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José Falkenbach Amádio (Porto Alegre, 10 de agosto de 1923Rio de Janeiro, 1 de setembro de 1992) foi um jornalista brasileiro, muito conhecido nos anos 50 e 60 do século XX por ser o editor da maior revista do país à época, O Cruzeiro - onde revolucionou o jornalismo criando uma linguagem mais concisa e moderna que batizara de "jornalismo bossa nova", e que causou polêmica.

Biografia e carreiraEditar

Amádio era filho de Nagib Amádio e de Adília Falkenbach Amádio.[1] Começou a carreira jornalística na Revista do Globo, publicação quinzenal da editora gaúcha, Globo, junto a Nelson Quadros que, como ele, mais tarde se transferiu para O Cruzeiro.[2]

Sem formação na área, tinha 21 anos quando em 1944 começara na revista, assinando seus artigos e editoriais com as iniciais "J.A."; quatro anos depois recebeu um convite para se tornar assistente do secretário de O Cruzeiro, Accioly Neto; dois anos depois já estava em seu lugar na revista do empresário Assis Chateaubriand.[3]

Começou na direção de O Cruzeiro no ano de 1950; uma década mais tarde, já seu editor-chefe, empreendeu uma verdadeira transformação no visual gráfico da revista; na época tudo que era novo recebia o apelido de bossa nova, e foi assim que procurou justificar-se perante as críticas dos leitores, incomodados com as mudanças.[4]

Tornando o design da revista mais "arejado", ele também alterou a estrutura interna da edição, de forma que concentrou em si as decisões, para fazer frente ao estilo inaugurado pela concorrente Manchete, o que despertou internamente muito descontentamento com a perda do espaço do que chamavam "jornalismo-verdade" para os textos amenos de colunismo social.[3]

Com as divergências internas crescendo, Amádio deixou de aparecer na edição da revista de 16 de novembro de 1957; a revista não conseguiu sucesso com sua retirada, e ele voltou como chefe de redação em 31 de outubro de 1959, numa gestão que duraria dez anos.[3]

Ali, além da sua coluna primitiva chamada Cine-revista, passou a assinar também duas páginas sob título Gente que Faz Notícia e uma série longa chamada Ninguém Conhece Ninguém, na qual traçava perfis de personalidades da época, como políticos e astros de cinema; seus editoriais, escritos de forma leve e irônica, davam o tom da fase "bossa nova" da revista, sob o título Conversa com o leitor.[3]

Foi responsável por introduzir no jornalismo nomes como Mário de Moraes, que começara n'O Cruzeiro como diagramador em 1950 e, cinco anos, depois vencera a primeira edição do Prêmio Esso com a reportagem para a revista intitulada Os Paus-de-Arara, uma Tragédia Brasileira.[5]

Referências

  1. René E. Gertz (2015). «O mundo colonial gaúcho e a política regional após 1945» (PDF). Anais do III Congresso Internacional de História Regional – ISSN 2318-6208. Consultado em 27 de março de 2016 
  2. Mateus Dalmáz (2002). A Imagem do Terceiro Reich na Revista do globo (1933-1945). [S.l.]: EDIPUCRS. p. 69. ISBN 8574302600 
  3. a b c d José Estevam Gava (2006). Momento Bossa Nova. [S.l.]: Annablume. p. 95-114. ISBN 8574196002 
  4. José Estevam Gava (16 de julho de 2009). «1960: ano em que até o design gráfico foi bossa nova». Agitprop - revista de propaganda e design, ano II, Nº 19 ISSN: 1983-005X 
  5. Institucional (21 de maio de 2001). «Mário de Moraes - trajetória». Memória Globo. Consultado em 27 de março de 2016