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Manuel Fran Paxeco

(Redirecionado de Manuel Francisco Pacheco)

Manuel Fran Paxeco (nascido Manuel Francisco Pacheco),[1] mais conhecido como Fran Paxeco (Setúbal, 9 de Março de 1874Lisboa, 17 de Setembro de 1952) foi um jornalista, escritor, diplomata e professor português.

Manuel Fran Paxeco
Nome completo Manuel Fran Paxeco
Nascimento 9 de março de 1874
Setúbal, Portugal
Morte 17 de setembro de 1952 (78 anos)
Lisboa, Portugal
Ocupação Professor, jornalista, escritor e diplomata.

Índice

BiografiaEditar

Natural de Setúbal, escreveu em 1930 uma colectânea de biografias[2] de setubalenses que, de alguma forma, se notabilizaram.

Tio do jornalista e escritor Óscar Paxeco.

Fran Paxeco foi cônsul de Portugal no Maranhão, no Pará, em Cardiff e em Liverpool.

Chegou a São Luís do Maranhão em 2 de Maio de 1900, sendo autor de diversas obras sobre temas de interesse para a região[3]. O seu amor pelo Maranhão levou-o a recusar transferências para postos da carreira diplomática muito mais prestigiosos que o consulado de São Luís do Maranhão.

Por morte de Teixeira Bastos (em 1902), crítico português, Teófilo Braga nomeia-o seu testamenteiro literário.

Em Setembro de 1902 é convidado para sub-secretário da Associação Comercial do Maranhão.

Fica mais de 20 anos no Brasil, período durante o qual empenhou muitos esforços para desenvolver as relações literárias entre os dois países. Organizou, por exemplo, um congresso luso-brasileiro em 1903[4].

Autor da letra do hino do Cruzeiro do Sul (Acre)[5].

Foi fundador da Academia Maranhense de Letras[6], da Faculdade de Direito, do Centro Republicano Português, do Instituto de Assistência à Infância, do Casino Maranhense, da Associação Cívica Maranhense, da Câmara Portuguesa do Comércio, entre outros organismos.

Casou com Isabel Eugénia de Almeida Fernandes, natural de São Luís do Maranhão, de quem teve uma filha, Elza Fernandes Paxeco, primeira senhora doutorada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A 21 de Agosto de 1911 é nomeado cônsul de Portugal no Maranhão por Teófilo Braga (Chefe do Governo Provisório da República Portuguesa).

De Novembro de 1913 a Fevereiro de 1914 está no Rio de Janeiro, chamado pelo primeiro embaixador de Portugal no Brasil, Bernardino Machado para o secretariar.

Em 1916 publica Angola e os Alemães e segue para Lisboa onde chega a 27 de Maio.

Ocupa, entre outros cargos, o de secretário particular do Presidente da República, Bernardino Machado, mas continuando como cônsul de Portugal no Maranhão (tinha sido promovido a cônsul de 2.ª classe, em 4 de Julho de 1914).

A 20 de Fevereiro de 1917, exerce as funções de secretário da Comissão Portuguesa de Acção Económica contra o inimigo e da Comissão de Fomento da Exportação Portuguesa.

A 18 de Agosto de 1919, em reunião de professores da Faculdade de Direito do Maranhão, propõe a realização do Primeiro Congresso Pedagógico do Maranhão, o que veio a realizar-se no ano seguinte. Em 8, 28 e 31 de Janeiro de 1920, houve sessões preparatórias. A sessão inaugural teve lugar a 22 de Fevereiro[7].

A 4 de Março de 1920 assume a gerência interina do Consulado do Pará, para resolver a «Questão dos Poveiros» o que conseguiu com êxito.

Em 1922 é eleito para a Directoria do Casino Maranhense.

Em Agosto de 1922 recebe, em São Luís do Maranhão, onde era cônsul, Sacadura Cabral, festejando a travessia aérea do Atlântico Sul.

Em Junho de 1923 é-lhe concedido o título de cidadão honorário de S. Luís do Maranhão.

Transferido para o Consulado do Pará em 9 de Novembro de 1923, lugar que deixa em Junho de 1925, quando volta para Lisboa.

Organiza uma convenção literária e artística de Portugal com o Brasil, a começar em Agosto de 1924, até Abril de 1925[8].

A 12 de Fevereiro de 1927 é enviado para Cardiff, desempenhar idênticas funções diplomáticas.

Escreve Portugal não é Ibérico. Faz parte da "South Wales Branch" da Ibero American Society, contribuindo para que o nome fosse mudado para "Hispanic and Portuguese Society". Com o cônsul do Brasil consegue abrir e manter no Technical College uma cadeira de língua portuguesa.

 
Rua Fran Paxeco, em Setúbal

Em 1933 vem para Lisboa para a Direção-Geral dos Serviços Centrais do Ministério dos Estrangeiros.

A 24 de Novembro de 1933 já está em Liverpool a cumprir mais uma missão diplomática onde se mantém até 1935. Nesse mesmo ano regressou a Portugal, de onde nunca mais saiu.

Presidente da Secção de Estudos do Ateneu Casapiano.

É perseguido pelo Estado Novo, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros nunca mais lhe atribuiu nenhuma missão diplomática (graças ao Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Teixeira de Sampaio, monárquico convicto), o que muito o fez sofrer, tendo como resultado em 1939 um AVC com graves sequelas: fica sem fala, sem poder escrever e paralítico, as suas grandes formas de comunicação como grande orador e escritor que era: vive, lúcido mas muito limitado até 1952.

A Biblioteca do Grémio Literário Português em Belém do Pará e a Praça do Comércio em São Luís do Maranhão têm o seu nome.

O seu nome encontra-se presente nas toponímias do Cruzeiro do Sul - Acre, Setúbal, São Luís do Maranhão e São Paulo.

Associações científicas de que foi membroEditar

Algumas obrasEditar

  • O Uruguai, prefácio a este poema de Basílio da Gama. Rio de Janeiro, Livraria Clássica de Alves & Comp, 1895.
  • O Guarani, proêmio ao libreto da ópera de Carlos Gomes. Belém-Pará, 1896.
  • O Centenário Indiano, manifesto das associações portuguesas do Pará. Belém-Pará, 1897.
  • O Sangue Latino. Lisboa, 1897.
  • O Album Amazônico. Genova, 1898.
  • Os escritores portuguezes: Teófilo Braga. Manaus, Tipografia do Diário de Noticias, 1899.
  • Jubileu de João de Deus - folheto. Manaus, 1899.
  • Os Escândalos do Amazonas. Manaus, 1900.
  • A Questão do Acre, manifesto dos chefes acreanos. Belém-Pará, 1900.
  • O Sr. Sílvio Romero e a literatura portugueza. São Luís do Maranhão, A. P. Ramos d'Almeida, 1900.
  • Mensagem do Centro Caixeiral do Dr. Teófilo Braga. São Luís, 1900.
  • Juiz sem Juizo, comédia de A. Bisson, versão com Antônio Lôbo.
  • O Porvir Brasileiro (série de longos artigos em vários números d'A Revista do Norte). São Luís, 1901.
  • O Maranhão e os Seus Recursos. São Luís do Maranhão, 1902.
  • A Literatura da língua portuguesa. São Luís do Maranhão, A Revista do Norte, 1902-1903.
  • O Sonho de Tiradentes, peça num ato. São Luís do Maranhão, 1903.
  • O Comércio maranhense, relatório da Associação Comercial do Maranhão. São Luís do Maranhão, 1903.
  • Os interesses maranhenses. São Luís do Maranhão, A Revista do Norte, 1904, XXVIII.
  • O Departamento do Juruá. Cruzeiro do Sul, 1906.
  • A literatura portugueza na Idade Média: conferência. São Luís do Maranhão, Universidade Popular do Maranhão, 1909.
  • O Processo de Camila (La rencontre), tradução da comédia de Pierre Berton, 1910.
  • O Maranhão: subsídios históricos e corográficos. São Luís do Maranhão, 1912.
  • Portugal e a Renascença. São Luís do Maranhão, 1912.
  • Os Braganças e a restauração. São Luís do Maranhão, Tipografia da Pacotilha, 1912.
  • O Maranhão. São Luís do Maranhão, 1913.
  • As normas ortográficas, na Revista da Academia Maranhense. São Luís do Maranhão, 1913.
  • A Língua portuguesa, por Filipe Franco de Sá, organização e posfácio. São Luís do Maranhão, 1915.
  • Angola e os alemães. Maranhão, 1916.
  • O trabalho maranhense. São Luís do Maranhão, Imprensa Oficial, 1916.
  • A escola de Coimbra e a dissolução do romantismo. Lisboa, Ventura Abrantes, 1917.
  • A visão dos tempos. Coimbra, 1917.
  • Teófilo no Brasil. Lisboa, Ventura Abrantes, 1917.
  • Visão dos tempos - epopeia da humanidade: conferência realizada em 21 de Fevereiro de 1917. Lisboa, Academia das Ciências de Portugal, 1917. Separata dos Trabalhos da Academia das Ciências de Portugal
  • A cortiça em Portugal (resumo de informações do ministério dos estrangeiros). Lisboa, 1917.
  • As normas ortográficas, in Revista da Academia Maranhense. São Luís do Maranhão, 1918.
  • João Lisboa: livro comemorativo da inauguração da sua estátua contendo estudos críticos de vários autores (org. da Academia Maranhense). São Luís de Maranhão, Imprensa Oficial, 1918.
  • Portugal e o equilíbrio europeu, conferência, na Pacotilha. São Luís do Maranhão, 1918 (I-XII).
  • Portugal e o Maranhão (As suas relações comerciais). São Luís do Maranhão, 1919.
  • O Pará e a colónia portuguesa, folheto. Belém do Pará, 1920.
  • Geografia do Maranhão. São Luís do Maranhão, 1923.
  • Trabalhos do congresso pedagógico do Maranhão. São Luís do Maranhão, 1923.
  • Cartas de Teófilo Braga (com um definitivo trecho autobiográfico do mestre e duas "confissões" de Camilo) (prefácio e compilação). Lisboa, Tip. da Emp. Diário de Noticias, 1924.
  • O Portugal primitivo, folheto. Belém do Pará, Tip. Grafarina, 1925.
  • Sobre Teófilo Braga, genealogia, folheto. Belém do Pará, 1925.
  • O século português (1415-1520), conferência longa, proferida na capital do Pará e publicada no País, do Rio de Janeiro. 1926.
  • Setúbal e as suas celebridades. Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1930/1931.
  • Portugal não é ibérico (antelóquio de Teófilo Braga). Lisboa, Tipografia Tôrres, 1932.
  • O poema do Amadis de Gaula, conferência lida em 10-11-1932, na Universidade de Cardiff. Coimbra, Coimbra Editora, 1934 (separata da Biblos).
  • The intellectual relations between Portugal and Great Britain. Lisboa, Império, 1937.

Para além da tradução de diversas comédias e dramas, Fran Paxeco escreveu numerosos artigos em jornais e revistas, proferiu conferências e elaborou extensos relatórios consulares.

Deixou oito livros concluídos, inéditos, sobre vários assuntos. Deixou igualmente no prelo Setúbal e a Província do Sado (desaparecido).

FontesEditar

  • AA VV. Fran Paxeco: homenagens que lhe prestaram, a 9 de Março de 1922, os seus amigos e admiradores. S. Luiz do Maranhão, Imprensa Oficial, 1922.
  • Academia Maranhense de Letras. Fran Paxeco.
  • ALDEIA, João. «Fran Paxeco» in Setúbal na Rede de 12 de setembro de 2006.
  • BERNARDO, António e PINTO, José dos Santos. Dicionário de Autores Casapianos . Lisboa, Biblioteca-Museu Luz Soriano,1982. s.v. «Fran Paxeco», pg. 102.
  • BRITO, Eugênio Leitão de. Fran Paxeco no Brasil. Belém-Pará: Grêmio Literário e Recreativo Português, 1994.
  • Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, s. v. «Fran Paxeco». vol. 20, pgs. 797-798.
  • Lello Universal: Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro. Porto: Lello & Irmão, 1980, 2 vols., s.v. «Fran Paxeco», II vol. pg. 487.
  • LUZ, Joaquim Vieira da. Fran Paxeco e as Figuras Maranhenses. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1957.
  • LUZ, Joaquim Vieira da. Fran Paxeco e sua influência no Maranhão. Rio de Janeiro, 1953.
  • LUZ, Joaquim Vieira da e ALMEIDA, Ruben Ribeiro. Fran Paxeco. São Luís, 1949.
  • MARTINS, Manoel de Jesus Barros Martins. Rachaduras Solarescas e Epigonismos Provincianos: Sociedade e Cultura no Maranhão Neo-Ateniense: 1890-1930. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2002
  • PORBASE, base nacional de dados bibliográficos.
  • Dicionário de Ruas de São Paulo.
  • Trabalhos do Congresso Pedagógico. São Luís do Maranhão: Imprensa Oficial, 1920.

Notas

  1. Inicialmente Manuel Francisco Pacheco. O nome foi alterado oficialmente para Manuel Fran Paxeco. Cf. o Diário do Governo n.º 268, de 25 de Novembro de 1905.
  2. Setúbal e as suas celebridades. Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1930/1931.
  3. Sobre a sua passagem por São Luís do Maranhão ver Humberto de Campos. Memórias e Memórias Inacabadas.
  4. GOUVEIA, Maria Margarida Maia.Sobre as Relações Culturais entre Portugal e o Brasil: Uma Carta de Fran Paxeco a Teófilo Braga.
  5. http://www.czs.com.br/apresentacao/hino-de-cruzeiro-do-sul/
  6. Cf.Sítio na Internet da Academia Maranhense de Letras.
  7. VAZ, Leopoldo. Ainda Sobre Fran Paxeco e a Educação Física no Maranhão.
  8. Cf. PAXECO, Fran. Pelo Ministério dos Estrangeiros. Belém do Pará: Tipografia do Comércio, 1926.
  9. Hoje, Sociedade Brasileira de Geografia.