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Intersexo

variação nas características sexuais que não permite distinguir um indivíduo entre masculino ou feminino
(Redirecionado de Intersexualidade)
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Bandeira intersexo, criada em 2013, pelo Morgan Carpenter, da Intersex Human Rights Australia

Intersexo, é uma pessoa que naturalmente, ou seja, sem qualquer intervenção médica, desenvolve características sexuais parte da definição típica de sexo masculino e do sexo feminino.[1]

Não existe somente uma maneira de ser intersexo. Algumas pessoas intersexo nascem com genitais fora do típico, outras nascem com genitais completamente comuns, umas possuem cromossomas XX e foram atribuídas ao sexo masculino ao nascer, outras possuem cromossomas XY e foram atribuídas ao sexo feminino ao nascer, entre outras maneiras de ser intersexo.[1] Ou seja, algumas variações intersexo são visíveis ao nascimento, enquanto outras, não são aparentes até à puberdade. Algumas variações podem inclusive não ser fisicamente aparentes.[1]

Segundo especialistas, entre 0,05% e 1,7% da população mundial é intersexo, a maior estimativa é semelhante ao número de pessoas naturalmente ruivas.[1]

Estima-se que pelo menos 1 em cada 200 pessoas são intersexo, sendo que entre 1 e 2 nascimentos surge uma pessoa intersexo com genitais que possuem características tipicamente femininas e masculinas.[2][3][2]

Tal como as pessoas não-intersexo, a identidade de género, expressão de género e orientação sexual que uma pessoa intersexo possui varia mediante a pessoa.

A palavra intersexo é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente por intersexo denotar várias maneiras que o sexo biológico de alguém pode naturalmente não ser constituído somente por traços típicos masculinos ou femininos, e não uma questão de possuir dois tipos de orgãos reprodutores, como hermafrodita se refere.[4] Algumas pessoas intersexo, assim como qualquer outra pessoa, poderão ser transgénero.

Classificação das variações intersexoEditar

 
Escala Quigley para síndrome de insensibilidade androgénica.

Existem diversas variações intersexo, dentre elas[3]:

HeterogeneidadeEditar

 Ver artigo principal: Heterogeneidade

Heterogeneidade significa diversidade genética e na aparência (fenótipo). No intersexo significa que algumas características sexuais da pessoa são femininas e outras são masculinas. Essas características sexuais podem ser relativas ao:

Por exemplo: Uma pessoa com insensibilidade a andrógenos tem vagina, clítoris e mamas, mas internamente tem testículos no lugar dos ovários. Uma pessoa com criptorquia bilateral tem pênis, mas seus testículos não produzem testosterona suficiente para desenvolver barba e voz grossa.

Integridade físicaEditar

Tem-se tornado prática comum sujeitar as crianças intersexo a intervenções cirúrgicas desnecessárias e a outros procedimentos que têm como propósito tentar fazer com que a sua aparência esteja de acordo com a definição típica de sexo masculino ou feminino.[8] Tais procedimentos, frequentemente irreversíveis, podem causar permanentemente infertilidade, dor, incontinência, perda de sensação no acto sexual, sofrimento mental para o resto da vida, incluindo depressão.[8]

Estes procedimentos, são regularmente praticados sem o pleno consentimento, livre e informado, da pessoa em questão. Muitas vezes, esta é demasiado nova para poder tomar uma decisão e estes procedimentos podem violar os seus direitos à integridade física, a viver livre de tortura e outros atos degradantes ou desumanos.[8]

Estas intervenções têm frequentemente como base normas culturais e de género e crenças discriminatórias relativas a pessoas intersexo e a sua integração na sociedade.[8] Atitudes discriminatórias não podem nunca justificar violações de direitos humanos, incluindo tratamento forçado e violações ao direito à integridade física.[8]

Tais procedimentos são algumas vezes justificados por argumentos com base em benefícios de saúde, mas estes são frequentemente propostos com base em provas fracas e sem a discussão de soluções alternativas que protejam a integridade física e respeitem a autonomia da pessoa.[8]

Tais crenças e pressões sociais são frequentemente refletidas pela comunidade médica, e também por familiares responsáveis das crianças intersexo, que encorajam ou dão o seu consentimento para que tais procedimentos sejam feitos. Independentemente da falta de indicação médica, necessidade ou urgência, e também apesar do facto de que tais procedimentos possam violar direitos humanos. Muitas vezes o consentimento é dado na ausência de informação sobre as consequências a curto e longo prazo sobre tal cirurgia e também com a falta de contacto com outras pessoas adultas intersexo e as suas famílias.[8]

Muitas pessoas adultas intersexo que foram expostas a cirurgias enquanto crianças realçam a vergonha e estigma associados à tentativa de apagar os seus traços intersexo, tal como o sofrimento físico e mental, incluindo como resultado as cicatrizes extensivas e dolorosas. Muitas também sentem que foram forçadas a assumirem um sexo e género que não lhes é adequado.[8]

Dado a natureza irreversível e o impacto na autonomia e integridade física da pessoa, tais procedimentos cirúrgicos, desnecessários, tais procedimentos procuram ser proibidos.[8]

Modificação das características sexuaisEditar

O tipo de procedimentos vai depender da variação intersexo, existem dois modelos possíveis[3]:

  • Modelo centrado no sigilo e cirurgia: Fazer a cirurgia e medicar nos primeiros 24 meses de vida;
  • Modelo centrado na pessoa intersexo: Esperar a pessoa intersexo crescer, explicar a complexidade das questões envolvidas e permitir que tome a decisão sobre como agir quanto às suas características sexuais (seja, se deseja alterações, o momento que as faz, ou quais faz).

Em caso de clitoromegalia e micropénis, esperar antes de fazer a cirurgia é importante para não correr o risco de prejudicar a funcionalidade do órgão sexual.[3] Outro motivo para esperar antes de fazer a cirurgia é evitar a insatisfação da pessoa intersexo na alteração.[9][10][3] É importante que a família e a pessoa intersexo possua acompanhamento psicoterapêutico para lidar com a ansiedade e frustração que pode vir acompanhada a toda a complexidade envolvida em ser intersexo.[3]

Assim o tratamento moderno envolve psicoterapia para a pessoa intersexo e a sua família, cirurgia de redesignação sexual, cirurgia plástica para caso queira modificar as suas características sexuais ou terapia hormonal, caso desejada. É mais fácil fazer genitais femininos e por isso ela tem sido preferida pelo modelo médico tradicional. Mesmo na abordagem centrada na pessoa intersexo, recomenda-se que a cirurgia seja feita caso haja sério prejuízo funcional e desconforto genital.[3]

Ser intersexo é frequentemente tratado como algo de carácter patológico, que deve ser corrigido com terapia hormonal ou cirurgias para normalizar as características sexuais das pessoas intersexo.[1] Se uma variação intersexo é descoberta no nascimento ou durante a infância, os procedimentos médicos podem ser realizados sem que a criança ou pessoas responsáveis pela criança dêem consentimento ou até mesmo estejam cientes, e muitas pessoas intersexo não são informadas sobre sua variação intersexo, mesmo quando adultas.[1]

Discriminação contra indivíduos intersexoEditar

As pessoas intersexo são frequentemente sujeitas a discriminação e abuso se for conhecido o facto de serem intersexo. Normalmente, as leis anti-discriminação não proíbem a discriminação contra pessoas intersexo, deixando-as vulneráveis a práticas discriminatórias em vários cenários, desde o acesso à saúde, educação, serviços públicos, emprego e desportos.[8]

Profissionais de saúde muitas vezes carecem da formação e conhecimento necessário para compreender como lidar com as especificidades das pessoas intersexo, prestar cuidados adequados e respeitar a autonomia e os direitos à integridade física e à saúde das pessoas em causa.[8]

Algumas pessoas intersexo também enfrentam obstáculos e discriminação caso queiram ou necessitem alterar o sexo apresentado no certificado de nascimento ou nalgum documento oficial.[8]

Em especial, atletas intersexo enfrentam obstáculos específicos. Existem vários casos de mulheres cisgénero intersexo que foram desqualificadas de competições com base nas suas características intersexo. No entanto, ser intersexo por si só não garante um melhor desempenho. Ainda assim, outras características físicas que de facto afetam o desempenho, como a altura ou o desenvolvimento muscular não são sujeitas a tal escrutínio e restrições.[11]

Referências

  1. a b c d e f «UNFE Intersex Fact Sheet» (PDF) 
  2. Fausto-Sterling, Anne (2000). Sexing the Body: Gender Politics and the Construction of Sexuality. New York: Basic Books. ISBN 0-465-07713-7.
  3. a b c d e f g SANTOS, Moara de Medeiros Rocha; ARAUJO, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de. Desenvolvimento da identidade de gênero em casos de intersexualidade: contribuições da Psicologia. 2006. 246 f. Tese de doutorado em psicologia. Universidade de Brasília, Brasília, 2006. [1]
  4. «Hermafrodita e intersexo» 
  5. http://www.ismh.org/en/sys/wp-content/uploads/2012/04/2_MERYN-epidemiology-SR-formatted-and-second-checked1.pdf
  6. http://www.brasilescola.com/biologia/sindrome-de-klinefelter.htm
  7. «Cópia arquivada». Consultado em 28 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 24 de junho de 2010 
  8. a b c d e f g h i j k l «Fact Sheet ILGA» (PDF) 
  9. Sarah M Creighton, Catherine L Minto, Stuart J Steele, "Objective cosmetic and anatomical outcomes at adolescence of feminising surgery for ambiguous genitalia done in childhood" (Lancet 2001; 358:124-25).
  10. Sterlin, Anne (2000). Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. Chapter 3: Basic Books. pp. 44–77.
  11. «Fact Sheet ILGA» (PDF) 

Ligações externasEditar