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Jácome Ratton
Retrato de Jácome Ratton por Sir Thomas Lawrence, Museu Nacional de Arte Antiga
Outros nomes Jacques Ratton
Conhecido(a) por Fundar a primeira fábrica em Portugal a usar a máquina a vapor.
Nascimento
Monestier de Briançon , Pavillon royal de la France.svg Reino de França
Morte
Lisboa, Reino de Portugal
Nacionalidade Pavillon royal de la France.svg Francesa / Flag of Portugal (1707).svg Portuguesa
Cônjuge Ana Isabel Clamouse
Ocupação Industrial e comerciante
Prémios Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo

Jácome Ratton (nascido Jacques Ratton, em Monestier de Briançon, atual Le Monêtier-les-Bains), 7 de Julho de 1736 - Lisboa, c. 1821-1822) foi um industrial e comerciante luso-francês do século XVIII e início do século XIX. Deputado do tribunal supremo da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação; fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da ordem de Cristo. Sendo francês de nascimento, tornou-se português por naturalização.

BiografiaEditar

Os seus pais vieram para Portugal, onde já tinham familiares (Jacome Bellon,um tio seu mantinha actividade mercantil no Porto) e Jácome Ratton seguiu-os, chegando a Lisboa em 7 de Maio de 1747, onde continuou a sua educação, sempre orientada no sentido do comércio. Em 1758 casou com Ana Isabel Clamouse, filha do cônsul francês no Porto, Bernard Clamouse. Em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, naturalizou-se português.

No quadro das políticas de fomento industrial pombalino, em 1764 projectou uma fábrica de tinturaria, outra de chitas, outra de papel e ainda de chapelaria, em Elvas e Lisboa; ao mesmo tempo investia na exploração das salinas de Alcochete e à plantação de árvores exóticas em Portugal (foi ele o responsável pela introdução do Eucalipto e da Araucária em Portugal).

Em 1789, conjuntamente com Timothy Lecussan Verdier, fundou uma fábrica de fiação de algodão em Tomar, a primeira do país a usar a nova tecnologia da revolução industrial - a máquina a vapor.

Pela sua intensa actividade em prol e benefício do reino, em 1788 foi nomeado deputado da Junta do Comércio e depois fidalgo cavaleiro da Casa Real. Recebeu o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Com o início das Invasões Francesas (1807), apesar de se manter afastado da governação de Junot e muito provavelmente devido às suas ideias de progresso, foi tido por suspeito de colaboracionismo com os ocupantes, e conotado com os revolucionários jacobinos; demitido do posto de deputado da Junta de Comércio, foi preso a 11 de Setembro de 1810 em São Julião da Barra, tendo daí seguido para a ilha Terceira conjuntamente com outros presos a bordo da fragata Amazona. Mais tarde consegue exilar-se em Inglaterra, onde o seu filho se tinha estabelecido e aí permaneceu exilado até 1816.

Regressado a Lisboa, aí faleceu cerca de 1821 ou 1822.

Celebrado memorialista, escreveu e publicou, em 1813, precioso documento sobre seu tempo, a obra intitulada: Recordacoens de Jacome Ratton, fidalgo cavalleiro da Caza Real, cavalleiro da ordem de Christo, ex-negociante da praça de Lisboa, e deputado do tribunal supremo da Real Junta do Commercio, Agricultura, Fabricas e Navegação. Sobre occurrencias do seu tempo, em Portugal, durante o lapso de sessenta e tres annos e meio, aliás de maio de 1747 a setembro de 1810, que rezidio em Lisboa: acompanhadas de algumas subsequentes reflexoens suas, para informaçoens de seus proprios filhos. Com documentos no fim. Londres. Impresso por H. Bryer, Bridge Street, Blackfriars, 1813.

O seu Palácio em Lisboa (Palácio Ratton), é hoje em dia a sede do Tribunal Constitucional.

Notas

ReferênciasEditar

  • Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume VI, págs. 99-100. 1904-1915 João Romano Torres - Editor
  • Michèle Janin-Thivos, Marchands migrants du Briançonnais, Monestier de Briançon au XVIIIe siècle, Editions du Fournel 2018.