Isabel de Inglaterra (1635–1650)

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Isabel Stuart (Londres, 28 de dezembro de 1635 — Castelo de Carisbrooke, 8 de setembro de 1650) foi a segunda filha do rei Carlos I de Inglaterra e da princesa Henriqueta Maria de França. Desde os seis anos de idade até à sua morte prematura aos catorze, foi uma prisioneira do Parlamento durante a Guerra Civil Inglesa. O seu relato comovente sobre o seu último encontro com o pai na noite anterior à sua execução e as últimas palavras que este pronunciou aos seus filhos foram já publicados em várias histórias sobre o rei Carlos I.[1]

Isabel
Princesa da Inglaterra e da Escócia
Casa Stuart
Nascimento 28 de dezembro de 1635
  Londres, Inglaterra
Morte 8 de setembro de 1650 (14 anos)
  Castelo de Carisbrooke, Ilha de Wight
Pai Carlos I de Inglaterra
Mãe Henriqueta Maria de França

FamíliaEditar

Isabel era a quarta filha (segunda menina) nascida da união entre o rei Carlos I de Inglaterra e a princesa Henriqueta Maria de França. Entre os seus irmãos estavam o rei Carlos II de Inglaterra e o rei Jaime II da Inglaterra. Os seus avós paternos eram o rei Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra e a princesa Ana da Dinamarca. Os seus avós maternos eram o rei Henrique IV de França e a princesa Maria de Médici.

Noivado falhadoEditar

Isabel nasceu no dia 28 de Dezembro de 1635 no Palácio de St. James e foi baptizada no mesmo a 2 de Janeiro do ano seguinte por William Laude, arcebispo da Cantuária. Em 1636, a sua avó materna, Maria de Médici, tentou noivar a sua neta bebé com o filho do príncipe de Orange, o futuro Guilherme II de Orange. Apesar de Carlos I achar o casamento de uma princesa inglesa com um príncipe de Orange abaixo da sua posição, os seus problemas políticos e financeiros forçaram-no em enviar a irmã mais velha de Isabel, a princesa real Maria, para a Holanda em seu lugar.

Guerra CivilEditar

 
Isabel e o irmão Henrique no Castelo de Carisbrook por Margaret Dicksee.

Quando rebentou a Guerra Civil Inglesa em 1642, a princesa Isabel, juntamente com o seu irmão, o duque de Gloucester, foi colocada sob protecção do Parlamento. Philip Herbert, 4.º Conde de Pembroke foi o seu guardião. Quando o Parlamento desconvocou os criados de Isabel, a princesa de doze anos escreveu uma carta de protesto contra a decisão em 1640: "Meus Senhores, vejo-me miserável por ver os meus criados tirados de mim para ser rodeada de estranhos. Prometeram-me que cuidariam de mim e espero que o mostrem impedindo que tal sofrimento me atinja. Peço que o considerem e mereçam que vos agradeça e que descanse. A vossa amiga adorada, Isabel." A Câmara dos Lordes simpatizou com a princesa e criticou a Câmara dos Comuns por se achar no direito de interferir nas decisões da casa real, pelo que a decisão foi cancelada. Contudo, a Câmara dos Comuns exigiu que os filhos do rei fossem educados na fé protestante, sendo também proibidos de estar presentes na corte em Oxford, o que fez com que se tornassem praticamente prisioneiros no Palácio de St. James. A certa altura, o jovem duque de Gloucester chegou a ser falado para substituir o rei como monarca estritamente constitucional.

Em 1643, Isabel, na altura com sete anos, partiu uma perna e mudou-se pouco depois com o irmão, o duque de Gloucester para Chelsea. Foi educada pela intelectual Bathsua Makin até 1644, numa altura em que já sabia ler e escrever hebreu, grego, italiano, latim e francês. Outros intelectuais dedicaram-lhe vários trabalhos e ficaram impressionados pela sua paixão por leituras religiosas.

Depois da guarda dos filhos mais novos do rei ser entregue ao conde de Northumberland em 1642, o seu irmão, o príncipe Jaime, duque de Iorque, o futuro rei Jaime II, foi visitá-los, mas terá sido aconselhado a fugir do país por Isabel que estava preocupada com o facto de o seu irmão estar próximo dos inimigos do rei. Finalmente, em 1647, Isabel, o duque de Iorque e o duque de Gloucester tiveram autorização para viajar até Maidenhead para se encontrarem com o rei e passaram dois dias com ele. Pai e filhos criaram um laço forte e, depois de o rei ser obrigado a mudar-se para o Palácio de Hampton Court, visitou os seus filhos sob a vigilância do duque de Northumberland em Syon House. Estas visitas acabaram rapidamente quando o rei fugiu para o Castelo de Carisbrooke na Ilha de Wight. Supostamente, Isabel de dez anos ajudou o duque de Iorque a fugir, vestindo-se como uma adulta. Dentro da família era chamada de "temperança" pela sua natureza gentil.[1] O ambiente conflituoso em que Isabel tinha crescido tornaram-na numa jovem com uma personalidade fora do normal. Quando tinha onze anos de idade, o embaixador francês descreveu a princesa como "uma jovem beleza em flor" que tinha "graça, dignidade, inteligência e sensibilidade" que lhe permitiam julgar as diferentes pessoas que conhecia e compreender diversos pontos de vista. A sua força de carácter contrastava com a sua fraca saúde. Um exame aos seus restos mortais realizado durante a era vitoriana revelou que a princesa sofria de raquitismo que lhe causava deformações nas costas e nos ombros, tinha joelhos valgos e metatarsus varus, uma deformidade nos dedos dos pés que dificultavam os seus movimentos ao caminhar.[2] Isabel tinha um rosto comprido com um queixo saliente e cabelo castanho-arruivado.

Quando o rei foi capturado pela última vez e condenado à morte por Oliver Cromwell e outros juízes em 1649, Isabel escreveu uma longa carta ao parlamento, pedindo permissão para se juntar à sua irmã Maria na Holanda. Contudo, este pedido foi recusado pelo menos até depois da execução do seu pai. A 29 de Janeiro de 1649, aconteceu o último encontro entre Isabel, o seu irmão Henrique e o pai. Isabel, que tinha treze anos (o seu irmão tinha apenas oito), escreveu um testemunho do encontro que foi encontrado entre os seus bens após a sua morte: "Disse-me que estava feliz por me ver e, apesar de não ter tempo para dizer muita coisa, disse que tinha de me dizer o que não podia dizer a outros, ou deixá-lo por escrito por temer que a crueldade deles fosse tal que não o deixassem escrever-me." Isabel estava a chorar tanto que o seu pai lhe perguntou se ela seria capaz de se lembrar de tudo que ele tinha para lhe dizer. Isabel prometeu que nunca se esqueceria e que iria guardá-lo por escrito. Escreveu dois testemunhos separados sobre o encontro, ambos encontrados já depois da sua morte um ano e meio depois. O seu pai pediu-lhe que não "afligisse e atormentasse por ele" e pediu-lhe que permanecesse protestante. Carlos pediu-lhe que lesse alguns livros, incluindo os sermões do bispo André, a Politica Eclesiastica de Hooker e o livro contra Fisher do bispo Laude para a proteger do papismo.

[3]

Carlos também ofereceu uma bíblia à filha durante o encontro.[4] Depois da execução, as crianças tornaram-se fardos indesejáveis. O filho do conde de Northumberland, Lord Lisle, apresentou ao parlamento a proposta de retirar as duas crianças da guarda do conde. Contudo, o parlamento recusou enviá-las para a Holanda, insistindo em colocá-las sob o cuidado de Sir Edward Harrington. Contudo, o filho de Harrington pediu que elas fossem levadas para outro lado, ao que o parlamento concordou.

MorteEditar

A residência seguinte de Isabel e do irmão foi Pengurst Place, sob o cuidado de Robert Sidney, II conde de Leicester e da sua esposa, Dorothy. O parlamento deu instruções para que as crianças não fossem mimadas, contudo, a condessa de Leicester tratou Isabel com a maior gentileza e recebeu uma jóia da princesa em agradecimento. A valiosa jóia foi depois o centro de um conflito entre a condessa e os comissários do parlamento nomeados para avaliar o património do rei.

Em 1650, o irmão de Isabel, agora o rei titular Carlos II, viajou até à Escócia para ser coroado rei daquele país. Isabel foi levada para a Ilha de Wight como refém e colocada sob o cuidado de Anthony Mildmay com uma pensão de 3000 libras. Esta mudança de Penhurst foi provavelmente a causa da sua morte. a princesa queixou-se que a sua saúde não era suficiente para fazer a viagem, mas o plano avançou de qualquer maneira. Na viagem apanhou uma constipação que piorou rapidamente. Isabel morreu de pneumonia no dia 8 de Setembro de 1650. Alguns relatos dizem que Isabel foi encontrada morta com a cabeça deitada na bíblia que o seu pai lhe tinha oferecida. Nos seus últimos dias, quem esteve com ela, descreveu-a como uma criança triste.[5] Três dias depois de a princesa ser encontrada morta, o conselho de estado deu-lhe permissão para se juntar à sua irmã Maria na Holanda. Foi enterrada na igreja de St. Thomas em Newport, na Ilha de Wight.

Após a sua morte, a campa de Isabel ficou sem nome até ao século XIX, à excepção das iniciais do seu nome: E[lizabeth] S[tuart]. A rainha Vitória, que tinha como residência preferida a Casa Osborne na Ilha de Wight, ordenou que fosse erguido um monumento apropriado em sua memória. Em 1856, o escultor preferido da rainha, Carlo Marochetti foi contratado para construir uma escultura de mármore branco sobre a sua sepultura, representando-a como uma jovem bonita, deitada com a bochecha sobre uma bíblia aberta numa passagem do Evangelho de Mateus: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei." Acima da escultura há um gradeamento, uma metáfora para o seu aprisionamento, mas as barras estão partidas, mostrando que a prisioneira está agora livre. A placa que marca a escultura diz: "Em memória da princesa Isabel, filha do rei Carlos I, que morreu em Carisbrooke Castle a 8 de Setembro de 1650 e se encontra enterrada abaixo do santuário desta igreja, este monumento foi erguido como símbolo de respeito pelas suas virtudes e compaixão pelos seus azares, por Vitória R., 1856."

GenealogiaEditar

Os antepassados de Isabel de Inglaterra em três gerações[6]
Isabel de Inglaterra Pai:
Carlos I de Inglaterra
Avô paterno:
Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra
Bisavô paterno:
Henrique Stuart, Lorde Darnley
Bisavó paterna:
Maria da Escócia
Avó paterna:
Ana da Dinamarca
Bisavô paterno:
Frederico II da Dinamarca
Bisavó paterna:
Sofia de Mecklenburg-Güstrow
Mãe:
Henriqueta Maria de França
Avô materno:
Henrique IV de França
Bisavô materno:
António de Bourbon, Duque de Vendôme
Bisavó materna:
Joana III de Navarra
Avó materna:
Maria de Médici
Bisavô materno:
Francisco I de Médici
Bisavó materna:
Joana de Áustria, Grã-Duquesa da Toscana

Referências

  1. a b Unusual Historicals: Tragic Tales: The Lost Children of Charles I
  2. "Princess Elizabeth, Second Daughter of Charles I, And Rickets"
  3. The Churchman, Volume 46
  4. «Newportparish.org» (PDF). Consultado em 11 de agosto de 2011. Arquivado do original (PDF) em 23 de agosto de 2011 
  5. «SWBeacon.indd» (PDF). Consultado em 11 de agosto de 2011. Arquivado do original (PDF) em 23 de agosto de 2011 
  6. The Peerage, consultado a 24 de Maio de 2013
 
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