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Mosteiro de São Clodio

Vista geral desde o Leste

San Clodio do ribeiro é um mosteiro medieval situado na paróquia de San Clodio, concelho de Leiro na Comarca do Ribeiro, província de Ourense, Galiza, Espanha. Foi declarado Monumento Histórico Nacional em 1931.

Fundação e históriaEditar

As suas origens possivelmente se remontem ao século VI, por volta de 554 (segundo recolhe o padre Yepes na sua Crônica da ordem de São Bento), relacionando-se com os feitos ocorridos durante a persecução arriana na época de Requila, concretamente o martírio e morte do abade de San Claudio de León e vários monges. O restante da comunidade fugiu e buscou refúgio no vale do Ávia, onde fundaram um novo mosteiro. Ainda tudo isto, à vista das fontes, resulta difícil manter a existência de uma fundação anterior ao século X.

 
Entrada atual à recepção do Hotel

A tradição data sua fundação em 928 por parte de Dom Álvaro e Dona Sabita como mosteiro patrimonial e dúplice, dedicando-se aos santos Clódio, Lupércio e Vitória.

Em meados do século XII, 1151 ou 1158, foi acolhida à regra de São Bento através da importante figura do Abade Pelágio, dentro da beneditinização promovida durante o reinado de Afonso VI o domínio da zona por Raimundo de Borgonha e a presidência do bispo Dalmácio, monge cluniacense, na Iria Flavia entre 1094 e 1095.

No Capítulo Geral de 1225 adscreveu-se, através do mosteiro de Melón, à ordem cisterciense.

Em 1510, dentro da reforma do clero regular impulsionada pelos Reis Católicos, o mosteiro foi cedido à Congregação cisterciense de Castela por um abade demissionário, confirmando-se a incorporação em 1530. Em 1779 tinha no seu poder quatro freguesias e quatorze coutos.

Com a desamortização foi destinada a quartel da Milícia Nacional, sendo na prática abandonado. A vida monacal retomou-se em 1891 por parte de monges beneditinos até sua conversão atual em hotel de luxo.

DescriçãoEditar

No mosteiro não ficam restos anteriores ao século XVI, em que foi totalmente reconstruído, à exceção da fachada da igreja primitiva, que é uma das únicas três cistercienses que se conservam na Galiza (as outras são as de Armenteira e Meira), e as traves românicas.

 
Ábsides românicas da Igreja
 
Fachada da Igreja
 
Contrafortes do exterior da nave da igreja
 
Porta de aceso ao templo
 
Saetera românica da absida do templo. Capitéis com animais e motivos vegetais

A igrejaEditar

A Igreja é uma das poucas igrejas conservadas do Císter. Construída entre 1220 a 1250, é de planta basilical, de três naves de quatro trechos cada uma e com um cruzeiro que não se marca nem em planta nem em alçado, e cabeceira composta por três absides escalonadas semicirculares, das cais a central está mais destacada.

A princípio cobriam-se as naves com cobertas de madeira a duas águas (conservam-se as antigas vigas românicas), substituindo-se com a incorporação à Congregação de Castela por abóbadas nervadas que alteraram os pilares e a iluminação proveniente das janelas e rosáceas. Em nossos dias o primeiro trecho reto da abside central cobre-se com abóbadas nervadas de cruzaria quadripartida e o resto com abóbadas de canhão apontado e forno. Os arcos triunfais, igual a os forneiros e os arcos de escarção das naves laterais, são apontados.

Os capitéis do templo e as resoluções decorativas ligam-no com os mosteiros de Melón ou Oseira e outros galegos, e falam de mestres errantes.

No exterior a cabeceira mantém seus volumes a capela central. As janelas desta capela apresentam arcos moldurados, e nas laterais reduzem-se a um simples arco liso sobre as jambas. Os beirados mostram cachorros muito simples com motivos geométricos.

A fachada do século XIII apresenta três ruas separadas mediante contrafortes, e em dois corpos mediante uma simples imposta, e três arquivoltas aboceladas e um arco escarzano[1] do século XVI sobre o que pende a moldura de um antiga rosácea (hoje transformada em janela retangular) e outros dois nas naves laterais, transformados em óculos sem traçaria. O conjunto termina no Sudoeste com uma torre retangular de um só piso.

Os claustrosEditar

 
Claustro reglar ou processional
 
Claustro reglar ou processional, planta baixa detalhe das abóbadas de crucéria
 
Claustro oriental ou doméstico

Conserva dois claustros, o ocidental mistura dos estilos gótico e classicista, e o oriental de claro estilo renascentista, obra da escola de Rodrigo Gil de Hontañón.

Ao ocidental ou processional chega-se através de um zaguão, à esquerda do qual se abre a atual recepção do hotel. É de planta quadrada, com vinte e oito arcos de volta perfeita e abóbada de aresta de estrela, de nervos profusamente moldurados, com chaves pênsils. O piso superior amostra similares arcos de volta perfeita sobre impostas lisas com janela retangular e um óculo ovalado. Construiu-o no século XVII o mestre Pedro de la Sierra, discípulo de Simón Monesterio. Adorna-se com uma camélia, um oleandro e um relógio de sol.

O oriental ou doméstico estrutura-se num primeiro piso com trinta e dois arcos de meio ponto sobre esbeltas colunas, às vezes com medalhões nas enxutas, e um segundo piso a maioria das vezes com dintéis sobre sapatas apoiadas em colunas.

A fachadaEditar

Na fachada renascentista do mosteiro situam-se três escudos na parte superior do balcão: o escudo da Abadia, o da Espanha, com a águia bicéfala, e o da Congregação cisterciense de Castela à que pertencia o mosteiro quando se construiu a fachada.

Situação atualEditar

Em nossos dias encontra-se completamente restaurado e alberga um hotel monumento de quatro estrelas, sendo visitáveis grande parte das suas estâncias. O restauro foi financiada pela Xunta de Galicia nas suas três quartas partes e pela cadeia hoteleira Hotusa, que oferece 25 quartos e diversas salas. Além disso, estão-se a recuperar as vides e terras do seu redor.

Os claustros podem-se visitar praticamente todo o dia; a igreja abre os domingos para a missa, embora se pode visitar se se solicita na recepção.


Notas

  1. Arco cuja curva não chega ao semicírculo e cujo centro está por embaixo das impostas.

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

  • (em castelhano)LUCAS ÁLVAREZ, Manuel; Lucas Domínguez, Pedro. (1996). El monasterio de San Clodio do Ribeiro en la edad media: estudio y documentos. Galiza Medieval: Fontes. Edicións do Castro. [S.l.: s.n.] 
  • (em galego)GOY DIZ, Ana. (2005). O Mosteiro de San Clodio de Leiro. Guías do patrimonio cultural. Fundación Caixa Galicia. [S.l.: s.n.] 
  • (em castelhano)BONET CORREA, A. (1996). La arquitectura en Galicia durante el siglo XVII. Madrid. [S.l.: s.n.] 
  • (em castelhano)FERNANDEZ ALONSO, B. (1979). El monasterio de San Clodio. Boletín de la Comisión Provincial de Monumentos Histórico Artísticos de Orense, VI. [S.l.: s.n.] 
  • (em castelhano)VALLE PEREZ, J.C. (1982). La arquitectura cisterciense en Galicia. A Coruña. [S.l.: s.n.] 

Ligações externasEditar

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Mosteiro de São Clodio