Kazuo Ohno

Kazuo Ohno (em japonês 大野 一雄, Hakodate, 27 de outubro de 1906Yokohama, 1 de junho de 2010) foi um dançarino e coreógrafo japonês, considerado um mestre do teatro butô, arte que mistura dança e artes dramáticas.[1][2] Foi discípulo e fez parceria com Tatsumi Hijikata (1928-1986), inventor do butô,[3][4][5] e esteve três vezes no Brasil, nos anos de 1986, 1992 e 1997 por meio do diretor brasileiro Antunes Filho.

Kazuo Ohno
大野 一雄
Kazuo Ohno em outubro de 1986.
Conhecido(a) por Mestre do butô
Nascimento 27 de outubro de 1906
Hakodate
Morte 1 de junho de 2010 (103 anos)
Yokohama
Nacionalidade  Japão
Cônjuge Chie Nakagawa (morta em 1997)
Filho(a)(s) Yoshito Ono
Ocupação Dançarino e coreógrafo
Página oficial
Kazuo Ohno Dance Studio

Kazuo Ono declarou certa vez sobre sua própria obra: "A melhor coisa que alguém pode me dizer é que, enquanto assistia minha performance, começou a chorar. Não importa entender o que eu estou fazendo: talvez seja melhor que as pessoas não entendam, mas apenas respondam à dança."[6]

Anos iniciaisEditar

Ohno nasceu na cidade de Hakodate, Hokkaido, em 27 de outubro de 1906. Demonstrou aptidão para o atletismo, esqui e tênis já na Escola Secundária Pública de Ohdate, na província de Akita, e formou-se em uma faculdade de atletismo em 1929, ensinando educação física em uma escola primária. Em 1933, Ohno começou a estudar com os pioneiros da dança moderna japonesa Baku Ishii e Takaya Eguchi, o que o qualificou para ensinar dança na Soshin Girls' School em Yokohama, da qual se aposentou em 1980.

Em 1938, durante a Segunda Guerra Mundial, Ohno foi convocado para o Exército Japonês como tenente e, mais tarde, ascendeu a capitão. Lutou na China e na Nova Guiné, onde foi capturado e enterrado pelos australianos como prisioneiro de guerra.[6] Foi liberado no ano seguinte e, de volta ao Japão, se aprofunda nos estudos de dança com Takaya Eguchi. A guerra e seus horrores forneceram-lhe inspiração para toda a vida, como, por exemplo, para a obra Jellyfish Dance, considerada uma meditação sobre os enterros no mar que ele observou a bordo do navio que transportava soldados de volta ao Japão.

CarreiraEditar

Após a guerra, começou a trabalhar em sua dança novamente e apresentou seus primeiros trabalhos solos em 1949 em Tóqui. Na década de 1950, conhece Tatsumi Hijikata, que o inspirou a começar a cultivar o Butô, uma nova forma de dança que se desenvolveu na turbulência da paisagem monótona do Japão pós-guerra. Hijikata rejeitava as formas de dança ocidentais populares na época e desenvolveu com Ohno e um grupo coletivo o vocabulário de movimentos e ideias que mais tarde, em 1961,chamou de movimento Ankoku Butoh-ha.

Durante a década de 1960, Ohno buscou seu próprio estilo, ao colaborar com Tatusmi Hijikata. Em 1977, estreou seu solo La Argentina Sho, dirigido por Hijikata e dedicado à famosa dançarina espanhola Antonia Mercé (conhecida como "La Argentina", que ele viu se apresentar em 1926). Recebeu o prestigioso Prêmio do Círculo de Críticos de Dança do Japão pela apresentação e posteriormente fez turnê com a peça, impactando o mundo da dança internacional desde o 14º Festival Internacional de Nancy, Meurthe-et-Moselle, em 1980, até sua estreia nos Estados Unidos em 1981 no La MaMa Experimental Theatre Club em Nova Iorque. Outras cidades da turnê incluem Estrasburgo, Londres, Stuttgart, Paris e Estocolmo. A essa altura, Kazuo Ohno já era muito considerado artisticamente pelo mundo.

Com a direção de Hijikata, Ohno criou mais duas obras importantes, My Mother e Dead Sea, interpretadas com seu filho, o também dançarino e coreógrafo Yoshito Ohno. Outros trabalhos: Water Lilies, Ka Chō Fū Getsu [Flores-Pássaros-Vento-Lua] e The Road in Heaven, The Road in Earth. Ele recebeu um prêmio cultural da Prefeitura de Kanagawa em 1993, um prêmio cultural da cidade de Yokohama em 1998 e o Prêmio Michelangelo Antonioni para as Artes em 1999.

Últimos anos e morteEditar

Em 2001, embora tenha perdido a capacidade de andar, Ohno continuou se apresentando e desenvolveu formas de se expressar através da dança apenas movendo as mãos. Nos últimos anos, Ohno estava sob os cuidados de uma enfermeira em casa, mas continuou com suas aparições no palco, principalmente nas obras de Butoh de seu filho Yoshito Ohno, que o auxiliava no dia a dia e no palco. Em janeiro de 2007, ele fez sua última aparição pública no Hyakkaryoran de Yoshito em uma comemoração de gala de seu 100º aniversário. Ohno morreu de insuficiência respiratória em 1º de junho de 2010 em Yokohama, Japão, com 103 anos de idade.[7][8][9]

Trabalhos notáveisEditar

  • Dead Sea
  • Ka Cho Fu Getsu
  • My Mother
  • Water Lilies

Referências

  1. «UOL: Dançarino e coreógrafo japonês Kazuo Ohno morre aos 103 anos». Consultado em 2 de junho de 2010. Arquivado do original em 6 de junho de 2010 
  2. «Morreu Kazuo Ohno, intérprete maior da dança butô». Publico.pt. 2 de Junho de 2010. Consultado em 3 de junho de 2010 
  3. Ribeiro e Bittencourt, 2018, p. 196.
  4. Cf. International Encyclopedia of Dance, págs. 362-362.
  5. "Japanese performing artes/Since World War II". Encyclopedia Britannica. Consultado em 28/03/2021.
  6. a b (em inglês) Martin Childs, "Kazuo Ohno: Dancer who co-founded the modern Butoh style and brought it to the world stage", The Independent, 7 de julho, 2010.
  7. "Morre aos 103 anos o dançarino japonês Kazuo Ohno" (02/06/2010). G1.
  8. Gustavo Fioratti, "103, morre bailarino Kazuo Ohno" (02 de junho de 2010). Ilustrada, Folha de S. Paulo.
  9. Jennifer Dunning, 1º de junho de 2010, "Kazuo Ohno, a Founder of Japanese Butoh, Dies at 103". The New York Times.

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar