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Moio (do latim "modius"), é um termo metrológico que, ao longo da história de Portugal, designou diferentes medidas, quer de capacidade para sólidos e liquídos, quer para superfícies. Como medida de capacidade, era normalmente definido através de um certo número de alqueires ou almudes e dividia-se em 4 quarteiros. A transformação de medida de volume em medida de superfície (medida agrária) ocorreu através da determinação da área média de terreno que podia ser semeada com um moio de semente.

HistóriaEditar

Na Roma Antiga, o moio ("modius") era uma medida de capacidade equivalente a 8,7 até 9,2 litros.

Mais tarde, no século XI, na região do Condado Portucalense, documentam-se moios com capacidades na ordem de grandeza de 3 a 9 moios romanos, ou 26 a 83 litros [1]. O seu valor mais comum seria talvez 6 moios romanos. No sistema do Condado Portucalense, no entanto, o moio tinha passado a representar 64 alqueires, ou seja, cerca de 220 litros [2]. No sistema introduzido por Afonso Henriques a definição do moio manteve-se, mas dado o aumento da capacidade do alqueire, o moio passou a equivaler a cerca de 560 litros [3]. Em paralelo com esses sistemas principais, sobreviviam ainda sistemas em que o moio mantinha uma capacidade muito reduzida, como por exemplo o sistema de medidas do sal em Aveiro, onde o moio era uma medida de apenas 13,1 litros [4].

Sob o reinado de Pedro I de Portugal, devido a um novo aumento da capacidade do alqueire legal, o moio passou a equivaler a cerca de 630 litros [5]. No sistema de Manuel I, o moio passou a representar a conta de 60 alqueires de Lisboa (alqueires de 13,1 litros), o que resultou num valor de cerca de 790 litros [6].

Apesar dos esforços de uniformização dos sucessivos monarcas, o valor do moio continuou a variar de região para região — embora em menor escala do que na Idade Média — de acordo com o valor do alqueire. Como unidade de volume, o moio está em desuso.

Unidade utilizada na especificação de preçosEditar

Na documentação medieval portuguesa até meados do século XII, o termo "moio" era também utilizado na especificação dos preços. Em algumas regiões rurais, a sua utilização manteve-se até mais tarde. O seu valor, no entanto, não equivalia nem ao "modius" romano nem, tão pouco, ao moio-medida oficialmente usado no Condado Portucalense, ou mesmo nos primeiros reinados da monarquia portuguesa. O moio-preço tinha um valor próximo de 25 a 55 litros de cereal, ou seja, um valor próximo dos moios usados antes da introdução do alqueire e de todo o sistema do Condado Portucalense.[7]

Unidade de medida agráriaEditar

Como unidade de medida de área agrícola, pese embora a metrificação legalmente imposta, o moio mantém-se em uso corrente em muitas regiões, embora a sua dimensão varie grandemente em função do alqueire do qual é derivado e da medida linear usada para o seu cálculo (a vara, o côvado ou similar). Um alqueire de terra, dito de vara pequena, corresponde a 968 m2 na ilha Terceira, nos Açores.

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar

ReferênciasEditar

  1. Seabra Lopes, 2005
  2. Seabra Lopes, 2003, p. 129-131
  3. Seabra Lopes, 2003, p. 131-137
  4. Seabra Lopes, 2000
  5. Seabra Lopes, 2003, p. 140-141
  6. Seabra Lopes, 2003, p. 154-156
  7. Seabra Lopes, 2005