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Udi
Falado em: Rússia,Azerbaijão, Geórgia
Total de falantes: 10 000
Família: Caucasiana
 Caucasiana do Nordeste
  Lezguiana
   Udi
Estatuto oficial
Língua oficial de: -
Regulado por: Sem órgão regulador
Códigos de língua
ISO 639-1: -
ISO 639-2: cau

A língua udi faz parte da família das línguas caucasianas. É falada pelo povo udi e é a principal língua da Albânia. Esta língua remonta ao século X, e atualmente é falada por cerca de 10 000 pessoas.

Este idioma pertence ao grupo lezguiano das línguas nack-daguestânicas. Está dividida em dois dialetos: nidj e oguz,[1][2] mas a diferença entre eles não impede a compreensão mútua, ainda que cada dialeto se desenvolva independentemente. A língua udi é considerada ágrafa, apesar dos esforços para a criação de uma escrita própria.

O udi só é utilizado na vida cotidiana. A título de língua oficial, as pessoas desta etnia utilizam a do país em que vivem: o azeri, no Azerbaijão, o russo, na Rússia, o cazaque, no Cazaquistão, o georgiano, na Geórgia etc. A maioria do povo udi domina duas ou, frequentemente, três línguas.[3]

Segundo especialistas, o udi na antiguidade era um dos idiomas mais difundidos na Albânia e na base da mesma surgiu, no século IV, a escrita da Albânia (agvana).

Índice

DialetosEditar

O udi tem dois dialetos: nidj e de Vartashen (vartasheno-oktomberi). O dialeto nidj tem tipos de falas que se dividem em três subgrupos: inferiores, intermediários e superiores. Existe a opinião de que todas estas divisões eram historicamente falas independentes (talvez dialetos, em certo tempo) da língua udi. Depois da migração dos udi de distintos lugares (de Nagorno-Karabakh, Tauza e dos povoados vizinhos) ao povoado nidj, estas falas uniram-se, aos poucos, ao dialeto nidj. Ao dialeto de Vartashen, pertencem duas falas: a de vartashen, propriamente dita, e o oktomberi.[4] A fala oktomberi não se diferencia muito do dialeto de Vartashen, já que o povo udi migrou para Oktomberi em 1992.

Escrita antigaEditar

No ponto de vista histórico, a língua caucasiano-albanesa é a mais próxima da língua udi, e mais ainda, ao udi antigo. O alfabeto tinha 52 letras. Posteriormente, este alfabeto aplicava-se amplamente: à língua caucasiano-albanesa (não confundir com o albanês falado na Albânia, país situado na região dos Bálcãs) foram traduzidos textos bíblicos e nela foram celebrados rituais religiosos. Entretanto, consequentemente, por causas históricas, esta escritura desapareceu gradualmente.

LocalizaçãoEditar

A língua udi está difundida de um modo compacto no povoado Nidj, na região de Qabala (antiga Kutkashen), e no centro regional de Oğuz (antiga Vartashen), no Azerbaijão, no povoado Zinobiani, na região de Kvarelsk, na Geórgia, e também de forma esparsa na Armênia e outros países. Em 2002, na Rússia, foram registradas 2.960 pessoas que falam udi (entre 3.721 pessoas etnicamente udi).

Investigação científica da línguaEditar

Uma etapa importante na história da língua udi ocorreu entre o século XIX e o começo do XX. Neste momento começou a investigação científica da língua e ocorreram as primeiras tentativas de dar ao idioma udi um alfabeto.

O começo do estudo da língua udi está relacionado com A. A. Schiefner, que imprimiu a primeira monografia sobre o idioma.[5] Posteriormente, A. Dirr continuou este trabalho, e em 1902 publicou a monografia Gramática da língua udi.[6][7]

O povo udi deu grande importância à pesquisa da língua e deu-lhe uma forma escrita. Já nos anos 50 do século XIX, Gueorgui Bezhanov, um udi de Vartashen, ajudava ativamente Schiefner na investigação da língua. Ele começou a compor o dicionário deste idioma, mas sua morte prematura interrompeu o trabalho. Depois, no final do século XIX, foram publicados textos na língua udi, escritos em alfabeto cirílico, na obra Coleção dos materiais para a descrição das localidades e das tribos do Cáucaso, com diferentes contos e lendas udi.[8] Estes materiais foram recolhidos pelos irmãos C. e M. Bezhanovs, ambos etnicamente udi, de Vartashen. Mas o maior texto publicado na mesma edição foi Santo Evangelho de Mateus, Marcos, Lucas e João, também traduzido e preparado pelos irmãos Bezhanovs.[9]

Pesquisaram muito sobre a língua udi Akbar Payzat e Semion Uruzov, ambos etnicamente udi, de Vartashen. Uruzov pesquisava sobre o léxico do idioma e editou um dicionário. E. F. Dzhejranishvili (udi de Zinobiani) e V. N. Panchvidze também deram uma grande contribuição à pesquisa científica sobre a língua udi, amlém de compararem os dois dialetos do udi pela primeira vez. É necessário ressaltar o trabalho científico do pesquisador Voroshil Gukasyan, udi de Nidj. Em 1974, ele publicou o Dicionário udi-azeri-russo.[10] Na realidade, Voroshil Levonovich foi o primeiro dicionarista dos dois dialetos da língua udi.

Diferentemente dos trabalhos anteriores desta espécie, este dicionário foi feito em alto nível profissional. Para a designação dos sons da língua, aplicava-se o modo geral da transcrição prática para todos os povos do Cáucaso - da transcrição à base da grafia cirílica, com a adição de sinais adicionais. Entretanto, ainda que o dicionário udi tenha sido publicado, e o povo udi tenha conseguido a possibilidade de designar os sons da língua através da escrita, o idioma seguiu como antes, sem escrita; em parte, pela publicação do dicionário não ter sido destinada a objetivos práticos, pois este tinha mais caráter científico.

Situação atualEditar

Uma nova etapa no desenvolvimento da escrita e do ensino da língua udi começou depois da decomposição da União Soviética. Em 1992, em Baku, Azerbaijão, foi publicado o projeto de ensino da língua udi para as classes iniciais. O projeto foi proposto por G. A. Kechaari, um ilustrador udi, e J. A. Ajdynov, colaborador de ciências pedagógicas no Azerbaijão. O projeto indicava a publicação do abecedário udi e de um livro neste idioma. Primeiramente, o abecedário foi feito com base na escrita cirílica e os sons foram designados segundo o modelo do alfabeto no dicionário de V. Gukasyan. Porém, com a posterior aceitação do novo alfabeto azeri com base na escrita latina, o alfabeto udi também teve que ser traduzido ao alfabeto latino (no total, o sistema de designação dos sinais ficou o praticamente o mesmo, com poucas diferenças ao usar as letras latinas). Como resultado, em meados da década de 1990 foi publicado o abecedário udi e um livro nesta língua, para as classes inicias de ensino. Atualmente, o udi é ensinado em escolas de Nidj.

Entretanto, o ensino não ocorre no nível necessário. Em raras oportunidades pode-se encontrar alguém que lê com fluidez o novo alfabeto. Isto deve-se parcialmente ao fato de que a variante do alfabeto udi que se usa na atualidade ficou inconveniente para o estudo e sua aplicação, considerado difícil até para os estudantes que tentam aprender a língua. O idioma udi é ensinado também nas classes inicias em Zinobiani. Lá, o alfabeto udi (utilizando a escrita georgiana) e o manual para o estudo da língua foram compostos pelo udi local Mamuli Neshumashvili. No entanto, apesar de a língua udi ser ensinada nas escolas georgianas, o conhecimento da língua materna por parte dos udi da Geórgia não é muito grande.

Em 1996, foi publicado pela primeira vez o livro em udi Nana Ochal (A Pátria), uma coleção de obras literárias de diferentes autores. O livro foi publicado com base no alfabeto cirílico, seguindo o modelo do alfabeto de Gukasyan. Em 2001, foi publicado o livro de G. Kechaari Orayin (Manancial). Nele estão inclusos pemas, contos, lendas e também os provérbios udi e anedotas. Em 2003, foi lançado mais um livro de G. Kechaari, Buruxmux (Os montes), uma coleção de poemas na língua udi. Estes livros já foram escritos com o novo alfabeto, com base na escrita latina. Os três livros estão escritos no dialeto de Nidj.

 
O alfabeto udi de 1992.[11]

Durante muito tempo, a língua udi seguiu sem escrita. Em diferentes períodos, trataram de traduzi-la à escrita cirílica e tentaram ensiná-la nas escolas primárias de Nidj. Na década de 1990, foi criado um alfabeto udi com base latina, no Azerbaijão.[12]

A a B b C c Ç ç D d E e Ə ə F f
G g Ğ ğ H h X x I ı İ i Ҝ ҝ J j
K k Q q L l M m N n O o Ö ö P p
R r S s Ş ş T t U u Ü ü V v Y y
Z z Ц ц Цı цı Eъ eъ Tı tı Əъ əъ Kъ kъ Pı pı
Xъ xъ Şı şı Öъ öъ Çı çı Çъ çъ Ć ć Jı jı Zı zı
Uъ uъ Oъ oъ İъ iъ Dz dz

FonologiaEditar

VogaisEditar

[13]

Anteriores Centrais Posteriores
i (y) u
ɛ ɛˤ (œ) ə ɔ ɔˤ
(æ) ɑ ɑˤ

ConsoantesEditar

Fonemas consoantes da língua udi[14]
Labiais Dentais Alveolares Palatais Velares Uvulares Glotais
lenis fortis
Nasais m n
Plosivas Sonoras b d ɡ
Surdas p t k q
Ejetivas
Africadas Sonoras d͡z d͡ʒ d͡ʒː
Surdas t͡s t͡ʃ t͡ʃː
Ejetivas t͡sʼ t͡ʃʼ t͡ʃːʼ
Fricativas Surdas f s ʃ ʃː x h
Sonoras v z ʒ ʒː ɣ
Vibrantes r
Aproximantes l j

Ver tambémEditar

Referências

  1. Dzheiranishvili E.. Udinskij jazik (сс. 453—458)//Jaziki mira: Kavkazskie jaziki. Moskva, 1999. (Russo)
  2. Panchevidze V., Dzheiranishvili E. — Udinskij jazik//Языки народов СССР. Т.4, Иберийско-кавказские языки Moskva, 1967 г.
  3. Gukasjan V. «K trexjazichiyu udin». Problemi dvujazichija i mnogojazichija, Moskva, 1972., str. 286-295 (Russo)
  4. Gukasjan, V., Udinsko-azerbayjansko-russkiy slovar. «Kratkaya grammatika udinskogo yazika» (str. 251) Baku, 1977
  5. Schiefner A. Versuch über die Sprache der Uden // Mémoires de l’Académie des Sciences de St.-Pétérsbourg, VII-e serie; t. VI. no. 8, 1863 (А. Шифнер. Опыт описания языка удин. — На нем. яз.)
  6. Дирр А. М. Грамматика удинского языка // СМОМПК. Тифлис, 1904. Вып. 30.
  7. М. Дирр. Грамматика удинского языка. Тифлис, 1903.
  8. Бежанов С., Бежанов М. Господа нашего Иисуса Христа евангелие от Матфея, Марка, Луки и Иоанна на русском и удинском языках. (СМОМПК, XXX.) Тифлис, 1902.
  9. «Сборнике материалов для описания местностей и племен Кавказа», вып. 6, 1888 г.
  10. Voroshil Gukasyan. Dicionário udi-azeri-russo.. Baku, , 1977.
  11. Çejrani, Tөdөr. Samçi dәs. Suxum, 1934
  12. Aydınov Y.A., Keçaari J.A. Tıetır. Bəkü, 1996
  13. (em inglês) Hewitt, George (2004): Introduction to the Study of the Languages of the Caucasus. LINCOM, Munich. Page 57.
  14. (em inglês) Consonant Systems of the Northeast Caucasian Languages on TITUS DIDACTICA

Ligações externasEditar