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Min Raza Gyi
Min Raza Gyi
Rei
Período 1593 - 1612 (19 anos)
Antecessor Min Phalon
Sucessor Min khamon
Dados pessoais
Nascimento 1557
Morte 1612 (55 anos)
Arracão
Primeira-dama Pañcalananda
Religião Budismo Teravada

Min Raza Gyi ou Salim Shah (1557[1] - 1612) foi rei de Arracão de 1593 a 1612.[2][3]

NomeEditar

O seu nome era Satui: dhammaraja, mas quando sucedeu a seu pai Min Phalong, ao ser proclamado rei em 1593, pegou o nome de Man Raja (nome de um de seus antepassados, ao qual foi acrescentado o epíteto de "Kri:" que significa Grande. Esse nome também se transcreve Min Raza Gyi, Mengradzagyi, ou Minrazagyi, ou aínda Raza-gri[4]. Também foi chamado pelo nome muçulmano de Salim Shah, que também se transcreve Chaulim Shya, Shimili Shah, ou aínda Xilimixa (é o nome que lhe dão as crónicas portuguesas).

As suas moedas, que são as primeiras da dinastia, trazem gravado o seguinte "Cheng phyû Sakheng Naradibbati Chaulim Shya", que significa: "Senhor do elefante branco, soberano dos homens, Salim Shah". (Naradibbati é seu título na língua Pali, e Salim Shah, na língua muçulmana, em referência ao seu posse de Chittagong, povoado de indianos e muçulmanos, e á sua proximidade geográfica com a Índia e o Império Mogol).

PeguEditar

Em 1597 o príncipe Minye Thihathu da cidade de Taungû (cidade que deu seu nome à dinastia reinante da Birmânia) rebelou-se contra seu primo, o rei de Pegu, Nandabayin, e procurou para isso uma aliança com o Arracão, que lhe respondeu favoravelmente. Ajudado por um forte contingente de mercenários portugueses, Min Raza Gyi invadiu a Baixa Birmânia e apoderou-se com seus aliados da capital, a cidade de Pegu.

Vencido, o rei Nanda foi levado para Taungû, e Min Raza Gyi trouxe para sua capital Mrauk-U o famoso elefante branco, assim como um espólio riquíssimo.

Foi nesse período que o Arracão atingiu sua maxima potência.

SiriãoEditar

Além disso, apreendeu o distrito de Sirião, perto da actual cidade de Rangoon, onde Filipe de Brito e Nicote, um dos portugueses ao seu serviço, fez edificar com sua autorização, em 1600, uma fortaleza, para controlar a entrada do reino de Pegu, e criar uma alfândega muito lucrativa. Tendo o rei voltado para Mrauk-U, Filipe de Brito, a partir de 1603, tornou-se praticamente o senhor independente de toda a Baixa Birmânia, chegando mesmo a levar o nome de Rei do Pegu, apesar das numerosas tentativas de recuperação das armadas do rei Min Raza Gyi, que em 1605, numa aliança com o rei de Taungû, envia seu filho, o futuro Min khamon, ao encontro do português, com uma forte armada.

Segundo uma crónica Filipe de Brito foi a sua espera perto de Prome e antes que a armada de Taungû chegasse, com três navios ancorados ao meio do rio a fazer fogo, desbaratou a armada de Arracão, conseguindo apoderar-se do príncipe herdeiro.

Min Raza Gyi, teve muitas dificuldades em recuperar seu filho, chegando a pagar para seu resgate uma soma muito importante, e tendo que reconhecer Filipe de Brito como rei soberano independente de Sirião.

A partir desse momento Min Raza Gyi perdeu também o controlo que tinha sobre o porto de Dianga em frente de Chittagong, ocupado por uma forte comunidade portuguesa. Ora, os mercenários portugueses de Dianga permitiam ao rei de controlar as fronteiras com os reinos do Bengala, ao qual Chittagong geograficamente pertencia. Chittagong representava o porto de comércio mais importante do reino, e por isso Min Raza Gyi não podia permitir que os portugueses, tornados rebeldes, podessem ocasionar uma invasão dos inimigos do Arracão para apoderar-se de Chittagong. Isso ocasionou o chamado "massacre de Dianga", o rei conseguindo prender o chefe dos portugueses de Dianga, e executá-lo, atacando em seguida o porto, massacrando muitos portugueses em fazendo entre 3 000 e 5 000 prisioneiros, conseguindo escapar Sebastião Gonçalves Tibau, que mais tarde se tornaria um dos seus principais adversários.

Na primavera 1607, tenta uma outra vez de sitiar Sirião, com a ajuda de Taungû, de Bhalwa, e muçulmanos das costas do Malabar. Tinha à sua disposição, seguindo Pieter Willemssen, 100 000 homens, 3 000 galeassas, e 150 navios de vela. Brito ajudado do rei de Prome, e dos Môns consegui vencelo, com a morte de 10 capitães portugueses, 80 soldados e 17 môns. Min Raza Gyi acabou por pedir então a paz.

SundivaEditar

Em 1602 os portugueses, vindos de Dianga, tinham ocupado a ilha de Sundiva, no golfo de Bengala, que pertencia ao Rei de Bakla, dependente de Arracão.

Depois do massacre geral dos portugueses (massacre de Dianga) e o Governador Português morto, o seu tenente Fateh Khan criou então um principado independente na região, que durou apenas dois anos, até que Sebastião Gonçalves Tibau e seus portugueses, agora aliados ao rei de Bakka, recuperem Sundiva, em 1609.

SucessãoEditar

O seu filho Min khamon (Husain Shah) sucede-lhe em 1612.

Referências

  1. Jacques P. Leider: Le Royaume d'Arakan, Birmanie son histoire politique entre le début du XVe et la fin du XVIIe siècle. Monographies 190 École française d'Extrême-Orient. Paris 2004 p.173
  2. «The Portuguese in India: being a... - Google Livros». books.google.com. Consultado em 08 de Março de 2010  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. «Don Juan of Persia: A Shi'ah... - Google Livros». books.google.com. Consultado em 08 de Março de 2010  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Maurício Collis: Na terra da Grande Imagem (Aventuras de um Religioso português no Oriente) tradução do inglês e notas de António Álvaro Dória. Livraria civilização - Porto 1944.[Maurice Collis: The Land of the great image Being Experience of Friar Manrique in Arakan].
Precedido por
Min Phalon
dinastia de Arracão
1593-1612
Sucedido por
Min khamon