Manuel Damasceno da Costa

Manuel Damasceno da Costa
Nascimento 2 de fevereiro de 1867
Covilhã
Morte 27 de janeiro de 1922 (54 anos)
Angra do Heroísmo
Cidadania Portugal
Ocupação padre católico
Religião Igreja Católica

Manuel Damasceno da Costa (Covilhã, 2 de Fevereiro de 1867Angra do Heroísmo, 27 de Janeiro de 1922), foi o 33.º bispo de Angra, tendo governado a diocese entre 1915 e 1922. Foi o primeiro prelado angrense nomeado após a implantação da República, tendo desempenhado um importante papel de pacificação face às tensões anticlericais existentes e de procura de soluções que permitissem a sobrevivência do Seminário Episcopal de Angra, então sem instalações próprias por ter sido expulso do edifício do antigo convento de São Francisco de Angra.

BiografiaEditar

Manuel Damasceno da Costa nasceu na Covilhã a 2 de Fevereiro de 1867, filho de António da Costa Rato e de Maria do Carmo Damasceno.

Fez os seus estudos primários e secundários no Colégio de São Fiel, de onde transitou para o Seminário da Guarda. Completados aí os estudos preparatórios, ingressou no curso teológico da Universidade de Coimbra, onde um seu tio, Manuel de Jesus Lino, era lente de Teologia.

A 20 de Novembro de 1890 recebeu na sé catedral da Guarda as ordens presbiterais, tendo concluído a formatura universitária no ano imediato.

A partir de 1891 passou a leccionar Filosofia e História Eclesiástica na Guarda, desenvolvendo simultaneamente actividades pastorais como assistente religioso do Apostolado da Oração e das Conferências de São Vicente de Paulo daquela diocese.

Transitando para a diocese de Viseu, foi nomeado secretário do bispo e pouco depois cónego daquela Sé e director espiritual do Colégio do Sagrado Coração de Maria e do círculo diocesano do operariado católico.

Quando se preparava para emigrar para o Brasil, face à extinção do Colégio, foi nomeado pelo papa Bento XV, por carta de 2 de Outubro de 1914, para bispo de Angra.

Por procuração que fez ao deão, a quem nomeou governador do bispado, tomou posse da Diocese a 15 de Março de 1915, sendo sagrado bispo a 11 de Abril daquele ano. A cerimónia de sagração decorreu na Sé de Viseu, sendo sagrante o bispo daquela diocese D. José Alves Ferreira. Foram consagrantes o antigo bispo de Angra, D. Francisco José Ribeiro Vieira e Brito, e o bispo de Portalegre D. António Moutinho.

Em resultado do clima de tensão existente entre a recém-implantada República portuguesa e a Santa Sé, que dificultava as nomeações episcopais, Angra estava sem bispo desde 1910. Nos 5 anos transcorridos tinha-se gerado entre os católicos locais um sentimento de orfandade pelo que o anúncio da chegada de um novo bispo foi saudado com júbilo, tendo-se formado uma comissão para organizar os festejos que haviam de marcar a entrada do novo bispo na diocese.

No dia aprazado desembarcou o bispo, mas em trajes seculares, coisa que Angra nunca antes tinha visto em qualquer dos seus prelados: sobrecasaca e chapéu de seda. Assim vestido, dirigiu-se à igreja da Misericórdia, rente ao cais, onde se paramentou e revestido da autoridade de bispo foi conduzido, debaixo de pálio, em interminável cortejo para a catedral dos Açores, que o recebeu com pompa e solenidade, repiques, música, girândolas e, sobretudo, por uma população apinhada que o ovacionava.

De temperamento sociável, logo criou amizades em Angra, onde conviveu com algumas famílias, gostando de visitar e ser visitado. Uma das suas primeiras preocupações foi realizar visita pastoral, pelo que logo nesse verão percorreu a Graciosa, Faial, Pico e São Jorge, consecutivamente e sem deixar atrás qualquer freguesia.

Um outro aspecto do seu governo foi a imposição de uma contribuição a favor do Seminário, a ser paga pelo clero açoriano ausente, principalmente nos Estados Unidos e Brasil.

Preparou e submeteu à apreciação do Cabido uma lista, que foi aprovada, para nomeação de examinadores pró-sinodais e párocos consultores e preocupou-se com as conferências eclesiásticas, que actualizou, e com a Congregação da Doutrina Cristã, subordinando esta última a uma Comissão Central Diocesana. No campo pastoral, empenhou-se pelos doentes e enfermos, recomendando ao clero a sua assistência espiritual e regulou a pregação e exames de confessor.

A 6 de Outubro de 1915 elevou o curato de Santo António do Norte Grande, nas Velas da ilha de São Jorge, à categoria de paróquia, fazendo o mesmo a 13 de Janeiro de 1916 a Santa Cruz das Ribeiras, na ilha do Pico.

Em 1917 publicou uma pastoral sobre a família e o alcoolismo, manifestando sensibilidade para as questões sociais. Não escondia a sua afeição ao governo de Sidónio Pais, tendo lançado uma importante pastoral sobre o dever dos católicos votarem, não cometendo o erro da abstenção comodista e, ainda menos, o de votarem em inimigos declarados das justas pretensões da ordem e da liberdade religiosas.

Em resultado das legislação anticlerical que se seguiu à implantação da República, o Seminário Episcopal de Angra fora obrigado a sair das instalações do antigo Convento de São Francisco de Angra, que até então partilhara com o Liceu. Tal causava graves dificuldades à formação do clero, pelo que D. Manuel Damasceno desenvolveu diversas iniciativas com vista à construção de novo Seminário. Adquiriu para tal o antigo solar dos condes da Praia (em Santa Luzia de Angra, onde hoje está instalado o observatório meteorológico) e preparou o projecto de adaptação.

D. Manuel Damasceno sagrou, a 20 de Novembro de 1921, na Matriz de São Salvador da Horta, D. José da Costa Nunes como bispo de Macau. O bispo D. José da Costa Nunes haveria de atingir honras cardinalícias e ser Patriarca das Índias Orientais.

Por esta altura foi ferido por um tiro de revólver numa perna, quando interveio para evitar o suicídio de um cozinheiro que trabalhava no Paço Episcopal, tendo o caso sido muito comentado, o que se diz ter contribuído para a sua morte.

Faleceu de morte súbita, atribuída a uma síncope cardíaca, em Angra do Heroísmo, a 27 de Janeiro de 1922, e jaz sepultado no Cemitério de Nossa Senhora do Livramento, na freguesia de São Bento, onde um mausoléu perpetua a sua memória.

O solar dos condes da Praia acabaria por ser demolido, sendo a sua pedra utilizada para a construção do actual edifício do Seminário na Rua do Marquês, na parte central da cidade de Angra do Heroísmo.

Ligações externasEditar