Orixá funfun

Entrada para o antigo palácio de Obalufon em Ife, estado de Osun.

Orixá funfun (do Iorubá, òrìsà, "divindade"[1] e funfun, branco (cor, adjetivo),[2] "Divindades do branco"[3][4]), do Candomblé, são divindades primordiais[4] os primeiros Orixás criados pelo criador supremo Olorum.[5][6]

São orixás funfun:[7] Oxalufan, Obatalá(Oxalá), Oduduwa, Òșapópò, Oxaguian e Obàlùfòn, sendo este último disputado por alguns autores.[4]

O axé do orixá funfun é ligado à cor branca, é caracterizado por substãncias como o efún, o chumbo, a prata, o algodão, os ossos, o sêmen.[8] Originalmente na África conta-se que os orixás funfun eram ao todo 154.[4]

Orixá funfun não deve ser confundido com Orixá axo funfun ("os que se vestem de branco") que não são orixás primordiais (Jagun, Oya Igbale etc).[4] É preciso esclarecer que nem todos os Òrìsà primordiais, isto é, os Òrìsà que existiam antes da criação do mundo, são Òrìsà funfun. Isto fica claro no mito da criação no qual aparece Èsù, e nem por isso, é ele considerado Òrìsà funfun.[9]

Pierre Verger em sua obra Orixás comentou sobre os orixás funfun:

(...) essa família de orixás funfun é a daqueles que utilizam o efun (giz branco) para enfeitar o corpo. São-lhes feitas oferendas de alimentos brancos como: pasta de inhame, milho, caracóis e limo da costa. O vinho e o azeite provenientes do dendê, e o sal, são as principais interdições. As pessoas que lhe são consagradas devem sempre vestir-se de branco,usar colares da mesma cor e pulseiras de estanho, chumbo ou marfim." [10]

Juana Elbein dos Santos em sua obra de 1975,Os Nágó e a Morte, diz que os Òrìsà funfun (...) "são as entidades que manipulam e tem o domínio sobre a formação dos seres deste mundo: os ara-ayé [habitantes deste mundo] e também da formação dos seres do òrun [além]. Os vivos e os mortos, e os dois planos da existência, são controlados pelo àse [força, poder] de Orìsà-Nlá [o principal Òrìsà funfun]. O àlà, o grande pano branco, é o seu emblema. É embaixo do àlà que ele abriga a vida e a morte. Incorrer no desagrado ou na irritação de um Òrìsà funfun é fatal. Esta situação está associada ao sentimento que aterroriza mais o nàgó: o de aniquilamento total, a de ser completamente reabsorvido pela massa e não renascer nunca mais. Funfun é utilizado aqui num duplo sentido: do branco, de tudo que é branco - o àlà [o grande pano branco], os objetos, e as substâncias de cor branca; e do incolor, a anti substância, o nada. Outro ponto fundamental dos Òrìsà funfun é a sua relação com as árvores. Uma das passagens do mito da criação informa que, para cada ser humano criado por Orìsàálá, ele cria simultaneamente uma árvore." [11]

Lenda brasileiraEditar

Um informante da Casa Branca do Engenho Velho conta que um orixá funfun, Oguiã, chegou ao Brasil montado em um tronco de árvore, no meio das água do mar encontrou Iemanjá Ogunté, eles tiveram um filho que se chama Ogunjá.[12]

Referências

  1. Michael Pye (19 de novembro de 1993). Macmillan Dictionary of Religion. [S.l.]: Palgrave Macmillan UK. p. 193. ISBN 978-0-230-37941-1 
  2. Toyin Falola; Akintunde Akinyemi (20 de junho de 2016). Encyclopedia of the Yoruba. [S.l.]: Indiana University Press. p. 71. ISBN 978-0-253-02156-4 
  3. William Bascom; William Russell Bascom (1991). Ifa Divination: Communication Between Gods and Men in West Africa. [S.l.]: Indiana University Press. p. 103. ISBN 0-253-20638-3 
  4. a b c d e Márcio de Jagun (7 de novembro de 2018). Yorùba: Vobabulário Temático do Candomblé. [S.l.]: Litteris. p. 227. ISBN 978-85-374-0391-4 
  5. IGBO-IFÁ:Encontro com os 16 Odu. [S.l.]: paulo de lacerda. p. 29. ISBN 978-0-00-017328-7 
  6. Eliana Pacco. Os Orixás Na Umbanda. [S.l.]: Clube de Autores. p. 41 
  7. Márcio de Jagun (2018). Yorùba: Vobabulário Temático do Candomblé. [S.l.]: Litteris. ISBN 9788537403914 
  8. Maria das Graças de Santana Rodrigué (2001). Orí apéré ó: o ritual das águas de Oxalá. [S.l.]: Selo Negro. p. 77. ISBN 978-85-87478-13-9 
  9. Marins, Luiz L. (2013). Obàtálá e a Criação do Mundo Ioruba. São Paulo: Do Autor. pp. pg. 34 
  10. Verger, Pierre (1997). Orixás. Salvador: Corrupio. pp. pg. 254 
  11. Santos, Juana Elbein dos (1975). Os Nágó e a Morte. Petrópolis: Vozes. pp. pgs. 75–76 
  12. José Flávio Pessoa de Barros (1 de outubro de 2015). A floresta sagrada de Ossaim: O segredo das folhas. [S.l.]: Pallas Editora. p. 30. ISBN 978-85-347-0584-4 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar

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