Nefilim (hebraico:. נְפִילִים) termo derivado do hebraico naphal (ele caiu),[1] é um termo que ocorre três vezes na Bíblia, em Gênesis 6:4, Números 13:33[2] e Sabedoria 14:06.[3]

A Septuaginta traduziu o termo pela palavra grega que significa, literalmente, nascido da terra, e as traduções seguintes verteram o termo para gigantes.[1][Nota 1] Lutero traduziu nefilim como tiranos.[4]

O livro de Enoque[5] relata como anjos chamados Sentinelas tomaram mulheres por esposas e geraram gigantes chamados Nefilins. Esses gigantes são descritos como guerreiros corajosos e cruéis, que se voltaram contra os próprios seres humanos.

O Padre Aníbal Pereira Reis[6] explica que na tradução original "benai elohim" no capítulo 6 de Gênesis se refere a anjos e não a descendência de Sete, o mesmo sentido aparece no livro de Jó.

Outro cristão que defende essa tese é o ex-pastor Caio Fábio no livro "Nephilim".[7]

Todas as referências de gigantes que aparecem nos livros de Erich von Däniken também apontam para os Nefilins, bem como, os escritos de Zecharia Sitchin[8] que ao se referir aos Anunakis das tabuletas do povo sumérios também apontam para os Nefilins.[9]

Os gigantes que aparecem no Velho Testamento bíblico deixaram de existir no período do Rei Davi, onde possivelmente foram todos dizimados. O próprio gigante Golias, morto por Davi era um descendente longínquo dos Nefilins, mas bem inferior aos primeiros que aparecem no período pré-diluviano e que são possivelmente os principais motivadores da destruição daquele mundo antigo, conforme 2 Pedro 2.4 e Judas 6.

Segundo Adam Clarke, a tradução de nefilim como gigantes é um erro: o texto de Gênesis faz uma distinção entre os filhos dos homens e os filhos de Anjos; os filhos dos homens seriam os nefilim, homens caídos e nascidos da terra, com a mente animalesca e diabólica, contrastando com os filhos de Anjos. Esta distinção seria entre os pecadores e os santos. Os nefilim teriam se tornado giborim, do hebraico gabar (eles prevaleceram, foram vitoriosos) que significa conquistadores ou heróis.[1]

Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch também atribuem a tradução de nefilim como gigantes a um erro. Segundo estes autores, a interpretação de Gênesis 6:4 é controversa, porém eles rejeitam como absurda a ideia de que a passagem se refere à reprodução entre anjos (filhos de Deus) e filhas dos homens, produzindo uma raça de monstros, como se fossem semideuses, demônios ou anjos-homens. Segundo Keil e Delitzsh, os nefilim, ou seja, os tiranos, já habitavam a terra antes dos filhos de Deus (descendentes de Sete) terem filhos com as filhas dos homens (descendentes de Caim), e continuaram existindo depois que nasceram os filhos destas uniões.[4]

A. H. Sayce, porém, ao comentar sua tradução de uma inscrição de Tiglate-Pileser I, interpretou que a palavra naplu, que ele verteu como o poderoso destruidor, era a mesma palavra que nefilim, ou gigantes. Senaqueribe também menciona Napallu como um deus protetor.[10]

Notas e referências

Notas

  1. Conforme a mitologia grega, os gigantes seriam filhos da Gaia, a deusa da Terra.

Referências

  1. a b c Adam Clarke, Commentary on the Bible (1831), Genesis 6 [em linha
  2. M. G. Easton, Easton's Bible Dictionary (1897), Nephilim <nowiki>[em linha
  3. https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sabedoria/14/6/
  4. a b Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsh, Biblical Commentary on the Old Testament (1857-78), Genesis 6 [em linha
  5. Livro de Enoque - Enoque (atribuído)
  6. O Diabo - Aníbal Pereira Reis
  7. Nephilim - Caio Fábio
  8. Gênesis Revisitado - Zecharia Sitchin
  9. Eram os Deuses Astronautas - Erich von Däniken
  10. A. H. Sayce, Records of the Past, 2nd series, Vol. I (1888) <nowiki>[em linha
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