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Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Horta)

igreja em Horta, Portugal
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, anexa ao Convento do Carmo, fachada. (2010)

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo é um templo religioso cristão português localizado no concelho da Horta, na ilha do Faial, no arquipélago dos Açores. Foi o primeiro templo carmelita a ser edificado, a nível nacional, fora de Portugal Continental

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo encontra-se intimamente ligada com o Convento do Carmo mandado edificar por D. Helena de Boim, esposa do então Capitão-mor Francisco Gil da Silveira.

Apresenta uma grandiosa fachada em estilo barroco e tal como o convento que lhe está anexo foi construída num local alto sobre a cidade, facto que lhe dá uma vista grandiosa a partir do adro e também permite que seja vista desde longe no mar, mesmo antes das embarcações entrarem na Baía da Horta.

Infelizmente e apesar do contexto histórico, nacional e regional, o edifício não se encontra classificado nem sob qualquer forma de proteção por parte do estado até à data.

Índice

HistóriaEditar

A construção desta igreja pode dizer-se contemporânea do Convento do Carmo da Horta, que foi pertença da Ordem Terceira do Carmo e iniciou-se após as obras do convento propriamente dito e só ficou pronta já no século XVIII.

A edificação deste templo foi feita aproveitando o local da primitiva ermida cuja evocação era Nossa Senhora da Boa Nova, que havia sido construída em cerca de 1639. Esta nova igreja foi edificada para satisfazer as necessidades de uma população crescente e em busca de maior dignidade. Assim as obras da nova igreja iniciaram-se em 1698, mas só em 1797 ficaram concluídas na sua totalidade, 99 anos depois, período de tempo que permite imaginar a grandiosidade da obra.

Na sequência da extinção das ordens religiosas em 1834, o edifício viu-se perante uma situação de abandono e salvou-se miraculosamente da demolição devido aos esforços do Duque d'Ávila e Bolama, figura de grande importância e renome tanto no Faial como a nível nacional, doando o templo à Ordem Terceira do Carmo no reinado de D. Maria I. Foi numa das dependências desta igreja que organizou a sua primeira sabatina, com a vistosa festa académica, que foi o incentivo e o impulso para uma nova era de brilhante desenvolvimento socio-cultural na Horta.

Após o forte sismo que abalou a ilha do Faial no dia 9 de Julho de 1998, a igreja já muito deteriorada passou por um sério risco de ruir, pelo que se começou um processo profundo de recuperação do imóvel que se previa árduo e longo, mas foi interrompido por falta de financiamento. Durante este processo, foram retirados parte dos retábulos de modo a consolidar a estrutura do edifício, mas devido à pausa abrupta das obras estes mantiveram-se durante duas décadas em condições de acondicionamento meramente provisórias, o que vem a dificultar o seu processo de recuperação.

Em 2018, depois de realizadas as obras necessárias para a sua abertura, que visaram o reforço estrutural, tratamento e pintura de paredes, coberturas, soalhos, bem como a recuperação da Capela dos Terceiros (anexa ao edifício), a igreja reabriu ao culto 22 anos depois, apesar de ainda despojada de uma parte considerável do seu património artístico.

Atualmente, a igreja encontra-se assim aberta ao culto, e prevêem-se várias intervenções a ser realizadas que visam a recuperação do seu património artístico, e aumenta-se assim a esperança de num futuro próximo ser criado um projeto que venha a dar uma utilidade definitiva ao imóvel.

É forte a possibilidade de numa das dependências desta Igreja do Carmo estar destinada a instalação do Museu de Arte Sacra da Horta (há muito encerrado), que durante muitos anos esteve instalado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário.[1], museu este que constitui o maior núcleo de Arte Sacra do arquipélago dos Açores.

Apela-se à sensibilidade do Governo Regional dos Açores, Direção Regional da Cultura, Diocese de Angra, às entidades locais e aos leitores perante esta situação, uma vez que com poucos recursos muito se fez para reabrir este templo, e foi dada assim uma grande lição de cidadania quanto à preservação do património que envolveu a comunidade, lição esta que merece sem sombra de dúvidas uma recompensa pedagógica que visasse uma intervenção a fundo na igreja (urgentemente necessária), e a transformação da igreja em Museu de Arte Sacra seria uma mais valia e a concretização de uma velha pertença dos faialenses, muito falada e completamente esquecida por falta de dualidade de critérios, falhas nas prioridades ou puro desinteresse por parte das referidas entidades. Algo incompreensível, pois como foi referido o museu de Arte Sacra do Faial constitui o maior e mais valioso núcleo de arte sacra dos Açores, e é claramente visível noutras ilhas uma maior compreensão e maior aposta na preservação do património, por vezes exagerada, enquanto o Faial permanece esquecido e a perder aos poucos um riquíssimo património (situação também de particular gravidade na Igreja de Nossa Senhora do Rosário/São Francisco) que enriquece e muito toda a comunidade, a região e o país. É urgente que se comece a agir e que se vá além das palavras antes que seja tarde de mais.

CaracterísticasEditar

No seu interior é de destacar o seu mobiliário, a constituição dos retábulos numa conjugação de talha dourada com elementos característicos do estilo Rococó, bem como os preciosos painéis de azulejos policromados em azul e branco e as esculturas religiosas (imagens estas que são maioritariamente do estilo "roca") ornamentadas com ourivesarias minuciosamente trabalhadas.

Merece também destaque o coro alto, que é vastíssimo e assenta sobre um arco abatido não-suportado de pedra (O maior do país), obra prima da arquitetura, pois o vão de 8,85m tem uma curvatura de apenas 0,22m, que comunica com uma ordem de galerias que percorrem o corpo da igreja sobre as capelas laterais.

O corpo principal da igreja é constituído por 6 capelas laterais, 3 de cada lado, com a capela mor precedida de um amplo transepto, bem como uma capela anexa:

  • A Capela-mor ostenta um retábulo de gosto Rococó, pintado em tons de azul e dourado conjugados com o característico branco de leite. O retábulo é constituído por uma planta plana e por uma mesa de altar em forma de urna por um trono ao centro (elemento comum a todos os altares). No retábulo, estão representadas as esculturas de quatro santos: São Paulo à esquerda e São Bento à direita, que se encontram colocadas em nichos laterais e no centro as imagens de Nossa Senhora do Carmo e do Profeta Santo Elias, e é encimado pelo Brasão de armas da Ordem do Carmo. É também digno de reparo o valioso cadeirado de Estilo Império, obra do mais alto valor. Atualmente, o retábulo encontra-se desmontado e devidamente acondicionado, a aguardar restauro para um futuro próximo, bem como os retábulos da Capela dos Terceiros e da Capela do Senhor Jesus dos Aflitos.
  • A Capela dos Terceiros, anexa à Igreja, de gosto Rococó apresenta um retábulo que é pintado em tons de bege e dourado conjugados com o característico branco de leite, contém oito nichos laterais, nos quais se inserem as magníficas imagens representativas dos Passos da Paixão edificadas pelo escultor régio de Dom João V de Portugal e, ao centro, está representada uma imagem de Cristo na Cruz e uma imagem de Nossa Senhora do Carmo, sendo o retábulo encimado pelo Brasão de armas da Ordem do Carmo. À entrada da capela há um hall acessível através da sua entrada exterior (pórtico à direita dos três pórticos principais da igreja) bem como por um acesso no interior do corpo principal da igreja, e comunica diretamente com a grade de entrada da capela, inserida num formidável arco em cantaria de formato trilobado, com uma sacristia paralela à capela e com uma escadaria elegante que leva ao segundo piso, à sala do consistório, espaço com um grande potencial para valências museológicas, antigamente usado para as sessões da Ordem do Carmo e comunica diretamente com o acesso ao coro alto da igreja.
  • A Capela da Sagrada Família é decorada por elementos do estilo Rococó, representando um contraste cromático entre algumas cores realçando a beleza do altar. Encontram-se as imagens de Santa Ana à esquerda, de São Joaquim à direita e ao centro as imagens de Maria, do Menino Jesus e de José. Encontra-se, tal como na Capela do Senhor Jesus dos Aflitos, um Brasão de Armas, representativo da Família Lacerda, financiadora da sua construção.
  • Existe ainda uma capela lateral que se destina à instalação do Órgão, de decoração de gosto Neoclássico, contendo as seguintes inscrições: “DA ORD. 3ª DE N.ª S.ª CARMO” e "1855", a ser restaurado em breve.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Guia do Património Cultura dos Açores, Faial, Pág. 117 e 118, ISBN 972-96057-1-8, 1ª Edição, 2003
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