Movimento Tecnocrata

O movimento tecnocrata é um movimento social que surgiu no começo do século XX. A Tecnocracia foi brevemente popular nos Estados Unidos e Canadá no inicio de 1930, antes de ser obscurecida por outras propostas para lidar com a Grande Depressão.[3][4] Os tecnocratas propunham substituir os políticos e executivos por cientistas e engenheiros que teriam as competências técnicas necessárias para gerir a economia.[3]

Movimento Tecnocrata
Technocracy movement
Símbolo oficial do Movimento Tecnocrata (Technocracy Inc.). O símbolo mônada representa o equilíbrio entre o consumo e a produção.
Tipo Movimento social
Fundação 1933
Paralisação 1948
Estado legal Parcialmente paralisado
Propósito Substituir o sistema econômico convencional por um modelo tecnocrático.
Sede 2475 Harksell Rd,
Ferndale, WA 98248[1]
Membros 500 000 c. 1940 [2]
Engenheiro Chefe Howard Scott
(1933 - 1970)
Fundadores Howard Scott
Marion King Hubbert
Organização de origem Aliança Técnica (1919 - 1921)
Comitê da Tecnocracia (1932 - 1933)
Sítio oficial Technocracy Inc.

O movimento estava comprometido em se abster de todas as atividades revolucionárias e políticas. O movimento ganhou força na década de 1930, mas em 1940, devido a uma suposta oposição inicial à Segunda Guerra Mundial, foi proibido no Canadá. A proibição foi suspensa em 1943, quando ficou aparente que a "Technocracy Inc. estava comprometida com o esforço de guerra, propondo um programa de recrutamento total".[5] O movimento continuou a se expandir durante o restante da guerra e novas seções foram formadas em Ontário e nas Províncias Marítimas.

Nos anos do pós-guerra, talvez devido à contínua prosperidade, a participação e o interesse pela tecnocracia diminuíram. Embora agora seja relativamente insignificante, o movimento da tecnocracia sobrevive até os dias atuais,[6] e a partir de 2013, continuava a publicar um boletim informativo, mantendo um site e realizando reuniões de membros.

Visão geralEditar

Os defensores da tecnocracia afirmam que as formas de governo e economia baseadas no sistema de preços são estruturalmente incapazes de ação efetiva, e promoveram uma sociedade chefiada por especialistas técnicos, que eles argumentaram ser algo mais racional e produtivo.[7]

A vinda da Grande Depressão introduziu idéias radicalmente diferentes de engenharia social,[8] culminando em reformas introduzidas pelo New Deal.[7][8] No final de 1932, vários grupos nos Estados Unidos se denominavam tecnocratas e propunham reformas.[9]

Em meados da década de 1930, o interesse pelo movimento da tecnocracia estava em declínio. Alguns historiadores atribuíram o declínio do movimento tecnocrático à ascensão do New Deal de Roosevelt.[10][11] O historiador William E. Akin rejeita a conclusão de que as ideias da tecnocracia declinaram por causa da atratividade de Roosevelt e do New Deal. Em vez disso, Akin argumenta que o movimento declinou em meados da década de 1930, como resultado do fracasso dos tecnocratas em conceber uma "teoria política viável para alcançar a mudança" (p. 111 Technocracy and the American Dream: The Technocrat Movement, 1900-1941 por William). E. Akin). Akin postula que muitos tecnocratas permaneceram atuantes e insatisfeitos e muitas vezes simpáticos aos esforços de terceiros contra o New Deal.[12]

Muitos livros discutiram a ascensão e o declínio do movimento da tecnocracia.[13] Um deles é o Technocracy and the American Dream: The Technocrat Movement (Tecnocracia e o Sonho Americano: O Movimento Tecnocrata), 1900-1941, de William E. Akin.[14]

Planos tecnocráticosEditar

Contabilidade energéticaEditar

A contabilidade energética é um sistema hipotético de distribuição, que registra a energia usada para produzir e distribuir os bens e serviços consumidos pelos cidadãos de um Tecnato. As unidades deste sistema de contabilidade se denominariam certificados de energia ou simplesmente unidades de energia, que substituiriam o dinheiro em um Tecnato, mas ao contrário do dinheiro tradicional ou unidades monetárias conhecidas, os certificados de energia não podem ser acumulados ou ganhados, mas distribuídos entre a população.

A quantidade de energia de consumo dada a cada cidadão seria calculada determinando-se a capacidade produtiva total (menos a manutenção da infra-estrutura) do Tecnato e dividindo-a igualmente. As unidades de energia ou certificados não seriam fisicamente utilizados pela população porque o sistema seria informatizado. Na contabilidade energética, a tecnato utilizaria informações sobre os recursos naturais, capacidade industrial e hábitos de compra do cidadão para determinar quantos bens e serviços a população consome, de tal forma que a produção pode ser ajustada com o consumo (com sustentabilidade).

As razões dadas para a contabilidade energética são garantir o mais alto padrão de vida possível, bem como a igualdade entre os cidadãos do Tecnato, e proibir o dispêndio de recursos além da capacidade produtiva ou ecológica. Os tecnocratas apontam que a contabilidade energética não é racionamento, mas uma maneira de distribuir riqueza e medir a demanda. Todo cidadão da Tecnato deve receber quantidades iguais de poder consumir dentro do contexto de sustentabilidade, no qual os tecnocratas chamam de design social científico.

Os TecnatosEditar

 
Extensão do Tecnato Norte-americano proposto.

O termo technato foi cunhado pelo movimento tecnocrático para descrever a região sobre a qual uma sociedade tecnocrática operaria. Todos os recursos e indústria nesta região ou território seriam usados ​​para fornecer uma abundância de bens e serviços aos cidadãos.[15]

Segundo os tecnocratas, um Tecnato não pode simplesmente ser fundado como um país moderno atual. Esse possuí vários requisitos que devem ser atendidos para poder operar.

  • Recursos naturais suficientes para criar abundância.
  • Uma base industrial e científica pré-existente.
  • Um número suficiente de pessoal qualificado para operar a infraestrutura que fornece a abundância.

Segundo o movimento tecnocrático americano, a América do Norte é atualmente o único território capaz de formar um Tecnato. Este seria o Tecnato norte-americano. Isso acabaria com o atual sistema de preços.

Tecnato americanoEditar

O tecnato americano seria projetado para transformar a América em uma sociedade tecnocrática. O plano incluiria o Canadá, cujos ricos depósitos de minerais e energia hidrelétrica seriam complementados pela capacidade industrial e agrícola dos Estados Unidos e pela abundância de energia do México.

O tecnato norte-americano incluiria toda a América do Norte, América Central, Caribe, partes da América do Sul e Groenlândia, compreendendo 30 nações modernas, bem como vários territórios dependentes. Se esse tecnato fosse fundado hoje, ela conteria aproximadamente 600 milhões de habitantes e sua área total seria de 26 milhões de km², tornando-se a maior nação do mundo. Seu território se estenderia desde o Pólo Norte até a linha do Equador e desde a linha internacional de data até o Oceano Atlântico.

Os UrbanatosEditar

Uma vez que o tecnato fosse estabelecido, os tecnocratas propõem construir uma nova forma de cidade chamada Urbanato. Um urbanato seria essencialmente um conjunto de edifícios onde os cidadãos vivem e trabalham. Esses lugares teriam todas as facilidades necessárias para a vida da comunidade, como escolas, hospitais, áreas comerciais, gestão de resíduos e instalações de reciclagem, centros esportivos e áreas públicas.

Os tecnocratas vêem os urbanatos como algo semelhante aos resorts, mas com um design que respeite o meio ambiente. O urbanato seria alcançado através do sistemas de transporte em massa.

As áreas urbanas seriam conectadas por uma rede de trens de alta velocidade, redes de canais e transporte aéreo. Esses sistemas também seriam conectados a locais industriais para o transporte de mercadorias para os consumidores e para todas as áreas recreativas e de férias do tecnato.

A razão pela qual os tecnocratas propõem a reestruturação da vida urbana é porque as cidades modernas são planejadas e construídas de forma precária, de modo aleatório, o que levou a ineficiências e desperdício. Os tecnocratas sugerem que as áreas urbanas antigas são gradualmente recicladas para alavancar seus recursos (tais como aço, vidro, plástico, etc.), que por sua vez seriam usados para a construção de urbanatos. Estruturas históricas de grande valor seriam preservadas.

CalendárioEditar

 
Um calendário tecnocrático

O movimento tecnocrata planejou reformar o cronograma de trabalho, para atingir o objetivo de produção ininterrupta, maximizando a eficiência e rentabilidade dos recursos, meios de transporte e entretenimento, evitando o "efeito do fim de semana".[16]

De acordo com os cálculos do movimento, bastaria que cada cidadão trabalhasse em um ciclo de quatro dias consecutivos, quatro horas por dia, seguidos de três dias de folga. Ao "revestir" os dias e as horas de trabalho de sete grupos, a indústria e os serviços poderiam ser operados 24 horas por dia, sete dias por semana. Este sistema incluiria períodos de férias atribuídos a cada cidadão.[16]

PublicaçõesEditar

  • Technocracy Study Course [Technocracy, Inc.] (1934)
  • Technocracy Handbook [Technocracy, Inc.], (1939)
  • The Sellout of the Ages, Howard Scott, (1941)
  • Our Country, Right or Wrong, (1946)
  • Continentalism: The Mandate of Survival, (1947)

LivrosEditar

Livros a sobre a história do Movimento Tecnocrata:

  • William E. Akin: Technocracy and the American Dream: The Technocrat Movement, 1900–1941 (University of California Press, 1977) ISBN 0-520-03110-5
  • Henry Elsner: The Technocrats, Prophets of Automation (Syracuse University Press, 1967)
  • Harold Loeb: Life in a Technocracy. What it Might Be Like (The Viking Press, 1933)
  • Allen Raymond: What is Technocracy? (McGraw-Hill Publishing Co., LTD., 1933)

Referências

  1. http://www.technocracyinc.org/
  2. https://www.wired.com/2015/06/technocracy-inc/ Retrieved June-13-2015
  3. a b Peter J. Taylor.
  4. Edwin T. Layton.
  5. «Technocracy Fonds Finding Aid». ualberta.ca. University of Alberta 
  6. «Social Security». ssa.gov 
  7. a b Beverly H. Burris (1993). Technocracy at work State University of New York Press, p. 28.
  8. a b William E. Akin (1977). Technocracy and the American Dream: The Technocracy Movement 1900-1941, University of California Press, pp. ix-xiii and p. 110.
  9. Beverly H. Burris (1993). Technocracy at work State University of New York Press, p. 30.
  10. Beverly H. Burris (1993). Technocracy at work State University of New York Press, p. 32.
  11. Frank Fischer (1990). Technocracy and the Politics of Expertise, Sage Publications, p. 86.
  12. Nelson, Daniel; Akin, William E. (março de 1978). «Technocracy and the American Dream: The Technocrat Movement, 1900-1941». Reviews in American History. 6 (1). The Johns Hopkins University Press. 104 páginas. doi:10.2307/2701484 
  13. Daniel Nelson. Technocratic abundance Reviews in American History, Vol. 6, No. 1, March 1978, p. 104.
  14. Book review: Technocracy and the American Dream, History of Political Economy, Vol. 10, No. 4, 1978, p. 682.
  15. http://www.tecnocratas.com/tecnatos-y-urbanatos/
  16. a b Henry Elsner, The Technocrats : Prophets of Automation, Syracuse University Press, 1967