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Imprensa marrom é uma expressão de cunho pejorativo, utilizada para se referir a veículos de comunicação (principalmente jornais, mas também revistas e emissoras de rádio e TV) considerados sensacionalistas, ou seja, que buscam elevadas audiências e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos, sem compromisso com a autenticidade.[1][2]

É o equivalente em português do termo em lingua inglesa "yellow press". Em ambos os casos registram-se transgressões da ética jornalística.[3]

Yellow PressEditar

Nos Estados Unidos, a expressão yellow press surgiu por causa do personagem de histórias em quadrinhos The Yellow Kid, criado por Richard Felton Outcault e um dos focos da disputa entre os jornais New York World e New York Journal American. Como as duas publicações se destacavam também pela competição levada às últimas consequências, os críticos começaram a se referir a ambas como "imprensa amarela"[4].

A expressão acabou se estendendo a outros jornais que se utilizavam dos mesmos expedientes do New York World: manchetes em letras garrafais, grandes ilustrações e exploração de dramas pessoais[5].

No BrasilEditar

Há diferentes versões para a mudança de cor na tradução da expressão para o português. Segundo Alberto Dines, o conceito foi utilizado pela primeira vez no Diário da Noite, em 1960. Ao noticiar o suicídio de um cineasta, ele escreveu que a tragédia era resultado da atuação irresponsável da "imprensa amarela". O suicida havia sido vítima de chantagem por parte da revista Escândalo[6]. O chefe de reportagem Calazans Fernandes, então, mudou para "imprensa marrom", alegando que o amarelo é uma cor alegre, enquanto o marrom seria mais apropriado por ser a cor dos excrementos[7].

No entanto, Márcia Franz Amaral sustenta que a expressão é tradução de imprimeur marron, que é como se chamavam na França os jornais impressos em gráficas clandestinas[8].

Uma terceira interpretação é de que no Brasil a cor marrom seria identificada com clandestinidade e a ilegalidade desde o século XVII, por associação aos escravos fugidos ou em situação ilegal no país[9].

CaracterísticasEditar

Embora "imprensa marrom" seja normalmente considerada o equivalente da "yellow press" norte-americana, Leandro Marshall propõe uma diferenciação. Para ele, a imprensa amarela seria uma fase anterior, marcada pelo sensacionalismo, com fatos sendo exagerados nas páginas de jornais apenas com o objetivo comercial de atrair mais leitores. Já a imprensa marrom seria mais caracteristicamente definida como a manipulação da notícia com fins comerciais[10].

Outros autores, porém, argumentam que o escândalo, a intriga política e a chantagem já faziam parte dos métodos utilizados pelos primeiros jornais sensacionalistas[11].

Norbert Bolz aponta como principal característica desse tipo de jornalismo a comunicação direta, que abre mão de qualquer abordagem mais complexa sobre o mundo[12].

Ver tambémEditar

Referências

  1. Manual básico de mídia impressa Arquivado em 7 de setembro de 2012, no Wayback Machine.. Governo de Sergipe - Secretaria de Comunicação Social, p. 18
  2. Novo Manual da Redação - Folha de S.Paulo, 1996
  3. «Como surgiu a expressão "imprensa marrom"?». Superinteressante. Consultado em 4 de setembro de 2019 
  4. Luz vermelha para a imprensa marrom Arquivado em 11 de maio de 2012, no Wayback Machine.. Observatório da Imprensa, 25 de julho de 2011
  5. MIRANDA, Flávia da Silva. AQUI UMA SUPER NOTÍCIA: o leitor convocado por dois jornais populares de Belo Horizonte Arquivado em 5 de dezembro de 2014, no Wayback Machine.. Encontro dos Programas de Pós-graduação em Comunicação de Minas Gerais, 2009
  6. Imprensa marrom[ligação inativa]. Jornalista.com.br
  7. COSTA, Pâmela Berton, e ota, Daniela Cristiane. Análise do Conteúdo Televisivo no Caso Isabella Nardoni. XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008
  8. MIRANDA, Flávia da Silva. Os valores partilhados por jornais populares dos anos 2000: apontamentos sobre dois jornais mineiros[ligação inativa]. 1º Colóquio Comunicação e Sociabilidade, UFMG, 2008
  9. HOLANDA, Janaína Maria Silva. O Sensacionalismo na Imprensa Mossorense: um estudo nos jornais impressos de Mossoro
  10. A imprensa cor-de-rosa. Observatório da Imprensa, 7 de outubro de 2003
  11. RABAÇA, Carlos Alberto, e BARBOSA, Gustavo Guimarães. Dicionário de Comunicação. Ed. Campus, 5ª edição
  12. Caso Wulff evidencia poder do jornal sensacionalista alemão "Bild". Deutsche Welle, 6 de janeiro de 2012

Ligações externasEditar