Velas

município e vila dos Açores, Portugal
 Nota: Se procura por outras acepções, veja Vela (desambiguação).

Velas é uma vila portuguesa na ilha de São Jorge, Região Autónoma dos Açores, com cerca de 1 985 habitantes.

Velas

Vista parcial das Velas.

Brasão de Velas Bandeira de Velas

Localização de Velas

Gentílico Velense
Área 119,08 km²
População 5 398 hab. (2011)
Densidade populacional 45,3  hab./km²
N.º de freguesias 6
Presidente da
câmara municipal
Luís Silveira (CDS-PP, 2021-2025)
Fundação do município
(ou foral)
1500
Região (NUTS II) Região Autónoma dos Açores
Ilha Ilha de São Jorge
Antigo Distrito Angra do Heroísmo
Orago São Jorge
Feriado municipal 23 de abril[1]
Código postal 9800-539
Sítio oficial http://cm-velas.azoresdigital.pt
Município de Portugal

É sede do município de Velas[2] com 119,08 km² de área e 5 398 habitantes (2011), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelo município da Calheta, e tem litoral no oceano Atlântico em todas as outras direcções.

A vila está localizada num extenso terreno relativamente plano junto à costa ao lado das montanhas e longas arribas junto a uma longa enseada.

História editar

A origem do nome desta localidade nunca foi esclarecida pelos historiadores. Pode no entanto, segundo esses mesmos historiadores poder remeter-nos para as "velas" das embarcações, para vigias ou para o termo velar, para o nome de povoações com o mesmo nome no continente português, para o termo "velhas" ou mesmo para a palavra "belas". É, no entanto, mais provável que o nome provenha dos termos “velas de embarcação”, ou dos termos velar/vigília. Tendo em atenção as embarcações usadas no tempo da sua fundação e a outra, tendo em atenção as forças telúricas que se movimentam nestas ilhas e que muitas vezes obrigavam as populações a ficar a velar ou de vigília durante as crises vulcânicas para poderem dar o alerta em caso de necessidade.

 
Vista parcial das Velas com a Ponta da Queimada ao fundo.
 
Porto de Velas, Velas, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.
 
Vista parcial das Velas, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.

Esta vila encontra-se entre os povoados mais antigos da ilha de São Jorge. E foi edificada em consequência do testamento do Infante D. Henrique datado de 1460, feito numa igreja debaixo da invocação de São Jorge. O município de Velas foi criado por volta de 1490 ou mesmo antes, sendo que a elevação da povoação à categoria de vila terá ocorrido por volta de ano de 1500, por carta de D. Manuel I de Portugal.[3] Esta localidade já surge como vila num mapa de 1507. No ano de 1570 as Velas teriam cerca de 1000 habitantes e 2000 habitantes no fim do século XVII, número que aumentaria para 4200 no ano de 1822, e que mais tarde diminuiu devido à emigração.

No dia 19 de Setembro de 1708 uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin constituída por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam a vila das Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas.

Ao primeiro ataque os habitantes da vila, comandados pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa, conseguem impedir o desembarque tentado a 19 de Setembro. No dia 20 deu-se novo ataque e os habitantes não conseguiram opor-se com êxito a esta tentativa. Pelas 9 horas da manhã em que, dividindo as suas forças em duas colunas, enviara, uma para as portas das Velas (6 barcos) e outra, mais forte (10 barcos), para os lados do Morro das Velas e, desembarcando junto ao Arco, lançaram em terra mais de 500 homens, com morte d'alguns dos sitiados.

Os franceses permaneceram nesta vila 5 dias em que saquearam completamente as igrejas e casas abastadas. Em local sobranceiro ao sitio onde se efectuou o desembarque, foi construído o Forte de Nossa Senhora do Pilar, também conhecido por Castelo da Eira.!

Cronologia editar

século XV editar

século XVI editar

  • 1500 – Elevação da povoação de Velas à categoria de vila.
  • 1507 – A Vila das Velas surge pela primeira vez num mapa com esta denominação.
  • 1543 – Data de construção da primeira ermida erigida no povoado de Santo António e que foi substituída pelaIgreja de Santo António, mandada fazer por Jorge de Lemos e sua mulher Maria de Ávila, moradores na Vila das Velas.[6][8]
  • 1550 – As Manadas tinham 250 habitantes.
  • 1559 – A freguesia das Manadas aparece na documentação deste ano como freguesia, embora se creia que a sua elevação a freguesia tenha sido em data anterior.
  • 1568 – A freguesia das Manadas era uma das seis paróquias que neste ano existiam na ilha de São Jorge.
  • 1568 – 30 de Junho, Carta Régia do Rei D. Sebastião, promulgada na Vila de Sintra, em que se passam côngruas à Igreja de Santa Bárbara das Manadas, classificada como Monumento Nacional.[7]
  • 1568 - Os Rosais aparecem como freguesia da documentação deste ano.
  • 1568 – Referências documentais à Igreja da Nossa Senhora do Rosário, dos Rosais, que no entanto se sabe ser de data anterior.[9][10]
  • 1570 – A Vila de Velas soma cerca de 1000 habitantes.
  • 1570 – O Norte Grande, uma das maiores localidades do norte de São Jorge, da altura vê abrirem-se estradas que o ligam a outros povoados da ilha.
  • 1580 – Erupção do vulcão da Queimada, ilha de São Jorge - Na noite de 28 de Abril a terra tremeu 30 vezes e 50 no dia seguinte. No dia 1 de Maio os tremores recrudesceram e nesse mesmo dia ocorreu uma explosão vulcânica no cimo da encosta sobranceira à Queimada. Outra explosão ocorreu posteriormente no alto da Ribeira do Nabo, 2 km a leste da inicial. Outra emissão de lavas teve a sua origem junto à Ribeira do Almeida e Santo Amaro. A erupção durou 4 meses com emissão de grandes correntes de lava que atingiram o mar e de muitas cinzas que recobriram a ilha, atingindo mesmo a ilha Terceira. Uma nuvem ardente matou pelo menos 10 pessoas. Mais de 4000 cabeças de gado pereceram de fome e devido aos gases e cinzas que destruíram as pastagens.
  • 1588 - 8 de Novembro, Inundações nas Velas, com enxurrada associada a chuvas fortes que causou muitos estragos e deu origem a um romance popular.
  • 1593 - Mau ano agrícola provoca fome em São Jorge, facto que esteve relacionado com as más colheitas e com a guerra de 1580-1583, com os saques ocorridos, com pesados tributos para manutenção da força de ocupação castelhana. Morreram pessoas à fome.

século XVII editar

século XVIII editar

  • 1700 – Inauguração da Ermida de Nossa Senhora do Livramento das Velas, cuja construção foi iniciada em 1697.[6]
  • 1708 - 19 de Setembro, uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin formada por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam as Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas defendido pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa.
  • 1708 – 20 de setembro, novo ataque pirata feita pelos mesmos piratas e a que habitantes desta vez não conseguiram opor-se. Às 9 horas da manhã os piratas desembarcando junto ao Portão do Mar (Velas). Entraram terra mais de 500 homens, com morte de alguns sitiados. Os piratas franceses estiveram 5 dias na vila saqueando completamente as igrejas e casas abastadas.
  • 1713 - 10 de dezembro, inundações na vila de Velas, com chuvas intensas na zona entre a Urzelina e os Rosais que levam a destruição de 27 casas na vila. A Ribeira do Almeida veio tão carregada de caudal sólido que criou uma praia que permitia a passagem a pé entre a vila e a Queimada.
  • 1713/1714 - Mau ano agrícola, fome e peste. Um mau ano agrícola, a que não foi alheio ciclone tropical de 25 de Setembro de 1713, levou a que em São Jorge fosse tal "a falta de mantimentos que chegou a morrer muita gente de fome".
  • 1719 – Início da construção do solar do abastado proprietário Manuel Avelar, que actualmente é a Câmara Municipal de Velas, as obras ficaram concluídas em 1744.[15]
  • 1722 – Reconstrução da Ermida de Jesus, Maria, José da Urzelina cuja construção é mais antiga e foi da iniciativa dos frades da Ordem dos Franciscanos.[6]
  • 1732 - 6 de Dezembro, Cheias provocam 5 mortos na ilha de São Jorge. Os lugares mais afectados foram Urzelina, Figueiras, Serroa e Velas.
  • 1744 – Fim das obras iniciadas em 1719 do solar do abastado proprietário Manuel Avelar, que actualmente é a Câmara Municipal de Velas.[15]
  • 1751 – 15 de abril, São feitas importantes anotações no manuscrito do Livro das Visitações, da Igreja de Santa Bárbara das Manadas.
  • 1755 — Maremoto atinge os Açores - O Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755 provocou o grande maremoto de 1755 (um tsunami) que atravessou a área oceânica onde os Açores se situam, afectando essencialmente as costas viradas a sul e sueste, direcção de onde as ondas se aproximaram das ilhas. O maremoto fez com que "estando o mar em ordinária tranquilidade, se elevou tanto em três contínuas marés ficando quase seca a sua profundidade por largo espaço". Assim, em Angra o mar entrou até à Praça Velha, causando grande destruição; no Porto Judeu o mar subiu "10 palmos acima da rocha mais alta"; na Praia, inundou o Paul e derribou 15 casas na costa até à Ribeira Seca, incluindo a ermida do Porto Martins. Morreram várias pessoas arrastadas pelo mar. Quase todos os portos dos Açores sofreram graves danos, ficando destruídas muitas embarcações. Em Ponta Delgada o mar subiu pelas ruas estragando muitos edifícios. Na Horta, o mar entrou pela Ribeira da Conceição, chegando aos moinhos de água "na altura de 8 palmos".
  • 1757 — 9 de julho, Grande terramoto de São Jorge: o Mandado de Deus - Um dos mais violentos, senão o mais violento, dos terramotos de que há memória nos Açores atingiu a ilha de São Jorge causando destruição generalizada e formando muitas das actuais fajãs, entre elas a da Fajã da Caldeira de Santo Cristo. O terramoto ficou conhecido na tradição popular pelo Mandado de Deus. Dos grandes deslizamentos resultou um maremoto que atingiu todo o Grupo Central dos Açores. Pelo menos 1053 pessoas morreram em São Jorge e 11 no Pico. "O terramoto foi tal que a norte desta ilha, distância de 100 braças, pouco mais, se levantaram dezoito ilhotas, umas maiores que outras". Apareceram todas na manhã do dia 10 de Julho. "É navegável o mar entre as ditas, e a ilha". Nas Fajãs dos Vimes, na Fajã de São João e na Fajã dos Cubres, se moveu a terra, voltando-se do centro para cima, de sorte que nelas não há sinal [de] onde houvesse edifício". No Faial o sismo foi sentido sem causar grandes danos.
  • 1757 - 9 de Julho, O Mandado de Deus causa grandes estragos na Igreja de Santa Bárbara das Manadas.
  • 1757 – Construção da Ermida de Santa Rita de Cássia das Manadas, graças ao testamento do Capitão Antão de Ávila Pereira, feito em 8 de junho de 1757. As obras terminam um ano depois, 1758.[5][6]
  • 1758 – Fins das Obras de construção da Ermida de Santa Rita de Cássia das Mandas, iniciadas em 1757.[5][6]
  • 1762 – Construção da Nossa Senhora das Neves do Norte Grande sobre outro templo que datava do século XVI.[6][16]
  • 1770 – Reconstrução e recuperação da Igreja de Santa Bárbara das Manadas, classificada como Monumento Nacional aproveitando uma outra mais antiga que datava de 1485 que recebeu congruas por Carta Régia do Rei D. Sebastião, Promulgada na Vila de Sintra, no 30 de Junho de 1568.[7]
  • 1792 - 23 de janeiro, enchente de mar atinge a vila de Velas. "tão impetuosa a bravura do mar" que derrubou a muralha de protecção, destruiu uma casa e danificou outras, ameaçando atingir a praça defronte da Matriz de Velas, a Igreja de São Jorge.
  • 1797 – Construção do Portão do Mar, nas Velas construção destinada a fazer parte do sistema de muralhas defensivo da vila da vila. A obra ficou concluída em 1799.[17]
  • 1799 – Fim da construção do Portão do Mar, nas Velas, construção destinada a fazer parte do sistema de muralhas defensivo da vila. A obra foi iniciada em 1797.[17]

século XIX editar

  • 1808 - 1 de Maio, Erupção do Vulcão da Urzelina - "Depois de semanas em que ocorreram sismos, no dia 1 de Maio a terra tremeu tanto que se contava oito tremores por hora. Por volta do meio dia foi ouvido um estrondo acompanhado pelo aparecimento de uma nuvem de fumo sobre os montes sobranceiros à Urzelina. A breve trecho, a nuvem engrossou e subindo ao mais alto ceo fez arco sobre parte da freguezia de Manadas e da da Urzelina", … "já mostrando nas redobradas e negras nuvens uns incumbrados montes, umas medonhas furnas". A erupção destruiu muitas casas, vinhedos e campos cultivados. A 17 de Maio, quando o vigário acompanhado por populares tentava salvar algumas coisas da igreja da Urzelina, uma nuvem ardente abateu-se sobre o local queimando mortalmente trinta e tantas pessoas: "uns com os couros das mãos e pés pendurados, outros tão inchados e pretos que se não conheciam, outros com as pernas quebradas, e alguns expirando, todos pedindo Sacramentos, e apenas os receberam alguns logo expiraram". Existe no Arquivo Histórico Ultramarino uma aguarela mostrando a erupção vista da ilha do Faial. A erupção ficou conhecida na história dos Açores pelo Vulcão da Urzelina.
  • 1808 – Destruição da Igreja de São Mateus da Urzelina pela erupção vulcânica do dia 1 de Maio. O que levou a que em 1822 fosse construído a actual Igreja de São Mateus da Urzelina.[5][6]
  • 1808 – Data da edificação da Ermida da Senhora da Encarnação da Ribeira do Nabo.[6]
  • 1812 - Mau ano agrícola provoca grave crise alimentar em São Jorge e na ilha Terceira - Um mau ano agrícola em 1811, agravado por uma forte tempestade em Dezembro, levou a que no início de 1812 grassasse a fome em São Jorge. Em Março na Câmara Municipal de Velas recebeu-se uma proposta de importação de milho para "sublevar a misérrima necessidade e falta de mantimentos que actualmente padece o povo".
  • 1822 - A Vila das Velas soma 4200 habitantes.
  • 1825 – Construção da torre sineira da Igreja de São Jorge das Velas.[4][5] São Jorge, Açores, Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View – Actividades Turísticas, Lda. Dep. Legal n.º 197839/03. ISBN 972-96057-2-6, 1ª edição, 2003.</ref>
  • 1828 - 28 de outubro - Aclamação do rei D. Miguel na ilha de São Jorge.
  • 1874 - É publicado nas Velas, o primeiro número do jornal "A Esperança". Semanário literário e de anúncios, de que era redactor José Maria de Sousa.
  • 1836 – Criação do jardim de Velas a mando da Câmara Municipal.
  • 1838 – Criação do Cemitério de Velas.
  • 1842 – Uma enxurrada provoca grandes danos nas Velas, no Domingo da Trindade. Na praça junto à Câmara a enxurrada foi tal que em algumas casas saiu a "água pelas janelas de sacada".
  • 1846-1847 — Fome em São Jorge causada por um mau ano agrícola, associado à grande densidade populacional de então, acontece a "penúria de cereais e falta de batata". É necessário recorrer à "Comissão de Socorros de Bocca" da ilha de São Miguel para evitar a catástrofe alimentar.
  • 1856 – 6 de janeiro, o mar invade a vila de Velas e provoca um naufrágio. No Dia de Reis, "levantou-se o mar com tal fúria que produziu uma terrível enchente". A escuna Leonor que estava ancorada no porto naufragou provocando a morte a todos os tripulantes. "O mar levou casas e barcos e galgou a zona da Conceição, chegando às paredes da cerca de São Francisco (hoje 2010, o Centro de Saúde), que parcialmente derribou".
  • 1857-1859 — Fome em São Jorge - Um ciclone tropical atingiu o Grupo Central no dia 24 de Agosto de 1857 provocando a destruição total dos milharais, então a principal produção alimentar da ilha de São Jorge. Daí resultou penúria generalizada, pelo que no início de 1858 "estava no concelho de Velas, toda a ilha, e suas vizinhas, manifestada a fome com as suas negras côres". Os anos seguintes foram também maus anos agrícolas pelo que a crise alimentar se manteve até 1859. Foi preciso recorrer a subscrições públicas, incluindo uma nos Estados Unidos, organizada pela família Dabney, para evitar que se morresse à fome.
  • 1859 - 31 de Outubro, por força de decreto e por diligência do Dr. José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa, é publicado em Diário do Governo de 2 de Novembro do mesmo ano a criação do Curato do Toledo.
  • 1864 – 22 de março – Na Fajã Rasa, Toledo, naufragou, junto ao local denominado Ponta do Calhau um navio cargueiro espanhol de nome “Algorta” carregado de Algodão;
  • 1865 – É colocado um órgão de tubos coro alto da Igreja de São Jorge das Velas, construído por Tomé Gregório de Lacerda.[4][5][6]
  • 1870- Data indicada como a do início do declínio do comércio da Laranja na ilha de São Jorge.
  • 1876 – Debaixo da orientação do Dr. José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa, na altura presidente da Câmara Municipal de Velas, e igualmente construtor da Ermida de São José, do Império do Espírito Santo do Toledo, do Cemitério do Toledo e do Chafariz público, dá início à construção de um túnel através do Pico Alto, chamado localmente “Mina”. Essa construção subterrânea destinou-se trazer água a uma nascente no lado sul da ilha, a Fonte da Chã e trazer essa água até ao chafariz público dentro da localidade do Toledo;
  • 1876 – 13 de junho – É lançada a primeira pedra da Ermida de São José do Toledo, edificada por iniciativa do Dr. José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa.[5][6][18]
  • 1976 – Data da Construção do Império do Espírito Santo de Toledo.[19]
  • 1877 - O povoado de Santo António, tinha 155 fogos e 762 habitantes.
  • 1877 — Fome em São Jorge - Um mau ano agrícola em 1876, associado à grande densidade populacional de então, leva, mais uma vez, à "falta de cereais e fome" em São Jorge, sendo necessário recorrer à importação de milho e trigo para evitar a catástrofe alimentar.
  • 1879 – 16 de maio – É rezada a primeira missa na Ermida de São José do Toledo, cuja construção se iniciou em 13 de junho de 1876 por iniciativa do Dr. José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa;
  • 1889 – 16 de maio, É rezada a primeira missa na Ermida de São José do Toledo.
  • 1893 — Um furacão provoca grande destruição no Grupo Central - A 28 de Agosto a maior tempestade de que há memória nos Açores atingiu o Grupo Central, provocando grande enchente de mar e arruinando casas, igrejas e palheiros. Também os portos foram severamente atingidos com perda de muitas embarcações. A destruição dos milhos nos campos causou fome generalizada no ano seguinte. A ilha de São Jorge foi severamente atingida, particularmente o Topo. Os danos do Furacão de 1893 ainda (ano 2010) são visíveis nalguns pontos da costa, nomeadamente na antiga, e hoje abandonada, Igreja Velha de São Mateus da Calheta, na ilha Terceira, e nas ruínas da Baía do Refugo, no Porto Judeu.
  • 1899 — Grande enchente de mar em São Jorge - Na madrugada de 3 de Fevereiro, uma grande tempestade marítima atingiu as costas viradas a sul. Em São Jorge, o mar galgou a terra matando uma pessoa nas Velas e provocando enorme destruição na freguesia da Conceição e zonas adjacentes.
  • 1899 — Furacão atinge o Grupo Central - A 17 de Outubro um furacão atravessou o Grupo Central provocando destruição generalizada das habitações e perda de colheitas e de gados. Em São Jorge verificaram-se os maiores danos.

século XX editar

População editar

Número de habitantes * [22]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021
9 635 9 753 8 951 8 405 7 390 6 826 7 328 8 252 8 830 8 466 6 840 5 927 5 707 5 605 5 398 4 936
Número de habitantes por Grupo Etário ** [23][24]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021
0-14 Anos 2 537 2 195 1 972 2 141 2 879 2 714 2 502 1 905 S/ dados 1 280 999 778 618
15-24 Anos 1 198 1 002 1 070 1 317 1 217 1 638 1 453 1 030 S/ dados 869 889 661 482
25-64 Anos 3 694 3 074 2 760 2 853 3 326 3 715 3 822 3 070 S/ dados 2 678 2 754 2 965 2 805
= ou > 65 Anos 1 060 1 081 1 012 894 726 701 689 835 S/ dados 880 963 994 1 031

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no concelho à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Freguesias editar

As seis freguesias do município de Velas são as seguintes:

Política editar

Eleições autárquicas editar

Câmara Municipal editar

Data % V % V % V % V % V % V
PSD CDS-PP PS APU/CDU PS-CDS BE
1976 52,52 3 36,67 2 7,31 -
1979 65,73 4 21,82 1 10,17 -
1982 64,48 4 30,27 1
1985 69,41 4 24,91 1 2,62 -
1989 46,01 2 PS-CDS 1,17 - 50,22 3
1993 72,26 5 11,83 - 11,14 - 0,93 -
1997 58,92 4 11,47 - 26,22 1 0,81 -
2001 50,51 3 10,10 - 33,79 2 1,65 - 1,08 -
2005 47,14 3 4,63 - 43,72 2 0,85 - 0,88 -
2009 35,55 2 11,29 - 50,10 3 0,59 -
2013 26,86 1 49,18 3 20,46 1
2017 7,45 - 53,62 3 31,06 2 5,46 -
2021 66,34 4 27,24 1

Assembleia Municipal editar

Data % V % V % V % V % V % V
PSD CDS-PP PS APU/CDU PS-CDS BE
1976 51,97 5 37,07 3 7,51 -
1979 65,19 17 22,79 6 9,84 2
1982 65,12 17 29,60 8
1985 68,89 11 25,32 4 2,77 -
1989 47,88 8 PS-CDS 1,46 - 47,37 7
1993 70,46 11 12,00 2 12,24 2 1,45 -
1997 50,47 8 10,69 1 34,97 6 1,09 -
2001 48,01 8 11,62 2 34,36 5 1,71 - 1,23 -
2005 42,02 7 9,36 1 43,66 7 1,67 -
2009 33,50 5 13,70 2 49,49 8
2013 36,80 6 30,58 5 25,59 4 2,92 -
2017 13,48 2 35,80 6 41,53 6 6,03 1
2021 15,39 2 46,82 8 25,10 4 8,24 1

Eleições legislativas regionais editar

Data %
PSD CDS-PP PS APU/CDU UDP PPM AD-A BE PPM-PDA CA PPM-PND PAN CH IL
1976 52,92 38,06 6,74
1980 63,44 19,69 11,23 0,69 1,63
1984 62,49 23,39 10,16 1,03 0,50 0,96
1988 53,17 19,15 25,84 0,71 0,55
1992 58,18 AD-A 22,86 0,98 AD-A 16,04
1996 50,79 14,83 32,41 1,26
2000 39,67 19,30 35,17 1,88 1,80 0,52
2004 47,75 1,81 0,20 1,43 47,21
2008 24,78 26,92 43,45 1,37 0,18 1,47
2012 29,15 25,56 38,20 1,66 1,13 0,47
2016 18,10 34,91 33,77 4,19 1,11 1,91 0,69
2020 17,49 39,37 28,35 2,29 2,06 1,45 0,37 6,30

Eleições legislativas nacionais editar

Data %
CDS-PP PSD PS PCP APU/CDU UDP PRD BE PAN AA L CH IL AD
1976 47,21 42,97 6,21 0,54
1979 26,95 55,10 11,25 1,29 1,41
1980 18,75 63,00 12,10 0,88 1,44
1983 16,68 64,60 13,58 0,55 0,34
1985 20,63 55,72 9,35 1,69 0,85 8,71
1987 10,83 74,68 8,13 0,87 0,25 1,41
1991 8,65 74,04 14,03 0,52 0,17 0,17
1995 13,78 61,19 21,36 1,31 0,33
1999 9,37 43,55 42,64 1,19 1,11
2002 13,41 53,35 28,46 1,28 1,57
2005 8,64 42,41 42,37 1,34 1,95
2009 18,10 34,00 39,57 0,83 4,01
2011 20,66 48,90 19,92 1,28 2,53 0,83
2015 AA 33,20 34,55 2,17 5,37 0,74 16,17
2019 16,96 21,78 34,48 12,90 3,54 1,70 0,43 0,38 0,09
2022 AD 41,30 2,25 2,85 1,00 0,70 4,40 3,20 38,95

Património edificado editar

Património natural editar

 
Morro Norte ao por-do-sol, Velas, Ilha de São Jorge

Urbanismo editar

Jardim da Praça da República editar

 
Velas, Jardim da República, coreto, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.

O Jardim da Praça da República ocupa o largo principal da vila de Velas, local onde em tempos idos esteve localizado o mercado da localidade. Este jardim encontra-se delimitado por muros baixos dotados de um gradeamento superior, canteiros de formas variadas, arbusto e algumas árvores. Ao centro possui um coreto.

A regularização da antiga praça e a sua adaptação a jardim iniciou-se em 1836, quando a Câmara Municipal de Velas emitiu uma deliberação no sentido do arranjo urbano daquele espaço. Esse documento obrigava "os porcos do concelho a andarem com anel no focinho e a não atravessarem a praça". Depois, vieram as plantações de árvores já em meados do século; a instalação do coreto em 1898; a iluminação em 1899; os arranjos dos canteiros e outras decorações em pedra queimada, bem como os muros e gradeamentos nos inícios do século XX.

O jardim encontra-se no centro de uma envolvente de edifícios e integrado num espaço que não lhe dá qualquer hipótese de crescer. Beneficia no entanto de uma excelente enquadramento arquitectónico dos prédios urbanos que tem em volta. Desses edifícios sobressai o edifício da Câmara Municipal, um dos exemplos máximos do barroco insular na ilha de São Jorge. Do lado oposto a este, ergue-se o edifício da sociedade filarmónica velense, ostentando a sua fachada Art déco característica dos anos 20 e 30 do século XX, de forte colorido, apresenta amplas fenestrações por entre elementos decorativos estilizados da tradição beaux artiana.

Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas editar

 
Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas.

O Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas apresenta-se como uma construção moderna, construída nos finais do século XX dentro das muralhas do antigo Forte de Nossa Senhora da Conceição. Este Auditório foi dimensionado para albergar várias valências: podendo ser auditório multiúso, para teatro, cinema e concertos, biblioteca e espaço de exposições.

Tem uma arquitectura contemporânea a fazer lembrar as velas das embarcações, não fossem as Velas uma localidade de mar. Foi pintado com cores fortes, fazendo-se assim sobressair no perfil urbano das Velas.

Largo João Inácio de Sousa editar

O Largo João Inácio de Sousa antigamente chamava-se "Largo do Mercado" e, antes ainda, "Praça Velha". Caracteriza-se por se localizar num dos locais mais nobres da vila, encontra-se em frente à Igreja Matriz de São Jorge e ao lado do edifício da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Velas.

Para que fosse possível construir esta praça foi necessário proceder à expropriação de parte da quinta de Miguel Teixeira Soares de Sousa, bem como uma capela e algumas casas.

Esta antiga praça que foi local de venda de frutas e hortaliças, tem actualmente o nome de um dos beneméritos da ilha de São Jorge, que emigrado para os Estados Unidos acabou por fazer fortuna nesse país na área dos petróleos, tendo depois dado apoio a várias instituições da ilha, nomeadamente à misericórdia de velas, conforme é possível ler numa plana aplicada na estatua de João Inácio de Sousa, que foi posta no centro do largo.

Cemitério de Velas editar

O cemitério das Velas localiza-se no sítio da Conceição e foi construído dentro da cerca do antigo Convento de São Francisco. O convento cedeu em 1838 parte do seu espaço para esse fim. Este acontecimento deu-se quatro anos depois de ter sido estabelecido que os sepultamentos deixariam de se poderem fazer dentro das igrejas. No entanto este cemitério só foi benzido no ano de 1856.

Gastronomia editar

Velas é famosa pela sua doçaria (Espécies de S. Jorge, Esquecidos), pastelaria (Queijadas de Coco, Queijadas de Leite, Queijadas Dona Amélias e Queijadas Madalenas) e Biscoitos (Rosquilhas de Nata e Freirinhas).[25]

Personalidades editar

Bandas filarmónicas editar

A filarmonia é uma importante parte da vida de todos os Açorianos, e como não podia deixar de ser, em São Jorge e nas Velas também. No Concelho das Velas existem 6 bandas filarmónicas:

  • Sociedade Filarmónica Nova Aliança (Freguesia de Velas)
  • Filarmonica Lusitânia Liberdade (Freguesia de Velas)
  • Sociedade Recreio Amarense (Freguesia de Santo Amaro)
  • Filarmónica União Rosalense (Freguesia dos Rosais)
  • Sociedade Filarmónica Recreio Nortense (Freguesia do Norte Grande)
  • Sociedade Filarmónica União Urzelinense (Freguesia da Urzelina)

Galeria de imagens editar

Referências

  1. «Feriados - Região Autónoma dos Açores». Vice-Presidência do Governo dos Açores. Consultado em 15 de agosto de 2015. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2015 
  2. Portal do Município de Velas
  3. a b Guida das Velas 2009/2010, pág. 8. Nova Gráfica, Lda. Dep. Legal, n.º 268828/08.
  4. a b c d e f g Açores, Guia Turístico 2003/2004, Ed. Publiçor
  5. a b c d e f g h i j k Jornal Açores, 1955.
  6. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s São Jorge, Açores, Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View – Actividades Turísticas, Lda. Dep. Legal n.º 197839/03. ISBN 972-96057-2-6, 1ª edição, 2003.
  7. a b c d http://pg.azores.gov.pt/drac/cca/inventario/ver.aspx?id=189[ligação inativa] Classificação como Imóvel de Interesse Público pelo Governo Regional dos Açores da Igreja de Santa Bárbara das Manadas.
  8. a b Jornal Açores, 1955.
  9. Silveira Avelar, A Ilha de São Jorge, pág. 289.
  10. Arquivo dos Açores, VI, 193
  11. a b BASTOS, Barão de. Relação dos fortes, Castelos e outros pontos fortificados, que se acham ao presente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defesa do Pais, com declaração daqueles que se podem desde já desprezar (Arquivo Histórico Militar). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LV, 1997.
  12. a b VIEIRA, Alberto. Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. XLV, Tomo II, 1987.
  13. http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/sre-drt/textoImagem/2SJ.htm Arquivado em 19 de junho de 2012, no Wayback Machine. Governo Regional dos Açores.
  14. http://www.saojorgedigital.info//povoacoes/freguesias/urzelina/urzelina.php Arquivado em 12 de maio de 2013, no Wayback Machine. Saojorgedigital.
  15. a b Jornal "O Angrense" nº 3013 de de 17 de Março de 1905, depósito da Biblioteca Publica e Arquivo de Angra do Heroísmo. (Palácio Bettencourt).
  16. Guia do Património Cultura de São Jorge, Dep. Legal nº 197839/2003
  17. a b http://www.acores.com/sjorge/index.htm Arquivado em 2 de março de 2012, no Wayback Machine. Acores.com
  18. Guia do Património Cultural - São Jorge, 1ª Edição/2003, (ISBN 972-96057-2-6), Dep. Legal 197839/03.
  19. Guia do Património Cultural - São Jorge, 1* Edição/2003, (ISBN 972-96057-2-6), Dep. Legal 197839/03.
  20. a b Eduardo Carvalho Vieira Furtado. Guardiães do Mar dos Açores: uma viagem pelas ilhas do Atlântico. s.l.: s.e., 2005. 298p. mapas, fotos. ISBN 972-9060-47-9
  21. Eduardo Carvalho Vieira Furtado. Guardiães do Mar dos Açores: uma viagem pelas ilhas do Atlântico. s.l.: s.e., 2005. 298p. mapas, fotos. ISBN 972-9060-47-9.
  22. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  23. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  24. INE - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0011166&contexto=bd&selTab=tab2
  25. Catálogo de Produtos dos Açores, 2 de Abril de 2015.

Ligações externas editar

 
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