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Jeremias III de Constantinopla
Mosaico do patriarca Jeremias III.
Nascimento Década de 1650
Patmos
Morte 1735 (85 anos)
Monte Atos
Cidadania Império Otomano
Etnia Gregos otomanos
Ocupação sacerdote
Religião cristianismo ortodoxo

Jeremias III de Constantinopla (em grego: Ιερεμίας Γ΄; m. 1735) foi patriarca ecumênico de Constantinopla duas vezes, entre 1716 e 1726 e entre 1732 e 1733.

HistóriaEditar

Jeremias nasceu entre 1650 e 1660[1] na ilha de Patmos, onde foi ordenado diácono. Depois, serviu como sacerdote em Halki (Heybeliada) e depois na diocese de Cesareia na Capadócia. Quando o bispo metropolitano da cidade, Cipriano, se tornou patriarca, em 1707, Jeremias o sucedeu como metropolitano[2].

Sua primeira eleição ao patriarcado ocorreu em 23 de março de 1716 e Jeremias serviu por um longo mandato quando comparado ao de seus antecessores, resistindo a várias tentativas de deposição provavelmente por causa do apoio recebido do recém-criado Império Russo. Em 1 de janeiro de 1718, o metropolitano de Pruoza, Cirilo, foi eleito patriarca em seu lugar, mas Jeremias retornou ao trono logo no dia 17 de janeiro. Em 1720, ele foi preso e seu rival, o patriarca anterior Cirilo IV, reinou entre 10 e 22 de janeiro, quando Jeremias reassumiu o trono[3]. Finalmente, Jeremias foi deposto em 19 de novembro de 1726 depois de entrar em conflito pelo governante da Moldávia Gregório II Gica por causa de sua recusa em conceder o divórcio ao irmão dele e acabou exilado para o Sinai.

Em 1732, Jeremias retornou do exílio e, em 15 de setembro, foi nomeado patriarca novamente[3]. Contudo, depois de apenas alguns meses, em março de 1733, ele foi obrigado a renunciar por causa de uma hemiplegia e se retirou para o Mosteiro da Grande Lavra, em Monte Atos, onde morreu em 1735.

PatriarcaEditar

Questionado pelo czar Pedro I da Rússia sobre a validade de batismos celebrados por protestantes em 31 de agosto de 1718, Jeremias confirmou que não era necessário rebatizar um protestante que se juntasse à Igreja Ortodoxa pois a crisma era suficiente, uma resposta em linha com a data por seu predecessor, Cipriano, em relação ao batismo católico[2].

Em 1720, Jeremias recebeu permissão do sultão otomano para reconstruir a Catedral de São Jorge, destruída num incêndio anos antes, maior e mais luxuosa na sede do Patriarcado em Phanar[4]. O sultão também reconheceu o Mosteiro da Transfiguração, nas Ilhas dos Príncipes, que foi enriquecido com uma coleção de valiosas pinturas doadas por Pedro I.

Em dezembro de 1723, Jeremias aprovou a supressão, determinada em 1721 por Pedro I, do Patriarcado de Moscou e sua substituição pelo Santíssimo Sínodo[2].

Depois que os melquitas de Damasco elegeram o pró-ocidente Cirilo VI Tanas como novo patriarca de Antioquia, Jeremias declarou que a eleição de Cirilo era inválida, excomungou-o e nomeou o jovem monge Silvestre como novo patriarca. Jeremias consagrou Silvestre de Antioquia como bispo em Istambul em 8 de outubro de 1724 (27 de setembro no calendário juliano)[5], um evento que separou a igreja melquita entre a Igreja Melquita Greco-Católica e a Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia.

Jeremias impôs austeridade nos gastos do Patriarcado, reduzindo suas dívidas e melhorando a situação financeira da igreja.

Ver tambémEditar

Jeremias III de Constantinopla
(1716 - 1726 / 1732 - 1733)
Precedido por:  

Patriarcas ecumênicos de Constantinopla

Sucedido por:
Cosme III
Paísio II
218.º Calínico III
Serafim I

Referências

  1. Ilioupolis, Gennadios (1950). «The Ecumenical Patriarch Jeremiah the Third». Ορθοδοξία (em grego) (25): 148 
  2. a b c Aubert, R. (2003). Dictionnaire d'histoire et de géographie ecclésiastiques. Jérémie III (em inglês). 28. Paris: Letouzey et Ané. p. 1001-1002. ISBN 2-7063-0210-0 
  3. a b Kiminas, Demetrius (2009). The Ecumenical Patriarchate (em inglês). [S.l.]: Wildside Press LLC. p. 41, 47. ISBN 978-1-4344-5876-6 
  4. Varvounis, M.G. (2006). Το Οικουμενικό Πατριαρχείο (em grego). Atenas: εκδόσεις Χελάνδιον. p. 23. ISBN 960-87087-5-3 
  5. Korolevsky, Cyril (1924). Dictionnaire d'histoire et de géographie ecclésiastiques. Antioche (em inglês). 3. Paris: Letouzey et Ané. p. 647 

Ligações externasEditar