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Lacerda Pinto
Nome completo Manoel Lacerda Pinto
Nascimento 4 de dezembro de 1893[1]
Lapa / PR
Morte 15 de fevereiro de 1974 (80 anos)[2]
Curitiba / PR
Nacionalidade brasileiro
Ocupação advogado, poeta e político

Manoel Lacerda Pinto (Lapa, 4 de dezembro de 1893Curitiba, 15 de fevereiro de 1974) foi um advogado, poeta, professor catedrático e político brasileiro.

BiografiaEditar

Lacerda Pinto nasceu na segunda-feira, dia 4 de dezembro de 1893, na cidade da Lapa, interior do estado do Paraná. Era filho de Manoel Rodrigues Pereira Pinto e d. Ritta Lacerda Pinto.

Em sua cidade natal realizou os estudos primários e na capital paranaense fez os secundários e os preparatórios, bem como, participou ativamente de movimentos de vanguarda literária da primeira década do século XX, no Paraná, e que mais tarde foram chamados de "os novos" ou "os novíssimos", movimentos estes que contaram com a participação de futuras personalidades locais, como Clemente Ritz e Adolfo Werneck[3].

Dedicado à poesia e ao lado de Oscar Martins Gomes, Tasso da Silveira e José Guahiba, Lacerda fundou o "Fanal", um periódico literário que circulou entre 1911 e 1913[3]. No final de 1912, aos dezenove anos, matriculou-se na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, e ali bacharelou-se no curso de Ciências Jurídicas e Sociais em 1917. Após sua formatura, retornou a Curitiba e dedicou-se a advocacia e ao magistério, sendo professor universitário.

Com os fatos ocorridos no Brasil, originados pela revolução de 1930, Lacerda foi nomeado membro do Conselho Consultivo do Estado do Paraná e em 1934 ocupou uma das quatro vagas destinadas ao estado na Câmara Federal, ao lado de Antonio Jorge Machado Lima, Plínio Alves Monteiro Tourinho e Idálio Sardenberg, todos eleitos em 1933 para a Assembléia Nacional Constituinte[4]. Lacerda Pinto foi eleito pelo PSD e representou a Liga Eleitoral Católica[2][5].

Exerceu o mandato até a promulgação da Constituição e sem o interesse da reeleição, retornou para Curitiba para trabalhar ao lado de Marcelino Nogueira em um escritório de Advocacia[6]. Em 1937 foi nomeado, pelo interventor do Paraná, Manoel Ribas, Procurador Geral do Estado e em 1939 assumiu a Secretária de Estado do Interior e Justiça. Em 1941 foi alçado ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná e presidiu esta instituição de 1949 a 1952 e de 1959 a 1960. Paralelamente ao tribunal, continuou a exercer o magistério em instituições de ensino, como na Universidade do Paraná (atual UFPR) e na Faculdade Católica de Filosofia e em 1963 aposentou-se do cargo de desembargador ao completar a idade limite permitida para a função[2].

Lacerda Pinto dedicou grande parte de sua vida as artes literárias. Após seu envolvimento em movimentos na juventude, manteve permanente atenção para com a prosa e a poesia. Além da revista "Fanal", aonde foi um dos fundadores e editor, também contribuiu para "Revista Festa" e "Terra do Sol" (ambas do Rio de Janeiro) e jornais, como a Gazeta do Povo e "O Dia", de Curitiba e o “Iteberê”, de Paranaguá, entre outros periódicos. Em sua bibliografia literária, além de incluir ensaios, conferências e artigos, podemos destacar a sua melhor obra: "Fonte Rústica" de 1923, um livro de poesias recebido favoravelmente pela crítica especializada[6]. Foi com esta obra que Lacerda passou a pertencer à elite cultural do Paraná e a envolver-se em grandes instituições do meio, pois foi membro e um dos fundadores do Círculo de Estudos Bandeirantes e também do Centro de Letras do Paraná. Após a fusão do Centro de Letras do Paraná com a antiga Academia de Letras do Paraná (ALP) e a extinção desta última, Lacerda é um dos dezesseis remanescentes da ALP que ajudaram a fundar, em 1936, a Academia Paranaense de Letras[7]. Nesta instituição, foi o primeiro ocupante da Cadeira N° 18[8][9].

Falecimento e homenagensEditar

Manoel Lacerda Pinto era casado com Esther Lacerda Pinto e faleceu em Curitiba, na sexta-feira, dia 15 de fevereiro de 1974, aos 80 anos e 02 meses de idade.

Ao poeta e jurista Lacerda Pinto, são inúmeras as referências a sua memória, tais como:

  • Na fundação da Academia Paranaense de Poesia, foi homenageado como Fundador da Cadeira Poética N° 1 desta instituição[10];
  • O Fórum Eleitoral do município de Fazenda Rio Grande, no Paraná, foi batizado como o nome do ex-presidente do Tribunal-Fórum Eleitoral Desembargador Manoel Lacerda Pinto[11];
  • Passado pouco mais de um ano do falecimento do desembargador, a cidade de Curitiba determinou que uma das vias do bairro Bacacheri fosse batizada em homenagem ao jurista, sendo nominada de Rua Desembargador Manoel Lacerda Pinto[12].

Referências

  1. NICOLAS, 1977, p95.
  2. a b c Memorial do Ministério Público do Estado do Paraná – Manoel Lacerda Pinto Site do Ministério Público do Paraná — acessado em 24 de junho de 2010
  3. a b A Gloriosa Asneira de Casar-se, matéria de: Cláudio Denipoti Revista da Universidade Estadual de Ponta Grossa — acessado em 22 de junho de 2010
  4. Paraná na Câmara dos Deputados (I), matéria de: Aramis Millarch Tablóide Digital — acessado em 23 de junho de 2010
  5. Os partidos de 50 anos passados (I), matéria de: Aramis Millarch Tablóide Digital — acessado em 23 de junho de 2010
  6. a b HOERNER, 2001, p120.
  7. Histórico Site da Academia Paranaense de Letras — acessado em 26 de junho de 2010
  8. Cadeira N° 18 Site da Academia Paranaense de Letras — acessado em 26 de junho de 2010
  9. HOERNER, 2001, p117.
  10. Cadeira Poética N° 1 Academia Paranaense da Poesia — acessado em 28 de junho de 2010
  11. Notícia de 25 de outubro de 2007 Site do Tribunal Superior Eleitoral — acessado em 28 de junho de 2010
  12. SPL – Sistema de Preposições Legislativas – Lei Ordinária n° 5073/1975 Site da Câmara Municipal de Curitiba — acessado em 30 de junho de 2010

BibliografiaEditar

  • NICOLAS, Maria. O Paraná na Câmara dos Deputados.Curitiba: Imprensa Oficial; 1977, 220p
  • HOERNER Jr, Valério, BÓIA, Wilson, VARGAS, Túlio. Bibliografia da Academia Paranaense de Letras - 1936/2001. Curitiba: Posigraf, 2001. 256p.
  • PINTO, Manoel L. Discursos e Conferências. Curitiba: Ed. Educa, 1984