, além de missões de sucesso, por exemplo, na Guatemala e no Brasil.[4][5]

No Brasil, a Igreja Ortodoxa Siríaca está dividida em duas realidades, ou seja, uma é denominada de “tradicional” e a outra de “Igrejas de Missão”. Esta última originou-se, na década de 50 a 80, depois da imigração de povos siríacos por conta da guerra Otomana. Esta Igreja, constituída por quatro Igrejas (duas em São Paulo, uma em Belo Horizonte e uma em Campo Grande), encontra-se, atualmente, sob a administração de Dom (Mor) Severius Malki Mourad, desde sua entronização no Brasil, em 17 de dezembro de 2018, como Vigário Patriarcal.[6]. A outra realidade é de uma Igreja proeminentemente “Missionária”. Ela surgiu, no início da década de 80, liderada por Dom (Mor) Moussa Mattanos Salama, cujos ideais de evangelização adquiriu quando viveu na Índia, atuando como missionário. Atualmente, a Igreja Missionária está submissa, desde a aposentadoria de Dom (Mor) José Faustino Filho, desde maio de 2018, ao arcebispo e Núncio Apostólico Dom (Mor) Titos Paulo George Hanna e presente em 13 estados com mais de 30 (trinta) paróquias (KALLARRARI, 2013, p. 75-94).[7] Dom (Mor) Titos Paulo George Hanna chegou ao Brasil em fevereiro de 2012 na qualidade de Núncio Apostólico para acompanhar a "Igreja Missionária" (KALLARRARI, 2012, p. 108)[8][9]

Essa divisão se acentuou na década de 80, quando o patriarca, após ouvir o Santo Sínodo, separou em dois ramos a Igreja no Brasil, qual seja, um tradicional (Igrejas de colônias), diretamente ligado ao patriarcado, e outro missionário, sob a administração episcopal de Dom (Mor) Crisóstomo Moussa Matanos Salama. Segundo Celso Kallarrari (2013), enquanto a “Igreja Tradicional” conservou seu ritual litúrgico destinado aos povos de sua etnia, a tendência missionária da Igreja no Brasil, intitulada por “Igrejas de Missão”, buscou, desde o início, fazer frente a evangelização aos novos adeptos brasileiros. Entretanto, essa divisão tem caráter apenas administrativo, porque ambas as juridições, tanto "tradicional" quanto "missionária" estão submissas ao Patriarcado Siro-ortodoxo Moran Mor Inácio Efrém II[7]


Ver tambémEditar

Referências

  1. Atos 11:26
  2. Syriac Orthodox Church of Antioch - Archdiocese of the Western United States: St. Severus, 36th Patriarch of Antioch, February 08
  3. «Koonan Oath 00001» (PDF). Consultado em 20 de maio de 2007 
  4. IGREJA SIRIAN ORTODOXA NO BRASIL. In. KALLARRARI, Celso. Catecismo da Igreja Ortodoxa Siríaca. Perguntas e Respostas. Edição Comentada. São Paulo: Reflexão, 2012, p. 95-116.
  5. Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia: História da Igreja no Brasil
  6. OCP Media Network Installation of His Eminence Mor Severius Malke Mourad as the Syriac Orthodox Patriarchal Vicar in Brazil. In. OCP Media Network. Acesso em 20 de agosto de 2019
  7. a b KALLARRARI, Celso. A presença da Igreja Ortodoxa Siríaca no Brasil: autocompreensão, perspectivas e desafios. In. Anais do I Simpósio de Teologia Oriental. (Re)descobrindo as Igrejas Orientais Ortodoxas e Católicas, v. 1, n. 1, 2013, p. 75-94
  8. IGREJA SIRIAN ORTODOXA NO BRASIL. In. KALLARRARI, Celso. Catecismo da Igreja Ortodoxa Siríaca. Perguntas e Respostas. Edição Comentada. São Paulo: Reflexão, 2012, p. 95-116.
  9. Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia: História da Igreja no Brasil