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A neoescolástica, também conhecida como neotomismo, é um movimento filosófico-teológico de revitalização da escolástica medieval. Representa uma recuperação criativa da metafísica de Tomás de Aquino, através do método transcendental introduzido por Joseph Maréchal (1878-1944). Impulsionado pela encíclica Aeterni Patris, do Papa Leão XIII, de 4 de agosto de 1879, e desenvolvido na primeira metade do século XIX, o movimento alcançou sua mais ampla difusão entre as décadas de 1910 e 1960.

Por vezes a neoescolástica tem sido chamada de neotomismo, em parte porque Tomás de Aquino deu a forma final à escolástica no século XIII. Assim, fixou-se a ideia do tomismo como a mais destacada vertente da escolástica - o pensamento teológico e filosófico cristão medieval desenvolvido nas universidades, entre o século VIII e o Renascimento. Ademais, dentro da Ordem dos Dominicanos, o escolasticismo tomista permaneceu, desde o tempo de Tomás de Aquino, mesmo depois da devastação causada pela Reforma, pela Revolução Francesa e pela ocupação napoleônica. A partir da morte de São Tomás de Aquino, as legislações dos Capítulos Gerais, assim como das Constituições da Ordem, exigiam que todos os dominicanos ensinassem a doutrina de São Tomás, tanto em filosofia como em teologia, o que foi importante para a preservação do tomismo e para o surgimento do neotomismo. O método escolástico declinou com o advento do humanismo, nos séculos XV e XVI, após o que passou a ser visto por alguns como rígido e formalista. Mas a filosofia escolástica não desapareceu.

No século XVI, teve lugar um importante movimento de reavivamento tomístico - a escola de Salamanca -, que enriqueceu a literatura escolástica com muitas contribuições eminentes. Gabriel Vásquez (1551-1604), Francisco de Toledo Herrera (1532-1596), Pedro da Fonseca (1528-1599), Francisco de Vitoria (1483-1546), Domingo de Soto (1494 - 1560), Luis de Molina (1535 — 1600) e, especialmente, Francisco Suárez (1548-1617) foram pensadores profundos, dignos dos grandes mestres cujos princípios haviam adotado." [1] É comum aplicar-se o termo "neoescolástica" à escola de Salamanca .[2]

Na primeira metade do século XX surgiram importantes escolas neotomistas, principalmente na França e na Bélgica (Universidade Católica de Louvain), mas também na Itália (Universidade Católica do Sagrado Coração, em Milão), no Canadá (Universidade de Ottawa e Universidade Laval) e nos Estados Unidos (Universidade Católica da América, em Washington).[3] Entre os representantes contemporâneos mais conhecidos do neotomismo estão Jacques Maritain, Étienne Gilson, André Marc, Erich Przywara, Johannes Baptist Lotz, Walter Brugger, Karl Rahner, Bernard Lonergan e Emerich Coreth.

Índice

Neoescolástica do século XVI - a Escola de SalamancaEditar

 Ver artigo principal: Salmanticenses

Os salmanticenses exerceram grande influência no desenvolvimento da teologia, filosofia, direito e economia e na cultura espanhola como um todo.[4]

Teólogos e filósofos neoescolásticosEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. Perrier, Joseph Louis. The Revival of Scholastic Philosophy in the Nineteenth Century, Chapter VIII: "Forerunners of the Neo-Scholastic Revival".
  2. Alejandro Guzmán Brito El derecho como facultad en la neoescolástica española del siglo XVI ISBN 978-84-9890-038-5
  3. "Neotomismo" leyderecho.org.
  4. Por exemplo, considera-se que Calderón de la Barca "deve sua formação teológica às fontes da neoescolástica espanhola. A escolástica definia a liberdade como «imunidade à coação», distinguindo-se entre liberdade física, intrínseca e moral." Paloma Fanconi, Teología y libertad en El mágico prodigioso.
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